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Brasileiro da S�rie B come�a sem agradar
Rio de Janeiro ? A Série B do Campeonato Brasileiro vai começar realmente no dia 25 abril, próxima sexta-feira, e prevaleceu a terceira fórmula apresentada com todos os 24 clubes participantes disputando um turno único na primeira fase. Oito equipes se classificam e serão divididas em dois grupos de quatro, que na verdade serão dois quadrangulares em turno e returno dentro dos grupos, classificando mais dois por chave. Os quatro finalistas então jogam um terceiro quadrangular com turno e returno, com os dois primeiros subindo para a Série A de 2004. Porém esta fórmula está longe de agradar vários participantes. Um exemplo disso é o Palmeiras, que chegou a ameaçar abandonar a disputa caso não fosse mantido o sistema por pontos corridos. Vendo que a ameaça ficou no vácuo, o Verdão teve que se conformar e estréia contra o Brasiliense, em Taguatinga-DF. Mas no Palmeiras a desorganização da competição não chega a assustar os jogadores, que adotaram o discurso de não reclamar de nada, pois só estão disputando este torneio porque não tiveram a competência de ficar na Série A. Além disso, bagunça não é novidade para ninguém no clube. ?Já disputei a Série B pelo São Caetano e me lembro de cada situação que poucos acreditam. Acontecia de tudo e por isso nada me assusta. Temos apenas que trabalhar para tirar o clube da Série B e voltar para a elite?, afirmou Jair Picerni, técnico do Palmeiras. Outro time ilustre da competição, o Botafogo, também não gostou nada da nova fórmula. Isso porque o clube, acreditando na organização da competição, vendeu pacote de ingressos antecipados e agora terá que arcar com os prejuízos. ?Fizemos toda uma preparação para uma competição de quarenta e seis jogos. Vendemos ingressos para os jogos no Caio Martins e montamos um planejamento na parte física que atendesse ao tipo de competição por pontos corridos. Agora vamos ter que mudar tudo. Realmente fica difícil fazer futebol dessa forma?, afirmou Carlos Alberto Lancetta, coordenador de futebol do Botafogo. Entre os boleiros alvinegros o clima também é de incertezas. Tanto que eles dizem estar pensando somente em quando a bola rolar. Porém o regulamento foi comentado pelo técnico Levir Culpi, que reclamou da fase final. ?Até entendo que a competição com quarenta e seis rodadas poderia causar algum tipo de prejuízo. Mas essa fórmula não é boa. Pois dependendo da classificação na fase inicial poderemos ter na segunda fase, que já é eliminatória, um grupo muito forte com Botafogo, Palmeiras, Portuguesa e Sport, por exemplo?, afirmou Levir. A Futebol Brasil Associados (FBA), entidade que cuida dos interesses da Série B, reconheceu que a falta de recursos impediu a realização de um torneio por pontos corridos, conforme era o desejo de Botafogo e Palmeiras. Mesmo assim o presidente da FBA, Peter Silva, desabafou com toda a situação. ?Há muito tempo que a Série B vem sendo bombardeada, seja pela falta de recursos ou seja por questões de virada de mesa. Mas mesmo assim conseguimos programar a competição para começar no dia vinte e cinco de abril e acreditamos no sucesso dela?, disse Peter. Sucesso e vexame A história da Série B nos últimos anos tem sido recheada de vexames, com um pouco de sucesso. Em 1992 o Grêmio disputou o torneio, porém uma mudança no regulamento fez com que 12 clubes subissem para a Série A do ano seguinte, justamente para beneficiar o Tricolor gaúcho. Outro time ilustre a disputar o torneio foi o Fluminense, em 1998. Mas o nível da competição naquele ano era forte e os cariocas acabaram rebaixados para a Série C. Em 1999 aconteceu o apogeu da Série B. A competição foi muito bem organizada, a televisão apostou nela e o público foi ao estádio. A presença de clubes de grandes torcidas na reta final foi decisiva e o jogo entre Bahia e Goiás pelas semifinais levou à Fonte Nova mais de 65 mil torcedores. Porém no ano seguinte a bagunça da Série A atingiu a Série B e veio a Copa Havelange e depois um campeonato organizado. O último grande vexame da Série B aconteceu em 2001, quando no quadrangular final o jogo entre Avaí-SC e Caxias-RS não terminou por causa de um ?cai-cai? do time gaúcho. Na última rodada a torcida do Figueirense-SC invadiu o gramado no fim do jogo com o mesmo Caxias e só quem foi punido foi o árbitro do jogo, o paulista Alfredo dos Santos Loebeling, que acusou o presidente da Comissão Nacional de Árbitros, Armando Marques, de tê-lo pressionado para mudar a súmula. Fica a esperança que quando a bola rolar este ano, apenas os boleiros sejam os destaques.