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A mangueira que dava frutos e craques

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WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Nesses meus 41 anos vividos aqui no Mutange, lembro que foi neste lugar que dei meus primeiros chutes. Era cheio de lama e havia muitas mangueiras ali embaixo, afirma o ex-craque Peu, ao apontar o local onde se localizavam, segundo ele, as frondosas mangueiras que já não há mais no Estádio Gustavo Paiva. Seu depoimento é compartilhado por Jorge Siri. Eu não tinha o menor interesse em ser jogador de futebol, mas de tanto vir ao campo com meu pai, ficava brincando embaixo das mangueiras e acabei criando gosto pelas peladas, lembra. E o destino realmente traçou o caminho dos moleques de dona Maria para o dom de jogar futebol, pois o caçula, Chico, e o mais velho, Mané Caranguejo, também beberam da fonte das prodigiosas mangueiras que serviam de sombra para as doces peladas da infância no Mutange. E a safra foi muito boa. Peu: o auge Quando chegou ao time profissional do CSA, aos 17 anos, em 1977, o franzino Peu já mostrava aos veteranos e medalhões do Mutange que era o jogador diferenciado da família Santos Ângelo. E foi. Surgiu e logo segurou a vaga de titular deixando no banco os estrangeiros contratados pelo CSA, nos grandes centros do País. Suas principais virtudes eram habilidade, leveza e um potente chute de fora da área, que o notabilizou no futebol alagoano. Além disso, Peu se tornou figura folclórica por ter uma crônica gagueira, que ainda tem, mas com menos intensidade. Ele deixava todo mundo impressionado quando batia de fora da área com o lado de dentro do pé. Era um torpedo, diz Siri. Peu conquistou títulos e logo despertou a cobiça de grandes clubes, o suficiente para o destino lhe pregar uma peça. O Flamengo de Zico, Adílio, Tita e Cia. Ltda., comandado por Márcio Braga, deu o bote, chegou primeiro e foi impossível segurar o garoto gago de dona Maria no Mutange. Na época, o presidente do CSA, João Lyra, ainda tentou botar banca para segurá-lo, mas a proposta era algo extraordinário, além de o Flamengo ser a maior vitrine do Brasil. Peu teve fama e dinheiro, mas hoje não vive no apogeu. Poderia viver, por tudo o que conquistou no Flamengo. Hoje é o técnico do Sete de Setembro, clube da 2ª Divisão do Alagoano. Mas ele não se arrepende do que não fez com o que ganhou no clube carioca. Muitos dizem que eu poderia ter ganho muito mais, mas acho que tenho tudo, garante. ### Sou conhecido como o Peu do Mengo Onde chego as pessoas dizem: lá vai o Peu do Flamengo. Sou conhecido como o Peu do Mengo. É o reconhecimento dessas pessoas pelas alegrias que proporcionei ao futebol brasileiro. E isso é tudo para mim. A declaração é de Peu, o garoto gago que fez sucesso no CSA-AL (1977 a 1981 e 1994) e no Flamengo-RJ (1981 a 1983), clubes onde mais se destacou. Sururu No Fla vale um registro à parte na história de Peu, já que o gaguinho de ouro do Mutange viveu um verdadeiro sonho de Cinderela. O clube viveu o auge como time de futebol ao conquistar todos os títulos possíveis. No elenco da constelação rubro-negra, nomes como Zico, Adílio, Júnior, Leandro, Tita e Raul. Em jogo realizado em Maceió pelo Brasileirão, em 81, ao substituir Zico, que estava na Seleção Brasileira, Peu fez um golaço e o Fla venceu o CRB por 3x2. Ele foi aplaudido de pé até pela torcida do CRB. A vitória foi motivada, segundo o relato folclórico de alguns na época, pela capotada (sururu no capote) iguaria oferecida aos jogadores do Mengo e comissão técnica, como presente da mãe de Peu, dona Maria. Além de CSA e Flamengo, Peu jogou no Santa Cruz-PE (1983), Atlético-PR (1983), Botafogo-SP e Monterrey-México (1986). Dentre os títulos que conquistou estão: campeão alagoano (CSA, 1987/80/94), carioca (Flamengo, 1981), tricampeão da Taça Guanabara (Fla, 1980/81 e 82), campeão brasileiro (Fla, 1982), Libertadores (Fla, 1981), Mundial Interclubes (Fla, 1981) e campeão mexicano (Monterrey, 1986). No site do jogador Zico, do Flamengo, o Galinho de Quintino (www.ziconarede.com.br), consta o nome do alagoano Peu na galeria de grandes campeões pelo clube. Consta também que Peu sempre foi amigo de Zico e até hoje quando vai ao Rio e Zico está na área, ambos se encontram para relembrar histórias do futebol. |WS/FM

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