Esportes
Casos Aragoney e Fábio voltam à tona
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres O rumoroso caso envolvendo dois jogadores que atuaram pela equipe juniores do Corinthians Alagoano agitou os noticiários da imprensa, durante toda a semana. Tudo porque vem sendo travada uma verdadeira batalha judicial no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), entre o clube e pessoas que dizem também ter domínio sobre os direitos federativos dos atletas Aragoney da Silva e José Fábio Santos. Mas fora da alçada da Justiça, o que se viu essa semana foram acusações dos lados litigiosos que trouxeram à tona um aspecto: o mercado de jogadores jovens e de futuro promissor pode ter um preço muito alto e muito além dos gramados. O imbróglio todo está no fato de tanto Aragoney como Fábio terem percentuais de seus direitos federativos rateados entre o Corinthians, clube em que os atletas foram revelados, e os empresários Rivaldo Ramos e André Alves. Conforme contrato a que a Gazeta de Alagoas teve acesso, o empresário Rivaldo Ramos de Melo teria uma participação de 25% do valor líquido de qualquer operação que fosse feita com Aragoney. Já no caso de negociação de Fábio, o empresário André Alves teria 15%. Uma outra informação é que esses 15% seriam do diretor de futebol do CRB, Ednilton Lins. ARAGONEY No caso de Aragoney, a juíza-substituta Alda de Barros Araújo, da 4ª Vara do Trabalho, sentenciou a causa em favor do atleta, na qual manda o clube pagar direitos trabalhistas e obrigações previdenciárias e diz que o clube manteve relação indevida com o poder público, segundo a sentença com a Polícia Civil. Inclusive, a respeito desse caso, João Feijó informou que Aragoney havia sido matriculado na Escola Estadual Theotônio Vilela Brandão, na Jatiúca, na 1ª série do Ensino Médio, em 2003, tendo sido aluno desistente. Então, nós não deixamos de matricular o jogador, como fomos acusados. Ele não ficou na escola porque desistiu de estudar, explicou o dirigente, mostrando a declaração da escola, em que o atleta solicitou o histórico escolar. O documento está assinado pelo secretário da referida unidade de ensino Dalmo Nunes Calixto e com data do dia 21 de junho deste ano. Mercado O que vem à tona com todo esse caso, é que jogadores têm propostas mirabolantes, em dólares e euros, de clubes da Europa. Nesse caminho, estão procuradores de atletas, donos dos direitos federativos agenciados por olheiros e pessoas credenciadas pela Fifa nesses países para a transferência de jovens. E essa é a chave para o grande filão que se tornou o mercado de jogadores ainda na base dos clubes. ### Suposta quadrilha agiria em AL e SE De um lado o Corinthians denuncia, conforme palavras do presidente do Conselho do clube, João Feijó, que foi lesado por uma quadrilha que teria aliciado e seqüestrado os dois atletas. Essas pessoas, segundo ele, sempre tiveram acesso ao clube. Se o clube perder seus atletas, pois fomos nós quem revelamos, que motivação teremos para fazer trabalho com os jovens, dar-lhes condições, se depois vem uma quadrilha pronta para aliciá-los e seqüestrá-los?, questinou Feijó. Da quadrilha denunciada por Feijó, fariam parte, segundo ele: o dirigente do CRB, Ednilton Lins, os empresários José do Egito, André Alves, José Vergetti, o major PM Eduardo Lucena e aquele a quem ele atribiui como sendo o testa-de-ferro da rede de aliciadores - o psicólogo e oficial do Exército Rivaldo Ramos. Na terça-feira, o major Lucena procurou a Gazeta para rebater a acusação e afirmou que exigirá uma sindicância no comando da PM e a retratação pública do dirigente. Minha participação nesse episódio deve-se ao acompanhamento que passei a dar, a pedido do Ednilton Lins, a um homem de bem que estava se sentindo ameaçado, disse Lucena, referindo-se a Rivaldo Ramos. As ameaças, segundo ele, teriam partido de policiais civis. Oficialmente, todas as outras pessoas citadas por Feijó preferem não se pronunciar, por enquanto. A Gazeta tentou ouvir Rivaldo, mas ele disse que só falará no momento oportuno. Sergipe Segundo Feijó, além de agir em Alagoas, a suposta quadrilha estaria aliciando jogadores jovens em Sergipe. Feijó mostrou uma cópia do Jornal da Cidade, de Sergipe, edição de sexta-feira (01), com