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João José: um ás do jornalismo esportivo

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WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres O esporte de Alagoas nunca mais terá seus lances relatados ou escritos pelo jornalista João José dos Santos, o Penedo ou Jota Jota, como era carinhosamente chamado pelos companheiros de imprensa. O jornalista, 59, faleceu na quarta-feira, por volta das 22h, vítima de um infarto fulminante, no Hospital dos Usineiros, em Maceió. Diabético, João José já vinha com muitos problemas de saúde, que o levaram várias vezes a ser internado. Na quarta-feira, às 17h, passou mal e foi levado para o hospital da Unimed. Por volta das 19h30, foi transferido para o Usineiros, para fazer um cateterismo e implantar um marca-passo. Mas para a infelicidade dos amigos, o coração de Penedo não resistiu. Quando foi colocado o aparelho o coração dele voltou a bater. Mas quando foi para a UTI, teve uma parada cardíaca, relatou a filha Thayse, ontem, durante o velório. No sepultamento, no Cemitério Parque das Flores, uma multidão de amigos, familiares, desportistas e admiradores de João José foi levar o adeus ao amigo, entre eles o jornalista e ex-presidente Fernando Collor de Mello, que, visivelmente emocionado, destacou: O João foi um dos profissionais com mais sensibilidade e mais senso humanístico que já conheci. Foi um grande companheiro, resumiu Collor. Surpresa Você acaba de me dar uma notícia muito triste, porque eu não estava sabendo, reagiu, com a voz embargada, o jornalista Márcio Canuto, de São Paulo, ao ser comunicado pela reportagem da Gazeta de Alagoas sobre o falecimento do amigo e ao falar sobre o companheiro de longas datas. Mas diante dessa verdade, o que passa pela minha cabeça agora é um filme, um João José muito jovem, talentoso, ao iniciar na Gazeta de Alagoas, ainda nos anos 60, lembrou Canuto. Segundo ele, João José iniciou como repórter fazendo dupla com o renomado radialista Edson Mauro, que há muitos anos milita na Rádio Globo do Rio de Janeiro. Canuto relembrou que Penedo tinha como ofício atividades ligadas ao comércio, antes de ser descoberto para o jornalismo. O boleiro Fui editor-geral da Gazeta por 12 anos e nessa época já admirávamos o João, por ter um texto criativo e sempre atualizado, relatou Canuto. Ele foi o meu primeiro chefe na área de esportes em jornal. Tinha uma linguagem moderna para a época e caprichava nos textos, completou Claudemir Araújo, ex-editor-geral da Gazeta. Outro aspecto que me chamava atenção no J.J. é que ele, por editar esportes, em particular o futebol, tinha o espírito do verdadeiro boleiro, sabia narrar e passar para o papel a linguagem do jogador e da torcida, finalizou Márcio Canuto. João José deixou viúva Maria Aparecida Santos, quatro filhos: Thayse, Mayse, Francisco e João Vitor, e uma neta, Mariana. ### Amigos relembram o profissional Penedo O radialista Warner Oliveira, que por 25 anos conviveu profissionalmente com João José, na Rádio Difusora, destacou, emocionado, os últimos lances que guardará na memória sobre o companheiro. Vi o João logo após que foi anunciada sua morte ainda no necrotério do hospital. Mas a imagem dele que ficará para mim é a do repórter que não perdia o lance. Apesar de parecer carrancudo, sério num primeiro momento, era, na verdade, um cara muito legal e brincalhão, na intimidade, atesta o radialista. OS CAUSOS DO JOÃO Prova disso, atesta Warner, eram os causos que o fervoroso regatiano e botafoguense João José contava nas rodas de amigos e nos botequins da vida. Certa vez, Penedo saiu-se com essa na redação da Gazeta de Alagoas, ao contar uma anedota sobre o lendário técnico Hélio Miranda: O Hélio era um técnico polêmico e, por vezes, surpreendia. Era um jogo decisivo para o CSA e o jogador Jorginho Siri foi perguntar ao mestre, já nos vestiários do Rei