loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
terça-feira, 31/03/2026 | Ano | Nº 6192
Maceió, AL
28° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Esportes

Esportes

Um som eterno ao clube do coração

Ouvir
Compartilhar

WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Numa época em que as notícias sobre violência em estádios de futebol têm sido destaque na mídia, a veia poética e a volta de um futebol com a visão romântica parecem ser um contraponto às badernas em nossos gramados. A visão romântica dos bons e velhos tempos vem contaminando, no bom sentido, é claro, muitos de nossos torcedores e espalhando um surto de arte e cultura entre as torcidas nos estádios. Pelo menos é isso que o torcedor alagoano, nesses últimos anos, tem se acostumado a ver e a ouvir. Azulinos, regatianos, alvinegros, corintianos e outros têm colocado toda a arte e criatividade em canções, frevos e hinos dedicados a seus clubes de coração e até dedicadas aos rivais. Mas para quem é um pouco mais jovem, a moda de cantarolar e compor a paixão pelo clube amado e mostrá-la por meio de músicas e gravações de discos - e agora CDs -, já vem de outras épocas. Quem não se lembra, por exemplo, da canção que diz assim: O Clube de Regatas Brasil é a paixão de todos nós. Quando o Galo aparece no gramado, grita a galera numa só voz... Essa música foi sucesso nos anos 70, composta pelo regatiano e radialista Edécio Lopes, em homenagem ao CRB, e continua no inconsciente de muita gente. Há ainda quem não esqueça a canção que declara: O CSA é bi, bicampeão, o CSA é bi, bicho-papão!, de autoria de Roberto Becker, azulino de quatro costados e compositor de mão e voz cheias, cantada em prosa e verso pela torcida azulina no início dos anos 80. Os novos poetas O sucesso dessa gente tem sido tão grande junto à galera que se tornou comum nos estádios o cantarolar das canções. O resultado é o feedback (retorno) que se torna um frisson só. Muitas vezes cantado até pelos mais ferrenhos adversários de camisa, tal a beleza e o feitiço que a composição provoca. Um exemplo claro desse sucesso na mistura do dueto música/futebol é o cantor e compositor alagoano Eliezer Setton. Azulino confesso, ele ultrapassou o bairrismo futebolístico e fez uma canção em homenagem ao CRB, maior rival do CSA. ### Roberto Becker fez 20 músicas para o CSA Não são apenas os regatianos que têm o privilégio de ver o clube de coração cantado em verso e prosa. Os azulinos também têm canções dedicadas ao CSA, o Azulão do Mutange. Exemplo disso são as de autoria de Roberto Becker. Já fiz 20 músicas em homenagem ao meu CSA. A primeira foi quando ele foi bicampeão, em 1981, e se chama CSA, Bicampeão. Nessa época não existia CD e a música saiu em um compact player, com quatro faixas, explica. Pai de cinco filhos, ele afirma que todos são azulinos e botafoguenses. Apenas um resolveu ser Flamengo, revela o artista alagoano, 65, com 40 anos dedicados à música. Sou azulino doente. Só ando vestido de azul, exagera. Foi a partir dessa paixão pelo CSA que tive a idéia de compor as músicas. Ele lembra que um dia criou um folheto sobre o CSA, quando o time derrotou o CRB e entrou para o Campeonato Nacional. Foi no início da década de 80. Mas o CSA perdeu para o Misto-MT (3x0) e para o Dom Bosco-MT (4x0). Daí, os regatianos ficaram zombando de mim: ?Agora, Becker, faça uma música?. Aí eu fiz, revelou. E acrescenta: A letra é assim: ?Olha aqui seu CRB, perco pra todo mundo só não perco pra você. O mais querido do Brasil é o Flamengo, que também andou perdendo no Nacional passado. Estou sendo goleado, mas não canso de dizer: perco pra todo mundo só não perco pra você?. Após a conquista do Alagoano da 2ª Divisão, um aglomerado de azulinos, em volta de um veículo fora do Estádio Rei Pelé, no dia 7 deste mês, ouvia animadamente a música feita pelo poeta azulino Becker: Segundona Nunca Mais!, composta especialmente para o título da Segundona. Vamos juntá-la com outras músicas do passado e elaborar um CD para o CSA, que será lançado em outubro, diz Becker. |WS/FM ### Azulino roxo faz música para o rival Com a música Eu sou CRB, Eliezer Setton deu início a um verdadeiro frisson nos estádios. Resultado: sucesso absoluto entre os regatianos e a cobrança desmedida dos azulinos, digamos que traídos pela encomenda poética. Essa música nasceu no dia do jogo entre CRB x Botafogo-RJ em 2003. O