notícia dizendo que o jogador Mateus, do Itabaiana, estaria sendo aliciado por Rivaldo Ramos. |WS/FM ### Ednilton diz que responderá na Justiça O dirigente Ednilton Lins até agora se manteve distante para responder o teor das acusações, mas chegou a rebater João Feijó em um programa da rádio Difusora: Meu direito de resposta vai ser na Justiça. O João Feijó sempre quer ser o dono da verdade, gosta de aparecer na mídia. Eu tenho até algumas coisas a questionar com ele, mas não o fiz na imprensa porque tenho postura, afirmou. O Rivaldo é um homem de bem e ele [Feijó] fica criando balela, emendou. Caso Fábio Na última segunda-feira, a reportagem da Gazeta de Alagoas foi à sede administrativa do Tricolor da Via Expressa, na Ponta Verde, e conversou com João Feijó. Ele apresentou um calhamaço de documentos, dizendo que eram provas concretas sobre a vida de Fábio e Aragoney. Feijó mostrou cópias dos contratos e extratos de depósitos dos salários de Fábio. Apresentou, entre outras coisas, cópia do primeiro contrato profissional assinado com o Corinthians, datado de 01/12/2003 até 31/11/2006, no qual consta a assinatura de próprio punho que seria de Fábio. Nesse contrato, o jogador ganhava R$ 330,00. Não há como negar que a assinatura seja de Fábio, pois temos o exame grafotécnico, explicou João Feijó. À reportagem, ele apresentou o exame feito pelo perito grafotécnico, documentocóspico e papiloscópico José Josualdo de Lima, do dia 16 de maio deste ano, na sede do clube. O resultado foi apresentado pelo Cartório do Registro Civil e Notas 2º Distrito de Autenticação. A conclusão, segundo o perito, foi: As assinaturas lançadas nos documentos descritos no item IV provieram do punho escrito do jovem José Fábio dos Santos. Portanto, são autênticas, não possui características percucientes de natureza divergente, atesta. Feijó apresentou ainda um termo aditivo de prorrogação do contrato até 2010 com o atleta, quando Fábio passaria a ganhar R$ 700,00. Na petição do advogado André Anet, Fábio alega que desde a sua contratação, o clube recolheu sua carteira de trabalho para assinatura e seu passaporte, retendo-os até a presente data. Outra acusação que consta na petição do advogado de Fábio é que, segundo ele, o clube reclamado, desde o início da contratação, agiu de má-fé com o reclamante e seus familiares. Nessa parte da petição, o advogado alega que, em função de ser menor de idade, Fábio teria sido forçado a assinar folhas de papel e contratos em branco. WS/FM ### Advogado questiona multa de contrato De acordo com a petição de André Luiz Anet, advogado de Fábio, um dos trechos que chamam mais atenção no documento é o item 4.1. Nele consta o seguinte: (...) o primeiro se apura quando da leitura da cláusula décima-segunda que diz respeito a multa contratual, cláusula essa que se encontra em branco, posto que no momento da contratação o acordo entre as partes (Corinthians e Fábio) era de que a multa penal seria de R$ 50 mil, segundo a petição, para a surpresa do suplicante (Fábio) ao receber sua via do contrato, na semana que passou, foi de (sic) verificar que no mesmo resumo das cláusulas no campo 25, havia sido incluído valor de multa de R$ 462.000 (quatrocentos e sessenta e dois mil reais). Nesse caso, alega Anet na petição que: Primeiro há que notar que além de dita informação ter sido incluída posteriormente, ele contraria o que determina o parágrafo 3º do artigo da Lei 9.615/98 (Lei Pelé) que dispõe que o valor da cláusula penal a que se refere o caput deste artigo, será livremente establelecido pelos contratantes até o limite máximo de cem vezes o montante da remunueração anual pactuada. Ao questionar isso, Anet diz que se for levado em conta o que está na Lei Pelé, o valor da multa, seguindo a fórmula, deveria ter sido de R$ 429.000 e não de R$ 462.000. E conclui o advogado: Como se verifica o valor da multa, incluída sem a ciência do reclamante (Fábio), mesmo que assim não fosse, é nula de pleno direito posto que ultrapassa o limite máximo estabelecido em Lei. Corinthians rebate Os novos contratos de trabalho da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com atleta em vigor rezam para o Brasil e o Exterior, de acordo com a nova Lei, tudo referente à cláusula penal tem que