Pelé, qual seria a posição que iria jogar naquele dia. Hélio subiu em direção ao túnel e, já no gramado, respondeu a Jorginho: ?Hoje você vai jogar ali, na arquibancada!?, contou João José, bem-humorado, na redação da Gazeta, em visita recente, quando já estava aposentado. O jornalista iniciou na Gazeta de Alagoas na década de 60 e foi efetivado no dia 1º de maio de 1969. Trabalhou na redação do jornal até janeiro deste ano, quando se aposentou. Além de ser o editor de Esportes da Gazeta, por mais de 30 anos, João José trabalhou ainda no Jornal de Hoje e nas rádios Gazeta e Difusora, sempre na cobertura esportiva. Outro fato interessante na vida de João José foi narrado pelo jornalista Ailton Villanova. Quando trabalhamos juntos na Gazeta, ele se apaixonou pela esposa, Maria Aparecida, e eu era quem escrevia as cartas de amor que ele mandava para ela, declarou Villanova, acrescentando que toda semana João José enviava, no mínimo, uma carta para a amada. Até que um dia eles se encontraram e ela também se apaixonou, completou. Quem também compareceu ao sepultamento de Jota Jota foi o jornalista e presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas (ACDA), Raimundo Nonato. O João foi um exemplo de profissional. A morte dele é uma perda muito grande, pela competência demonstrada durante sua profissão como editor de Esportes da Gazeta e nos demais locais onde trabalhou. A ACDA lamenta a perda de um profissional do nível dele e que integrava os quadros de associados na condição de sócio benemérito, declarou. A colunista gazeteana Maria Cândida Palmeira também foi se despedir do amigo. Começamos juntos na Gazeta, quando ainda era situada na Rua do Comércio, e vimos a Gazeta crescer. O João José vestia, realmente, a camisa da empresa. Éramos muito unidos, disse. Já o radialista Valmari Vilela, foi chefe de João José, quando comandava a equipe de esportes da Rádio Difusora, nos anos 90. Valmari teceu vários elogios ao comportamento profissional de João José. Ele sempre foi cumpridor do dever dele. Como setorista do CRB, acompanhava o dia-a-dia do clube de maneira correta. Sempre valorizou o trabalho que desenvolvia. Apesar de ser torcedor do CRB, ele criticava o clube quando tinha que criticar, afirmou. Segundo ele, João José parecia uma pessoa mal-humorada, porque era carrancudo, mas, na verdade, não era, completou. Desportistas O presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), Raimundo Soares, compareceu ao enterro de Penedo e declarou: Ele foi um amigo que sempre reportou muito bem as coisas boas do futebol alagoano. Vai nos deixar saudade pelo homem e amigo que foi, disse, acrescentando que ambos chegaram a participar juntos de alguns jogos, pelo time da ACDA. A crônica esportiva perde muito com a morte de João José. É uma perda lamentável. Ele era um amigo e lembro-me muito bem quando no início da minha atividade esportiva ele já estava na imprensa esportiva, declarou o vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pelo Nordeste, José Sebastião Bastos. O empresário, desportista e ex-presidente do CRB Valdemar Correia revelou que considerava Penedo um irmão. Ele era meu irmão, por isso digo que perdi um irmão muito querido, um amigo leal. Conheci o João quando cheguei no CRB, em 1983, como vice-presidente do clube. Todo povo alagoano perde com a morte dele e não apenas a crônica esportiva, lamentou. O jornalista e radialista Waldemir Rodrigues trabalhou com João José no jornal e no rádio. Comecei, no início da década de 70, no jornal Gazeta, com o João e o Márcio Canuto. Aprendi muito com o João, comenta. Padrinho de uma das filhas de Penedo, Waldemir Rodrigues afirma que os dois foram companheiros de viagem, bate-papo e de prato. Ele era bom de garfo, adorava uma macarronada, relembra o jornalista. João José faria 60 anos no dia 17 de dezembro. |WS e FM

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