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Fantasma do 7 a 1 divide opiniões de alagoanos
A luta pelo hexacampeonato mundial se inicia neste domingo, 17, para o Brasil, na cidade de Rostov, na Rússia. Entretanto, apesar do grande desempenho da Seleção nas eliminatórias, o fantasma do 7 a 1 na fatídica semifinal contra a Alemanha em 2014 ainda está presente na memória dos torcedores alagoanos, colocando em xeque o prazer e a paixão em acompanhar a Seleção Brasileira em mais uma Copa do Mundo. Para se ter uma ideia, na última terça-feira, 13, o Datafolha divulgou uma pesquisa no jornal Folha de S.Paulo em que 53% dos entrevistados afirmaram não ter interesse em acompanhar a Copa do Mundo da Rússia. Em Alagoas, por exemplo, até existem aqueles torcedores que não vão deixar de assistir à Seleção Canarinho, mas não escondem a desconfiança e a falta de motivação após o 7 a 1. Aos 43 anos de idade, dona Eugênia Souza conta que sempre acompanhava os jogos do Brasil nas Copas passadas rodeada da família e dos amigos, mas este ano vai ser diferente. ?Ah, antigamente, juntávamos os amigos dos meus filhos, os vizinhos e assistíamos todos juntos aos jogos do Brasil. Todos nós enfeitávamos a rua e era uma festa só, com muita cerveja. Mas, este ano, além das condições estarem difíceis, onde todo mundo tem que trabalhar em dia de jogo, a derrota para a Alemanha tirou toda a nossa expectativa de fazer qualquer festa?, justificou. Moradora da Rua Santa Fernanda, na Jatiúca ? famosa pelos enfeites e a animação em época de Copa do Mundo ?, dona Eugênia diz que alguns vizinhos ainda enfeitaram parte da rua, mas conta que não enxerga a mesma empolgação presente em outras Copas. ?O pessoal até colocou bandeirolas na metade da rua, mas eu não quis enfeitar minha porta. Como todo brasileiro, claro que vou torcer para o Brasil, mas prefiro esperar o início dos jogos para saber se realmente temos chances?, observou. PROBLEMAS NO BOLSO? Outro fator que pode estar ?pesando? para o pouco entusiasmo de boa parte da população brasileira com a Copa da Rússia é o bolso. Segundo o economista Rômulo Sales, a procura dos torcedores por produtos relacionados ao Mundial é apenas a metade do número verificado em 2014 (caiu de 50% para 24%). Em relação a Alagoas, ele ainda ressalta que o Estado tem poucas chances de se beneficiar com o evento. ?Não acredito que Alagoas se beneficiará de forma excepcional com a Copa do Mundo na Rússia. O desemprego no nosso Estado é o 4º mais alto do País (17,7%), 4,6 pontos percentuais (p.p.) acima do verificado para o Brasil e 1,8 p.p. acima do observado para a região Nordeste. Sem emprego ou com a insegurança dos que estão empregados, as decisões de consumo são reduzidas, impactando negativamente no faturamento das empresas locais?, disse. Durante o Mundial, vários bares da capital pretendem fazer promoções para os dias de jogos do Brasil, a fim de atrair cada vez mais torcedores que preferirem não ficar em casa. Questionado se os alagoanos fazem um planejamento financeiro visando à Copa, Rômulo responde: ?Acredito que não, principalmente por dois fatores. Primeiro, a Copa do Mundo é um evento que acontece a cada quatro anos, ou seja, necessitaria de um planejamento de longo prazo. Considerando que não estamos habituados a fazer planejamentos de curto prazo, imagine um para quatro anos para frente. Segundo, considerando que as famílias gastam, em média, R$ 200,00 ou R$ 300,00 nesse período, fazer um planejamento para este montante praticamente não se justificaria, a menos que se desejasse assistir aos jogos da próxima Copa do Mundo, em 2022, no Qatar, onde os gastos com passagens, diárias de hotel, bilhetes para os jogos etc. são consideravelmente maiores. Nesse caso, o planejamento financeiro é essencial; deve ser estimulado e iniciado imediatamente?. FALTA DE IDENTIDADE COM O TORCEDOR Ao longo da história, o futebol brasileiro sempre esteve repleto de grandes ídolos, que encantavam os torcedores nos clubes locais até chegar à Seleção Brasileira. Um bom exemplo é o ?baixinho? Romário, que fez história atuando pelos times do Rio de Janeiro e na Europa. Destaque do tetracampeonato mundial do Brasil em 94, Romário arrastava multidões por onde passava e mantinha ?uma relação direta com o torcedor brasileiro?, algo que para o sociólogo Jorge Vieira está em falta no futebol atual. ?Hoje em dia, os jogadores da Seleção Brasileira não possuem mais uma aproximação com o povo brasileiro, como acontecia em outros tempos. O próprio alagoano Roberto Firmino não possui nenhuma relação com a população, porque saiu muito cedo do Estado e do País. Então, não dá tempo de as pessoas acompanharem e criarem uma relação direta com eles, o que é fundamental. Antigamente, sabíamos que os nossos craques estavam bem do nosso lado?. Jorge Vieira também acredita que a crise que o País atravessa atualmente tem contribuído bastante para diminuir o ?espírito de Copa? da população. ?A crise que a sociedade brasileira está passando financeiramente, política, ética e moral é mais um ponto importantíssimo para ninguém se interessar pela Copa. É uma espécie de depressão mais do ponto de vista psicológico, porque as pessoas não têm ânimo para nada. Não apenas para o futebol. Mas, as pessoas demonstram não ter esperança em um projeto no País, algo que reflete, inclusive, no processo eleitoral deste ano?. O SONHO NÃO ACABOU! Como acontece em praticamente todas as edições do Mundial, o Brasil chega à Rússia como um dos grandes favoritos a conquistar a Copa em 2018. E grande parte desse favoritismo é associada por muitos brasileiros ao trabalho desenvolvido pelo técnico Tite, como afirma Neto Francelino. * Sob supervisão da editoria de Esportes.