ser colocado no campo 25 do contrato, o clube não tem limite na multa rescisória. Eu não seria ingênuo de colocar na multa de um valor irrisório de um jogador promissor como o Fábio, respondeu o patrono do Corinthians, João Feijó. No contrato assinado com o jogador, conforme cópia fornecida à reportagem da Gazeta, a claúsula penal acordada, na frente do contrato com carimbo da CBF, é de dois milhões e seiscentos mil reais, datada justamente no último dia em que Fábio apareceu no Corinthians, 22 de abril de 2005, e registrado na CBF no dia 25 de abril. Essa lei, alega Feijó, é a 9.981 de 14 e julho de 2000. Amável O Fábio sempre foi um garoto muito amável e bem-tratado no Corinthians. Esse comportamento dele, de dizer que assinou contrato em branco, é orientação de alguém. Alguma pessoa está por trás disso, até porque o advogado André Anet se hospeda em hotéis de luxo, e o Fábio não tem condições financeiras para financiar essas despesas, rebate Feijó. Todos os funcionários do clube, cerca de 80 pessoas, têm seus documentos guardados com eles próprios, principalmente a carteira de trabalho, endossou a coordenadora do Departamento de Pessoal do clube, Ruth dos Santos. fatídico amistoso Inexplicavelmente, no dia do amistoso entre Corinthians e CSA, 21 de abril deste ano, no Estádio Nelson Feijó, o Fábio foi substituído no jogo e promoveu uma quebradeira nos vestiários do clube, relatou Feijó. Já no dia 22, quando estava marcado um teste para que se fizesse um relatório sobres suas condições técnicas e atléticas, para um agente-Fifa que mora na Inglaterra, para fins de negociação, o Fábio estava normal, acrescentou Karina Padilha, tradutora e funcionária do clube. Ela é quem faz a ponte entre os agentes da Fifa no exterior e o clube. Participaram do teste com Fábio, para elaboração do relatório a ser enviado à Inglaterra, os funcionários do Corinthians, Karina Padilha e o preparador físico Geninho. Karina acrescenta: O atleta compareceu e ficou mais ou menos até perto do meio-dia. Depois foi embora para não aparecer nunca mais no clube, completou. Sobre Fábio, ela traduzia as correspondências em inglês com o agente-Fifa russo Asparouh Dimitrov. Ela explica que agente-Fifa é uma pessoa ligada ao futebol, credenciada pela Federação Internacional de Futebol Associados (Fifa) e autorizada a fazer negociação de atletas de um país para o outro. O processo de Fábio contra o Corinthians Alagoano tramita na 3ª Vara do Trabalho e tem como juiz do caso Hamilton Aparecido Malheiros, e a sentença deve sair nos próximos dias. Sobre o processo de Aragoney, cuja sentença foi dada em favor do atleta pela juíza Alda de Barros Araújo, da 4ª Vara do TRT, o advogado do clube, Flávio Moura, recorreu e disse que está aguardando que o INSS emita os recibos à juíza Alda de Barros, que comprovam que o clube tem cumprido com as obrigações previdenciárias perante todos os atletas inscritos. |WS/FM ### Livro pode reabrir polêmica na Justiça Na sexta-feira (1), quando foram feitas as razões finais em juízo sobre o processo do atleta Fábio, a Gazeta de Alagoas obteve informações no TRT-AL de que um livro havia sido juntado ao processo. De acordo com as informações, esse livro relata a vida do jogador Deco, ex-atleta do Corinthians Alagoano e com passagem em 1997 pelo CSA. Hoje ele é jogador do Barcelona da Espanha. Porém, ainda na sexta-feira, a Gazeta soube que em alguns trechos da obra, Deco relata, com detalhes minuciosos, fatos contundentes contra o patrono do Corinthians, João Feijó. O livro teria sido entregue pelo advogado André Anet, defensor do jogador Fábio, ao juiz Hamilton Aparecido Malheiros, da 3ª Vara do TRT. Segundo uma fonte que não quis se identificar, Anet queria provar, com a publicação entregue, que o caso de Fábio seria semelhante ao de Deco. A Gazeta tentou uma cópia do livro ainda na sexta-feira, mas não conseguiu. Procurado pela Gazeta na segunda-feira (4), numa conversa de mais de duas horas, o patrono do Corinthians, ao lado do advogado do clube, Flávio Moura, negaram veementemente que o magistrado tivesse juntado o livro aos autos. De fato, a outra parte chegou com cópias desse livro, mas o juiz não levou em consideração. Primeiro, porque o prazo para novas provas já havia se