Esportes
CRB: problemas internos dificultam a caminhada
| WELLINGTON SANTOS Repórter A redução drástica das chances de o CRB conseguir uma das oito vagas à próxima fase do Campeonato Brasileiro da Série B mexeu com boa parte da torcida do Galo. Tudo por causa do jogo contra o Ituano, semana que passou, ao perder por 3x2. Mas a maior conseqüência do resultado foi a frustração de boa parte da torcida regatiana que esperava - e ainda espera -, mesmo com apenas 2% de chances, que o Galo seja um dos sérios concorrentes a uma das oito vagas do pelotão de elite da competição este ano. A razão é simples. O CRB começou a Série B titubeante. Perdeu a primeira partida em casa para o Santo André por 3x0 e empatou duas seguidas: 2x2 contra o Paulista, em Jundiaí, e Sport em 0x0, no Rei Pelé, e deu uma estabilizada na equipe. Depois alçou vôos altos na competição, ao ganhar três partidas consecutivas que lhe deram por várias rodadas o status de um dos melhores da Série B. A trilha de sucesso e o ápice do Galo na competição foram as duas vitórias fora de casa: 1x0 contra o Vila Nova, no Serra Dourada; e contra o Caxias por 3x1, em Caxias do Sul. Na seqüência, bateu o Avaí - na exibição de gala do time no Rei Pelé -, ao vencer por 2x1. Ganhou moral, confiança da torcida e partiu célere em busca de uma classificação que desde 2001 não vem. Na trilha do sucesso, nem a derrota para o Náutico no tabu histórico de não ganhar em Pernambuco foi o suficiente para tirar o ânimo do time. O Galo partiu com tudo e detonou a Anapolina por 2x0, jogando com um homem a menos desde o 1º tempo. O jogo fatídico Mas foi justamente a partir deste jogo, apesar da vitória de superação, que começaram os problemas internos no Galo praiano, coincidentemente com dois atacantes. Nessa partida, Nilson Sergipano - cujo passe pertence ao Corinthians Alagoano -, foi expulso e acusado por uma parte da torcida de forjar sua expulsão para sair do Galo e partir para uma suposta transação para Portugal. Resultado: discutiu com torcedores e ficou mal visto por muitos. Essa mesma partida marcou também a estréia daquele que foi contratado para ser o referencial de gols do time: Sérgio Alves. Na época, o então astro do time Juninho Cearense se machucou e não se recuperou mais de uma contratura na coxa. Mesmo assim, o Galo ganha do Marília por 3x2, em Marília. Na seqüência, explode então a notícia de que Nilson Sergipano já estaria negociado com um clube de Portugal. O jogador vai para a Bahia e acontecem desentendimentos com o médico do clube, Luiz Fernando Barros. Desmanche Nilson é afastado. Em Salvador, o time é impiedosamente goleado pelo Bahia por 5x0, fato que chamou a atenção da mídia nacional, já que o CRB era tido como a grande revelação da Série B e o Bahia, a grande decepção. Depois do disse-me-disse, Nilson aparece na imprensa treinando num clube de Portugal: o Marítimo. Depois dessa goleada, o CRB não mantém a estabilidade dos resultados e começam a pipocar notícias de problemas de relacionamento. O pivô seria o alto salário de Sérgio Alves, mandado embora na sexta-feira. Um dos insatisfeitos era o então ídolo Túlio, que também deixou o time. Antes, o Galo já havia perdido o zagueiro Valney, que foi para Portugal, depois de se desentender com o treinador Cruz. Nesse período o time perdeu fora de casa e deixou escapar pontos importantes em casa. ### Ex-dirigente do Galo critica parcerias Considerado por boa parte da torcida um torcedor ilustre do clube por ter sido o último dos dirigentes a levar o time a uma de suas melhores colocações (6º) em nacionais, em 2001, Darlan Brandão opina sobre sua frustração: Quero ressaltar que o Celso está fazendo um grande trabalho na recuperação do patrimônio do clube e dando todas as condições ao elenco. Mas o que vem atrapalhando o clube há algum tempo é a corintinização do CRB, desabafa Brandão. O ex-dirigente regatiano critica as parcerias com o co-irmão Corinthians Alagoano. Ele diz que para o CRB ser pleno, tem que acabar a era de usar jogadores para servirem apenas de vitrine e visando a transações e lucros de empresários. Pode até terceirizar, mas não colocar dono de empresas para administrar o clube, disse. O CRB tem que colocar para jogar é a garotada criada na Pajuçara, como o Claudinho. Esse sabe e entende que o CRB é uma instituição centenária, diz o ex-presidente. O regatiano Ednilton Lins discorda. A grande questão este ano não foi essa, mas o fato de jogadores consagrados e rodados terem caído de produção, justamente na fase decisiva da competição, diz Ednilton, ao citar o goleiro Jeferson e o atacante Sérgio Alves. Para o vice-presidente de Futebol, Gustavo Feijó, criticar é fácil, quero ver é assumir um clube sem dinheiro e com patrocínios atrasados como o da FBA.|WS