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Torcedor corre risco em estádios de AL

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Wellington Santos Fernanda Medeiros Repórteres Se o Estatuto do Torcedor fosse de fato levado à risca e respeitado, quase nenhum estádio de futebol em Alagoas poderia ser aberto ao torcedor para o Campeonato Alagoano de Futebol. A revelação surpreendente foi feita essa semana por Walter do Valle de Melo, o Major do Valle, como é conhecido nos meios esportivos. Ele é um dos maiores especialistas em Alagoas de Policiamento Ostensivo e Operações de Choque e foi membro da comissão de vistorias da Federação Alagoana de Futebol (FAF). Do Valle teve oportunidade, inclusive, de vivenciar experiências no Batalhão de Polícia de São Paulo que operacionalizava eventos esportivos, o mais conceituado nesse tipo de situação no País. Suas declarações trazem à tona que os estádios aprovados para sediar jogos do Campeonato Alagoano da 1ª Divisão e, principalmente, da 2ª, podem futuramente trazer sérios danos à segurança dos torcedores, como a falta de saídas de emergência e acessibilidade de portadores de deficiêcia física, itens mais carentes nas praças esportivas em Alagoas. Com a revelação, major Do Valle traz ao conhecimento público que o Artigo 13 do Estatuto do Torcedor está sendo flagrantemente desrespeitado pelas entidades que deveriam zelar pela segurança dos torcedores. Consta nesse artigo o seguinte: O torcedor tem direito à segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas. E o Parágrafo Único completa: Será assegurada acessibilidade do torcedor portador de deficiência ou com mobilidade reduzida. Ex-membro Do Valle, por alguns anos, foi um dos membros da Comissão de vistoria instituído pela Federação Alagoana de Futebol (FAF) e responsável pelos relatórios sobre as estruturas dos estádios em Alagoas. Sempre fiz meus relatórios baseado no que preceitua as mais rigorosas normas de segurança que a Polícia de São Paulo recomenda, já que essa instituição é a mais abalizada em eventos esportivos, disse. E acrescenta: Nunca cedi a pressões desse ou daquele dirigente ou político interessado em que seu estádio fosse aprovado, principalmente no interior do Estado, ressalta. Questionado por que então os estádios são aprovados e de quem é a decisão final para a aprovação dos campos, Do Valle é enfático: A comissão de vistoria é formada por membros da Federação Alagoana de Futebol, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e imprensa, mas quem tem o poder de vetar ou não, com a prerrogativa de emitir o parecer final, é o Ministério Público Estadual, revela. Segundo ele, o processo para o trâmite de uma vistoria é o seguinte: a comisssão de vistoria (FAF, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Associação dos Cronistas Desportivos e outros) faz suas considerações e observações em cada área de sua competência e emite o parecer. Depois cada laudo é emitido (encaminhado) ao MP, que, baseado nos relatórios, tem o poder de vetar ou não o estádio para jogos. A reportagem da GAZETA tentou ouvir o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, por celular, mas o aparelho estava desligado. Foi feito contato com sua secretária - por nome de Olinda - e ela explicou que o procurador estava em viagem e só poderia falar com a reportagem a partir de amanhã. ### Ambulantes podem ser maior obstáculo Major Do Valle revelou à GAZETA que ainda recebe convites para vistoriar os estádios, mas desde que foi relocado de suas funções na PM não tem mais obrigação de participar das vistorias. Apenas colaboro com a Federação quando sou solicitado. Inclusive já alertei o Raimundo Soares para ele tomar cuidado quando houver um problema mais grave e não sobrar para ele, pois não é a Federação a responsável para vetar ou não um estádio, mas, sim, o Ministério Público, advertiu. Ele explicou que fazia as vistorias observando tudo que os estádios deveriam ter para serem aprovados. Se fossem respeitados os itens exigidos, de acordo com Do Valle, todas as praças esportivas de futebol deveriam zelar por itens importantíssimos como saídas de emergência, sinalizações luminosas, rampas para deficientes físicos, acessos especiais, entre outros. Emergência Mas o item mais importante, segundo o major, é que a maioria dos estádios não possui um local adequado para os ambulantes. Eles obstruem as saídas que poderiam servir como emergência caso ocorra algum problema grave, disse Do Valle, citando como exemplo sério o Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca. É