extinguido. Depois, porque o livro não poderia servir como prova sem a presença do Deco, para relatar, de viva-voz, os fatos reportados no livro, disse Flávio Moura. João Feijó afirmou que entrou com uma ação na 6ª Vara Cível de Reparação e Danos, em Maceió, contra Deco. Ele acrescentou que os trechos da queixa de Deco no livro não haviam sido publicados por nenhum jornal em Portugal, onde foi lançada a edição, por causa da ação impetrada contra o jogador e contra quem publicasse, por Deco não apresentar provas do que relata. Mas a Gazeta tomou conhecimento, por fontes de Portugal, que o livro foi muito publicitado naquele país e que não ouvi dizer que ninguém tivesse sido processado por isso, disse a fonte. WS/FM ### Relatos de Deco acusam dirigente Feijó A Gazeta de Alagoas, finalmente, teve acesso ao livro: Deco, o preço da glória, na segunda-feira quando entrevistou o patrono do Corinthians, João Feijó, na sede do clube. O próprio Feijó fez questão de entregar o livro à reportagem, dizendo: Não temo nada do que foi relatado nesse livro. O Deco é que terá de provar, porque eu tenho documentos de que ele sempre foi muito grato ao que o Corinthians fez por ele. Se ele fala em mim no livro, é porque não esqueceu o João Feijó. O que tenho a dizer é que o Deco foi um ingrato, disse o dirigente. O obra é de autoria de Sérgio Alves, jornalista português que passou 12 anos no jornal Correio da Manhã, na Agência Lusa e no jornal A Bola. Conforme consta em uma das orelhas da publicação, ele deixou o jornalismo para trabalhar com um empresário de futebol. Segundo uma fonte de Portugal, Sérgio Alves já não é jornalista, mas foi durante muito tempo num jornal desportivo muito prestigiado em Portugal, de nome A Bola. Deixou essa função e é agora assessor do empresário de jogadores de futebol Jorge Mendes, o empresário do momento, em Portugal, que tem feito grandes negócios - incluindo a ida do Deco para Barcelona, disse. A Gazeta publica agora alguns trechos de Deco, o preço da glória, da editora Prime Books. Na obra, Deco diz que ao término do contrato com o Corinthians Paulista, a ligação que tinha com o meu clube de sempre terminou. Afirma que encarou a situação naturalmente e que a passagem pelo clube paulista deu-lhe a possibilidade de concluir que nem tudo é como idealizamos. Ele prossegue com as seguintes palavras: O que antes foi um sonho rapidamente se transformou numa semidesilusão... E no trecho seguinte, quando menciona o patrono do Corinthians Alagoano, João Feijó, pela primeira vez, ele narra: (...) também não tinha possibilidade de escolha. Estava completamente nas mãos dos detentores de meu passe, que já não era apenas da Euroexport. Também estava sujeito às vontades de João Feijó, um conhecido empresário do nordeste brasileiro, que posteriormente veio a se transformar num dos maiores pesadelos da minha vida. Segundo Deco, tudo teria começado antes da ida dele para o Corinthians. Pouco tempo depois de terminar o convênio com o Nacional. No livro, ele revela: A Euroexport associou-se ao Corinthians Alagoano de João Feijó, que passou a ser o clube detentor do meu passe. E ainda: Não precisei de muito tempo para perceber que tinha perdido o direito à vontade própria, que estava sujeito à completa satisfação da ganância de João Feijó. Relata que o primeiro indício sugiu quando o Corinthians tentou comprar o passe dele. Não liguei muito porque também não fazia questão de ficar lá, por tudo o que tinha acontecido. O que eu queria era jogar (...) Algo que poderia fazer em outros clubes de menor dimensão da 1ª divisão paulista. E havia vários interessados, por tudo o que fiz na Copa São Paulo. Mas, segundo ele, Feijó teria vetado esse desejo. Nem pensar... Tenho uma proposta de fora. Você vai para Portugal, teria dito o patrono do Cornithians, segundo Deco, acrescentando que foi informado que iria, em princípio, para o Benfica de Portugal, e não ficou satisfeito. csa Deco lembrou o período em que jogou no CSA, quando foi para o clube do Mutange por empréstimo, pelo Corinthians, em fevereiro de 1997. Tinha que jogar em algum clube para me manter em competição. Teoricamente, deveria ser no Corinthians, o tal clube de João Feijó, que detinha o meu passe. Mas não era possível, por