Esportes
Brasil marca menos e fica desacreditado
A escassez de gols nas últimas rodadas das Eliminatórias talvez explique parte da desconfiança da torcida em relação à seleção do técnico Carlos Alberto Parreira. Nos últimos três jogos, a equipe foi às redes uma única vez. O feito aconteceu domingo, em Goiânia, na vitória diante do Peru. Kaká aproveitou passe de Ronaldo, no segundo tempo, e finalizou. Os números são inferiores aos registrados pelo Brasil no último qualificatório, que garantiu a seleção na Copa de 2002. Na ocasião, até a 12ª rodada, a equipe havia marcado 22 gols, contra 20 na atual campanha.Precisamos treinar mais, realizar trabalhos específicos de finalização, admitiu Ronaldo, que não marca gols pelo time nacional desde 9 de outubro de 2004 (vitória do Brasil sobre a Venezuela), mas segue artilheiro (nove tentos). Na corrida rumo ao último mundial, o Brasil registrou goleadas contra Bolívia (5 x 0) e Venezuela (6 x 0), além de marcar três gols frente a Equador e Argentina. Com Parreira, o placar mais expressivo foi a vitória sobre a Venezuela, em Maracaibo, por 5 x 2. O time também bateu os hermanos por 3 x 1, em Belo Horizonte. Tem faltado alegria, mais inspiração, mais jovialidade, limitou-se a dizer Parreira, ao ser questionado sobre o ataque. Erramos ao tentar muito pelo meio, continuou, desta vez se referindo ao jogo ante os peruanos. ### Dida dispensa os holofotes e economiza sorriso na seleção Dois jogadores da seleção brasileira rivalizam quando o assunto é entrevista. Ronaldo, ídolo do Real Madrid e constantemente envolvido em boatos e polêmicas, prefere se afastar da imprensa para evitar desdobramentos. Dida, titular absoluto do Milan, alega embaraço e também dispensa câmeras e gravadores. Diferente do suplente Marcos, sempre risonho e brincalhão, Dida mantém a mesma postura desde que foi revelado pelo Vitória, em 1993. O goleiro começou a carreira no Cruzeiro de Arapiraca-AL. Quando questionado sobre o assunto, o goleiro é taxativo. Não gosto de aparecer. A semana na Granja Comary, que antecedeu o jogo contra o Peru, realizado no último domingo, provou isso. Dida concedeu entrevista coletiva uma única vez, na sexta-feira. Distribuiu alguns autógrafos para os convidados dos patrocinadores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas economizou sorrisos. Sou tímido, principalmente diante das câmeras. Prefiro apenas treinar e trabalhar; é o meu jeito de ser. Algumas pessoas me criticam por isso, mas sou assim e não irei mudar, reiterou. A maneira tranqüila como se expressa e age agrada jogadores e comissão técnica. O Dida passa tranqüilidade para o grupo, confirmou o capitão Cafu. O camisa 1 agradece, e emenda. Acredito muito no meu trabalho e os meus companheiros de seleção e clube enxergam isso, disse, que já foi convocado 119 vezes e disputou 93 jogos pelo Brasil. Pelo Milan, Dida coleciona títulos. Em sua prateleira estão troféus como o da Liga dos Campeões e Campeonato Italiano.