um amontoado de gente impedindo o torcedor de circular livremente, principalmente, em relação à saída do estádio. Se por um lado Do Valle revela a fragilidade da segurança nos estádios, por outro critica o Estatuto do Torcedor: Essa lei saiu de São Paulo para se adequar aos grandes centros. Reconheço que não foi elaborada para os pequenos estádios. Além disso, há muitas prefeituras que só têm receita para fazer as melhorias, e mesmo assim parciais, quando se aproximam as competições, como é o caso de Alagoas. Ele revelou que a CBF mandou para a FAF, há 30 dias, um questionário de inspeções em estádios, para veririficar se os estádios Rei Pelé, Nelson Feijó e Gerson Amaral, em Coruripe, têm condições de receber jogos em nível nacional. Esse documento foi enviado porque Alagoas pode sediar jogos do Brasileiro das séries A e B este ano, mas até agora os responsáveis pelos estádios não devolveram o questionário. |WS/FM ### Do Valle: Campo do CEO é um inferno As vistorias feitas, até o momento, nos estádios que vão sediar os jogos da 2ª Divisão do Alagoano, constataram que eles não têm condições de receber os jogos desta competição. A situação dos estádios são precárias, segundo avaliação do major PM Do Valle. O campo do CEO - Centro Esportivo Olhod?aguense - é, por exemplo, um inferno, brincou o oficial. Mas, de forma séria, ele afirmou que as instalações do estádio de Olho d?água da Flores preocupam. Tem uma certa estrutura, mas o gramado encontra-se em estado latismável. Além disso, a cabine de imprensa é ruim e o teto tinha caído, alertou. Em Santana do Ipanema, os problemas não ficam por menos, mas só são visíveis dentro do estádio. Segundo Do Valle, por fora o estádio é lindo, todo pintado. Tem cabines, vestiários, alambrados, bilheterias, mas o campo de jogo é barro puro, disse, acrescentando que faz 30 dias que a comissão de vistorias esteve lá e vai retornar para verificar se as melhorias foram feitas. Não tem estádio pior nem melhor. Nenhum atende às exigências da Lei, emendou. sem arquibancada Em Teotônio Vilela, a situação é inversa a do estádio de Santana do Ipanema. O gramado é muito bom, segundo avaliou a comissão. No entanto, se por um lado o gramado tem qualidade, por outro, o torcedor vai ter que se conformar em assistir às partidas em pé, caso não sejam feitas as melhorias exigidas. Lá não tem arquibancadas, só existem arquibancadas metálicas, que são montadas as vésperas do jogo. Além disso, os vestiários estão situados em um ginásio vizinho, o que obriga os jogadores a passarem pelo meio da torcida para chegarem até lá, informou. Em relação ao Estádio Juca Sampaio, na cidade de Palmeira dos Índios, onde o CSE detém o mando de campo no Alagoano da 1ª Divisão, Do Valle disse que foi um dos problemáticos. A área destinada à saída das delegações e os alambrados estavam em péssimas condições. Para que os árbitros chegassem aos vestiários, teriam que passar pelo meio da torcida. Não pode existir uma coisa dessa em estádio nenhum do mundo, critica o major, acrescentando que a comissão de vistorias exigiu que as melhorias fossem feitas com urgência, senão os jogos do CSE não seriam realizados no Juca Sampaio. Ele explicou que cerca de 60 dias antes do início das competições, as vistorias começam a ser feitas nos estádios. Formação O major Walter Do Valle de Melo Júnior é formado pelo Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, entre 1989 e 1992, quatro anos de nível superior. Ele tem ainda o curso de especialização em Policiamento Ostensivo e Operações de Choque, pelo 2º Batalhão de Policiamento de São Paulo, com especialização em eventos esportivos e pelo 1º Batalhão de Policiamento de Choque (ROTA). Nos últimos anos, Do Valle se notabilizou no futebol de Alagoas e conquistou o respeito de jogadores, árbitros, dirigentes, torcedores e da imprensa. Ele sabe a linguagem de todos esses personagens envolvidos numa partida de futebol. Fui jogador de futebol, sou torcedor, sou policial e sou do diálogo. Digo sempre aos meus soldados a ter jogo de cintura. Esse negócio de violência não é bom para ninguém. A gente tem que entender que o torcedor é um apaixonado, xinga, briga mesmo. E acrescenta: É paixão pura. Então para mim, que viveu e ainda vive as experiências fica mais fácil entender as manhas de cada personagem deste esporte maravilhoso que é o futebol, filosofa. Do Valle é um fervoroso torcedor do CRB e nas horas vagas não troca sua arquibancada pelo conforto das cadeiras. WS/FM

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