Esportes
O cartola mais amado e odiado do futebol alagoano
Wellington Santos Fernanda Medeiros Figura mais controvertida do futebol alagoano na atualidade, o vice-presidente de futebol do CRB, Gustavo Feijó, responde aos seus críticos mais ferrenhos e expõe, pela primeira vez, a briga entre ele e o irmão João Feijó, também dirigente de futebol. ainda na entrevista, Gustavo reafirma que era CSA, diz como foi a transação para obter o volante Rodrigo Santos, na confusão com a diretoria do ASA e critica a Federação Alagoana de Futebol (FAF) por não ter cumprido o acordo para trazer arbitragem de fora. Ele responde ainda outras questões, como a briga com o árbitro Fernando Rogério. ### Gazeta - O senhor é considerado polêmico. Se inspirou em quem, Eurico Miranda, Augusto Farias...? O senhor é o que o Augusto Farias foi no CSA, no passado? Gustavo Feijó - Eu não me comparo a ninguém. Eu sou o tipo de pessoa que luto por aquilo que estou à frente. Me torno polêmico porque nas vezes que querem prejudicar o CRB eu não fico calado, eu abro a boca. E isso é um direito que tem qualquer cidadão de reclamar do que está errado. De uma vez por todas, é verdade que o senhor é mesmo torcedor do CSA? Eu sou um homem de assumir os meus atos em público. Nunca neguei isso, através dos meios de comunicação. Na minha época de garoto, por incentivo da família, do meu pai, eu torci pelo CSA, mas hoje sou coluna do meio. A partir do momento que a gente assume algo, é como um casamento e esse casamento foi com o CRB. Quem são os que odeiam Gustavo Feijó? Aqueles que me invejam e que têm raiva talvez pelo trabalho que estamos fazendo no CRB, que, em dois anos, conseguiu acabar os débitos no Brasileiro. Quem convive no CRB sabe o que era o clube no passado e o hoje. Os que te odeiam estão dentro do CRB ou na torcida? São dirigentes? Existem dentro da própria família regatiana algumas pessoas que não aceitam que eu esteja dentro do CRB pelo motivo que nós já citamos aqui - torcer pelo CSA -, mas a maioria me quer aqui, pois está provado, através de uma candidatura que coloquei meu nome à disposição para a eleição de presidente do CRB. Nas pesquisas nos meios de comunicação tive a maioria das intenções de voto. E isso prova que os que me odeiam são uma minoria. Então os que te amam são... A maioria da torcida regatiana, pois ela sabe o que estamos fazendo no clube. O CRB tinha todo o seu patrimônio entregue à Justiça trabalhista e as pessoas que não honraram os seus compromissos, tentando administrar o CRB da forma que se deve administrar uma empresa. Os que te acusam de ser CSA e não te aceitam, como ficam? Esses que me acusam de ser CSA deveriam ser os primeiros a ter a responsabilidade de assumir o CRB, porque eu sendo azulino e fazendo o que faço pelo CRB mostra que é uma inverdade os que me acusam dessa forma, pois eu só tenho procurado fazer o melhor pelo CRB. Mas o torcedor diz: se não fosse você, Gustavo, o CRB teria caído para a 3ª Divisão. Então são essas coisas que nos animam e nos faz ficar no CRB. O senhor tem vontade de assumir um dia o futebol do CSA? Não. Por quê? É porque houve um casamento meu com o CRB e seria uma forma traidora da minha parte querer assumir uma coisa do passado. Meu coração hoje é para o alvirrubro. Mas se esse casamento um dia acabar? De maneira nenhuma. O CSA fica no lugar dele. Já dei várias declarações em rádios que mesmo que eu saia do CRB, vou ajudar e continuar nas cadeiras, torcendo pelo CRB e fazendo aquilo que muitos torcedores fazem que é esculhambar atrás do túnel e nas cadeiras. Esses são os verdadeiros regatianos que pagam ingresso e nos criticam, mas às vezes nos aplaudem. A briga entre o senhor e seu irmão João Feijó ainda existe? O que aconteceu realmente entre vocês dois? Essa briga existiu mesmo ou foi só uma farsa? Olha, jamais foi uma farsa. Não posso chamar de briga, porque ele é meu irmão, é meu sangue. Houve um desentendimento entre nós, na época do Corinthians, onde passei quatro anos. Em dezembro de 2001 eu larguei o clube por não concordar com certas coisas. Realmente houve um arranhão, uma situação em que não nos falávamos. Hoje, a pedido do meu pai, uma pessoa que eu amo, pediu antes de morrer que queria ver a gente se cumprimentando. E hoje eu o cumprimento, é meu irmão e eu sempre digo: a briga era minha e dele, nunca foi briga que atingisse outros. Mas em relação a negócios, os senhores voltariam a trabalhar juntos? Não. Ele já sabe muito bem disso. Ele tem a forma de trabalhar e eu tenho a minha e a gente não se batia e cada um tem de aceitar a maneira um do outro. Podemos ter alguns negócios juntos, parcerias que eu tenha o meu pedaço e ele tenha o dele, mas jamais trabalharemos juntos. O senhor passou um tempo no ASA, como foi aquela época? Quando eu saí do Corinthians, o Luciano Machado, que era presidente do ASA, me pediu que eu ajudas-se o clube, em 2002. Então, fui ajudar, dar uma força ao Luciano Machado e passei lá dois meses. Pois nunca foi interesse meu ficar no ASA. Até recebi convite pra voltar, mas eu disse ao Luciano que a minha ajuda com ele era passageira. Por falar nisso, torcedores do ASA queriam ver o diabo, mas não queriam ver o senhor por lá, por causa do episódio com o volante Rodrigo Santos. O que houve realmente na transação desse jogador, que era do ASA? O problema é que as pessoas que administram o futebol precisam