radialista Antônio Guimarães me provocou para que fizesse uma música falando em futebol, relembra Setton, ao acrescentar: A partir dali, fiquei no meu cantinho no estádio, mas já pensando na letra e na melodia. Havia uma placa no estádio com os dizeres ?sou regatiano?. E continua: Além disso, ainda tinha o narrador Arivaldo Maia, da Rádio Gazeta, que usava o jargão Ah! eu sou alagoano!. Enfim, tudo isso me inspirou para terminar a música ali no estádio. Quando saí de lá, já estava com ela na cabeça, relata. Do resultado de sua inspiração saíram os versos que muita gente canta até hoje: Sou Galo, sou regatiano, sou alagoano e gosto é de vencer, vermelho é a minha cara, sou da Pajuçara, eu sou CRB.... Panela de pressão A música, contida no trabalho em que considera sua obra-prima, está no CD O carnaval alagoano de Eliezer Setton. Se para compor a música do Galo ele caminha pela Pajuçara e na paixão por Alagoas, para o seu CSA - depois de receber uma pressão pior do que panela de pressão da torcida azulina, ele vai até o espaço e se inspira em Yuri Gagari para compor A terra é azul. Nela, o artista passeia poeticamente com seu enredo na trilogia Da verde, do Mutange e da Lagoa Mundaú. A expressão Da Verde era uma antiga barraca encostada em muros de onde os azulinos assistiam aos jogos do CSA nos anos 60 e 70, no Velho Mutange. A TERRA é azul Azul e branco é o CSA, Centro Sportivo Alagoano. Marujo, azulino, altaneiro e soberano é união e força a todo o pano... Da Verde, do Mutange e da Lagoa Mundaú, Gagari foi quem disse: A Terra é azul..., diz um dos trechos da obra azulina, contida no mesmo CD onde está a música do rival. |WS/FM ### A paixão de todos, afirma compositor O segundo CD oficial do CRB foi lançado recentemente. Tal qual o primeiro, tem o dedo do compositor, cantor e torcedor regatiano Milton Peixoto, funcionário da Caixa Econômica Federal, que tem uma banda, a MPB, cujas iniciais significam Milton Peixoto e Banda. A idéia de criar o CD do CRB foi em 2002, quando juntamos algumas músicas que existiam e colocamos num único CD. Foi aí que surgiu a primeira obra: ?A Paixão de Todos Nós?, explica Milton, que já ganhou vários festivais de música, acrescentando que nesse CD há canções de Edécio Lopes e dele próprio. Já para o segundo CD, ?Clube de Regatas Brasil?, eu compus seis músicas, orgulha-se. O CRB é um dos poucos times do Brasil que têm um CD exclusivamente com músicas. Somos pioneiros nisso, pois em outros CDs de clubes há músicas, gols e histórias da equipe, emenda o também cantor e ex-presidente do Galo Darlan Brandão, que no segundo CD canta as faixas Eu sou Alvirrubro, de Sabino Romariz, e Confraria na Folia, em dupla com o cantor Yaldo, de autoria de Milton Peixoto. Ele explica que o amor ao Alvirrubro falou mais alto, por isso aceitou a participação no CD. Em 2002, na Copa do Nordeste, estávamos em Aracaju-SE, num barzinho, e comecei a cantar ?Eu sou Alvirrubro?. Todos gostaram e este ano o Milton me fez o convite para participar do segundo CD, explica, acrescentando que o carro-chefe do segundo CD do Regatas é a canção Galo eu te Amo, de Almir Rouche, nas vozes de Milton e Osman. ASA gigante Para o papão de títulos de Alagoas nos anos 2000, a arte em forma de música não ficou atrás dos rivais. O ASA também ganhou músicas em sua homenagem. A mais famosa e que virou o hino da vitória do clube foi ASA Gigante, composta em 2000, quando o Alvinegro foi campeão estadual em cima do CSA. A letra é de autoria do médico e torcedor Clyton Houly, em parceria com Edgard Lima. As músicas do ASA foram surgindo com os títulos que o time foi ganhando. Juntamos as músicas que já existiam e fizemos o CD, com o hino oficial do ASA, em várias versões, e o hino de Arapiraca, revela Houly. Em 2001, outra canção foi criada por ele e Edgard Lima: Alvinegro eu Sou. E a dobradinha Clyton/Edgard se repetiu em 2003, quando compuseram Vai lá meu ASA. E mais uma vez o Alvinegro conquistou o Alagoano, desta vez em cima do CRB. Coruripe e Corinthians Clyton Houly também fez a letra da música do Coruripe: Alviverde eu Sou, em 2003, quando o Coruripe subiu para a 1ª Divisão do Alagoano. O Corinthians também tem músicas em sua homenagem: o hino Tricolor de autoria do radialista Antônio Guimarães, cantada no original por Carlos Moura e orquestrada na voz de Sandro Barros; e ainda um frevo, na voz de Carlos Moura. WS/FM

Relacionadas