uma simples razão: naquela altura não participava em nenhuma prova (...). A solução foi emprestar-nos a outro clube de Maceió, com quem João Feijó tinha boas relações. Fomos para o CSA disputar o Campeonato Alagoano. Acabamos por ser campeões, recorda. Foi uma fase muito boa, que ainda hoje recordo com saudade. Maceió é uma cidade muito bonita, com um clima excelente (...), acrescentou. Nessa época, Deco diz que ele e os outros atletas do Corinthians (Edmar, Caju, Ricardinho e Xande) emprestados ao CSA, foram dispensados pela direção azulina, um mês antes do fim do empréstimo. Deco conta também que teria sido enganado pelo Corinthians, que, segundo ele, seria negociado com o Benfica. É mesmo para o Benfica que nós vamos?, perguntei [a Feijó] de uma forma direta e frontal. E sua resposta foi: É mesmo para o Benfica... Foi uma resposta curta e pouco ou nada convincente. Sentia e pressentia que as coisas não eram assim tão claras, relata. Em outros trechos, o jogador diz que foi para o Alverca, clube que funcionava como satélite do Benfica. Eu fui para um quarto, o Caju para o outro... Chorar! Tal como o meu parceiro de viagem. Principalmente, por ter sido enganado, mas também devido a uma indiscritível sensação de impotência. A solução era falar com João Feijó. Não dava para calar a nossa revolta. Necessitávamos de respostas (...). Indignação Deco relata que conseguiu falar com Feijó no mesmo dia. Ainda me lembro do momento em que ouvi a sua voz do outro lado da linha telefônica. Aí libertei toda a minha indignação, sem escolher palavras, declara. Segundo ele, Feijó teria dito: Tenha calma... Esta é apenas uma situação provisória. Não fiquem preocupados porque em pouco tempo vão acabar por ir para o Benfica. Deco prossegue: (...) essa foi a sua resposta. Num tom de voz muito baixo, extremamente calmo e relaxado, em claro contraste com o nosso. Aliás, essa era a sua forma de se exprimir, parecia um padre. Quem o ouvisse falar não o levava preso, como vulgarmente se diz. Só que a sua aparente bondade caminhava a passos largos para o completo descrédito, declarou. Em outras passagens da obra, o Corinthians e João Feijó ainda são citados, sempre em tom de reclamação por parte de Deco, sobretudo em relação às negociações com o jogador. Em uma das narrativas, Deco disse se sentir seguro com o fato de ter Jorge Mendes, como empresário, procurador e a pessoa que acabou por ser determinante para a minha carreira. Ambos se conheceram em março de 1998. Era a segurança que me faltava e sentia que, finalmente, a minha carreira começava a ter um rumo. Com uma vantagem acrescida: deixava de estar nas mãos de João Feijó. Algo que me atormentava, não só pelas experiências já vividas mas também porque sabia que ele ganhava muito dinheiro com empréstimos sucessivos e não era isso que eu desejava para a minha vida. WS/FM ### Dirigente responde sobre livro Eu, Anderson Luis de Souza (Deco), declaro para os devidos fins e a imprensa falada, escrita e televisada do Estado de Alagoas, que o Centro Sportivo Alagoano (CSA) jamais pagou qualquer (sic) despesas para me manter na cidade de Maceió e que toda responsabilidade do pagamento dos meus salários, moradia, alimentação, aluguel de carro, dentista, material de treinamentos e outras coisas mais para o desenvolvimento do meu futebol sempre foi de responsabilidade do Sport Club Corinthians Alagoano, clube o qual sou grato. E que o CSA nas pessoas dos seus dirigentes agiram de maneira incorreta com relação a minha dispensa (...). Com essa declaração, cuja cópia está com Feijó, o dirigente se defende ao dizer que o jogador só pode ter sido induzido pelos empresários Jorge Mendes e Sérgio Alves. Em 1997, o Corinthians firmou um convênio com o Benfica para onde foram vários jogadores por empréstimo, inclusive o Deco. Segundo Feijó, o Deco virou a cabeça, influenciado pelos empresários porque eles queriam dar um calote no Benfica. Maior sonho O passe dele valia 500 mil dólares, na época O empresário deu ao Deco o maior sonho dele, um carro Cherokee zero, e a partir daí vieram me propor o calote, mas eu não aceitei fazer essa sacanagem com o presidente do Benfica. Só que entramos na Fifa denunciando o complô. Eles queriam o Deco de graça, finalizou Feijó.