estudar um pouco. Eu leio as leis. O jogador tem um contrato, não existe mais passe. Então, o Rodrigo tinha um contrato até dezembro de 2004, com o ASA. Acabando esse contrato o atleta escolhe para onde quer ir. O ASA é uma grande equipe, mas o Rodrigo como profissional queria disputar a Série B. Ele não era mais do ASA, estava livre, o contrato já tinha acabado e eu fiz um convite para ele permanecer no CRB e ele aceitou. As pessoas estão equivocadas, porque não entendem as leis. Essa relação empresário e dirigente de futebol muitos criticam, como analisa isso? O CRB entre 1995 a 2002 não vendeu ninguém, só acarretou débitos e perdeu a credibilidade. O CRB só recuperou a credibilidade depois que eu fui para lá, em 2003, a convite do José Cabral. Antes, os atletas saíam do CRB e não queriam voltar, porque não recebiam os salários em dia. Hoje isso é diferente, porque eles sabem que vão receber em dia. Então, o verdadeiro regatiano sabe que não tem nada a ver essa relação empresário/dirigente. Qual o problema que há nisso? Mas o que se questiona é que o clube não teria retorno nenhum com essas transações que são feitas. E o caso do Marcinho e do Leandrinho? Como é que o clube não tem retorno? Nós temos um acerto de percentual, mas eu coloco muito mais no CRB do que esse percentual. O torcedor é inteligente e sabe que o CRB não sobrevive com as próprias pernas, sabe que as despesas são grandes, com taxas de transferência, salários, alimentação, viagens, hotéis, etc. Se eu pagar 10% ou 20% como é o acertado com alguma negociação do clube, o CRB entraria num débito e ficaria na mesma situação financeira de débito. Hoje, com a minha empresa, a HT Assessoria Esportiva, constituída em São Paulo - muita gente pensou que ela não existia, mas ela existe e trabalha negociando jogadores e prestando assessoria esportiva. Ela gasta muito mais do que o CRB teria direito em uma negociação. O presidente Celso Luiz sabe dos fatos, dos problemas que o CRB tem. Quantos jogadores são seus no CRB? Os jogadores são do clube e a maioria tem contrato, pois não existe mais esse negócio de passe. Não existe mais esse negócio de dono de jogador, existem contratos de atletas. O senhor tem poderes absolutos no CRB ou o presidente Celso Luiz às vezes dá uma brecada? Entre eu e ele existe um bom relacionamento de parceria. Eu não mando em nada. Tudo nós conversamos, tudo passa por ele, tudo é discutido. O senhor exigiu trio de arbitragem de fora para os jogos do quadrangular. Por quê? Vocês que fazem a imprensa podem avaliar melhor a arbitragem. Eu conversei com o s presidentes do Bom Jesus e do Coruripe e eles questionavam também que a arbitragem é horrível. Então não é uma opinião só minha. Agora, o temperamento de algumas pessoas é de ficar calado, mas eu falo. Eu perdi jogo e não reclamei de arbitragem porque o árbitro tinha sido bom e também ganhei jogo e reclamei porque o árbitro foi mal. No caso do Fernando Rogério, o senhor não acha que exagerou ao invadir o entorno do campo? O Fernando Rogério colocou inverdades na súmula. A única coisa que coloquei pra ele, é que já houve um fato com ele e o CRB em 2004, com o jogador Neizinho, um ato impensado do atleta. E o Fernando começou a dar cartão amarelo na nossa equipe, existindo situações para expulsar atletas adversários e ele não expulsou, enquanto os nossos jogadores ele tinha amarelado. Eu fui questioná-lo, disse que não usasse dois pesos e duas medidas. Fernando Rogério está com uma mágoa com o CRB, desde o jogo em Coruripe. O senhor falou que ele ameaçou os jogadores do CRB no jogo contra o Bom Jesus? Ele fez isso mesmo? Eu ouvi vários jogadores do CRB e eles disseram que a todo o momento o árbitro ameaçava os jogadores, dizendo sai daqui seu safado, que ia expulsar. Então isso revolta, porque você sente que a pessoa está mal intencionada e quer prejudicar a equipe. Ele me respondeu com palavras absurdas, só que estava do lado da polícia. Do mesmo jeito que ele xingou os jogadores, me xingou. E aí me revoltei e a polícia veio pra cima de mim. Mas sempre quem paga é o dirigente. O senhor está questionando a FAF em relação ao pagamento do trio de arbitragem de fora para os jogos do quadrangular. A FAF é que tem que pagar, como reza o Estatuto do Torcedor... Eu falei com o presidente Raimundo Soares para que fizéssemos um convênio com federações de estados vizinhos - Sergipe, Paraíba, Pernambuco - e que a gente trouxesse esses árbitros para o quadrangular. Ele aceitou, disse que marcasse uma reunião com os dirigentes dos clubes, mas depois voltou atrás e falou que não podia porque tem o estatuto e eu não poderia voltar atrás. Então eu tive que trazer um trio, um custo muito alto que temos que pagar, mas fizemos isso. Mas pelo Estatuto do Torcedor a entidade é quem tem que pagar a arbitragem... Mas são essas coisas que a gente fica sem saber. Questionei o Raimundo e ele disse que a FAF não tem dinheiro e os clubes aceitaram. Então o CRB vai arcar com uma quantia de quase R$ 15 mil, um custo que não compensa. Infelizmente não estamos aqui para criar problemas com a FAF, porque se fizermos isso vamos criar problemas para nós mesmos. Como é o seu relacionamento com a FAF? Nosso relacionamento com o Raimundo Soares é bom. Sempre o respeitei e respeitei a Federação. Sei das dificuldades do futebol alagoano, que precisa se organizar e os clubes são culpados disso.