Esportes
Supervisor aponta mais irregularidades
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres A conturbada temporada no futebol de Alagoas este ano está quase chegando ao fim, mas problemas de toda ordem insistem em aparecer. Se não bastassem as confusões protagonizadas pelos cartolas com regulamentos malfeitos, invasões de campo, agressões a árbitros, denúncias de jogadores irregulares e suborno e até ameaça de perda de bens de dirigentes da Federação Alagoana de Futebol (FAF), caso não se cumprisse o Estatuto do Torcedor, eis que aparecem mais fatos negativos ao apagar das luzes da temporada. Desta feita, a boa-nova no futebol alagoano foi a acusação e a constatação por parte do supervisor do CSA, Marcos Lima Verde, de que o Campeonato Alagoano, além de todos os casos denunciados no andamento do certame, na primeira e segunda divisões, apresentou mais gato por lebre. Segundo Lima Verde, só foi possível descobrir agora que mais dois jogadores atuaram de forma irregular no Sete de Setembro, porque os profissionais trabalham atualmente com ele no mesmo clube, o CSA, que disputa a Copa Alagipe. Isso só acontece porque não existem profissionais para fazer o trabalho de supervisor. Esse é um trabalho que precisa ser levado a sério e ser mais valorizado. Pessoas não qualificadas não podem exercer essa função, ressaltou o supervisor, acrescentando: Supervisor não ganha jogo, mas pode perder um campeonato. Os atletas que teriam jogado de forma irregular no clube do Tabuleiro, segundo Lima Verde, são José Wglebson Gomes, o Gueba; e Jailton Gonçalves, o Valber. O CSA contratou os dois para a Alagipe, mas quando fomos fazer uma busca na FAF, constatamos que ambos não estavam lotados lá, mas na Federação Pernambucana, revela. E prossegue: A transferência deles não foi feita do Itacuruba-PE para o Sete de Setembro, explicou, mostrando o documento de transferência dos atletas. Só foi possível descobrir isso porque precisei fazer a transferência para o CSA, emendou. Regularização Procurado pela Gazeta de Alagoas para se pronunciar sobre a alusão ao Sete, feita por Lima Verde, o presidente do clube, João Batista, limitou-se a dizer que a reportagem verificasse como são feitos os processos de regularização de jogadores na FAF, sem querer entrar em detalhes. Só sei que quase tudo é muito malfeito naquela Federação, criticou. A única coisa que João Batista lamentou é que seu time foi a maior vítima de toda a desorganização no futebol. Como eu não tinha deputado ao meu lado, o meu time foi prejudicado, lamentou. Outro que criticou a atuação de pessoas sem qualificação para desempenhar a função de supervisor de futebol foi o supervisor do Corinthians Alagoano, Roque Júnior, funcionário do clube desde 1995. A responsabilidade nesses casos é dos clubes, que colocam qualquer pessoa para exercer a função de supervisor. Sabemos que as falhas acontecem até na CBF, mas é preciso prestar atenção e acompanhar o processo de transferência de atletas e a regularização até o final, disse Roque Júnior. ### Gilberto Farias Dartagnan e Alberto consideram que FAF ainda é amadora Auditor: FAF é a casa da mãe Joana No julgamento do Caso Williams, jogador do Sete de Setembro, acompanhado pela Gazeta in loco à época, os auditores da 1ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) teceram duras críticas à FAF. Uma das mais contundentes partiu do auditor e vice-presidente da comissão, Alberto Jorge Ferreira, o Betinho, que comparou a entidade maior do futebol alagoano à casa da mãe Joana. A crítica foi feita por causa do episódio em que o supervisor do Sete, na época, Luiz Aureliano, o Formigão, foi ouvido naquela corte e afirmou que era representante extraoficial do clube para levar e buscar contratos e documentos de atletas na entidade. E pior: além do Sete, ele também seria representante de clubes como Murici, CEO, entre outros das divisões de base. A cena hilária das múltiplas tarefas exercidas por uma única pessoa que andava para cima e para baixo com documentos de transferências de jogadores de diversos clubes gerou até uma piada por parte de um dos auditores, que atribuiu a função de Formigão com a expressão de chumbeta, usada nos termos policiais para denominar falsos profissionais de polícia. O que vimos aqui nesse julgamento foi um absurdo. É inadmissível uma figura ter tantos poderes para representar um clube, ir e vir na federação e fazer o que quer. A federação é uma casa ao ?deus? dará? É a casa da mãe Joana?, declarou Betinho, durante a sessão. Questionado pela Gazeta, recentemente, se sua opinião sobre a FAF ainda é a mesma, Betinho não hesitou: Eu mantenho o meu posicionamento. E justifico que num fórum, quer seja federal, estadual ou trabalhista que trabalhe com processos, obrigatoriamente tem que ter procedimentos e regulamentos. Mas o que se observou naquela oportunidade é que existe uma tramitação de pessoas dentro da federação indo e vindo sem legitimidade, salientou Betinho. Ele acrescentou que foi inadmissível também que, naquela ocasião, o representante do Sete não era só do Sete, mas de várias equipes. Então ele entrava e saía, deixava contratos, tinha procuração de quem? E é assim que funciona?, criticou Betinho, acrescentando que o depoimento de Formigão à comissão foi um amontoado de explicações sem nexo. Já para o presidente da 1ª Comissão Disciplinar do TJD-AL, Dartagnan Fireman, está faltando uma forma de comunicação entre a Federação e os clubes para o entendimento sobre o assunto. Mas quem deve supervisionar isso é a Federação. Que tipo de contrato entra, que tipo sai, quem é a pessoa que deveria acompanhar a documentação. Tudo isso deve ser verificado, argumentou Dartagnan. Para ele, o futebol como um todo de Alagoas tem que amadurecer, em todos os setores: os clubes, porque não podem deixar à mercê de pessoas que não têm vínculos. E a FAF, que tem uma responsabilidade maior, porque é a entidade que administra o futebol e sua estrutura. Pleno Dartagnan está na comissão há um ano e meio. Já Betinho está há mais de três anos. Inclusive, segundo ele, foi cogitado para fazer parte do Pleno do TJD, como representante da OAB, mas, meu nome desapareceu de repente, disse. Acreditamos que o nome dele não vingou por causa das posições que toma na comissão, emendou Dartagnan Fireman. Crítica mesmo fez o dirigente Ednilton Lins contra o Pleno e a própria FAF em julgamento recente: Isso aqui me dá nojo!. Já o presidente do TJD, Breno Lins, comunicou que Ednilton Lins foi pronunciado em reunião administrativa do TJD-AL na sexta-feira e vai ser interpelado judicialmente pelas afirmações que fez contra a instância jurídica esportiva. |WS/FM ### Federação diz que Setor de Registros será informatizado Cansada da saraivada de críticas que sofreu nesta temporada, com problemas que foram desde erros no regulamento do Campeonato Alagoano, até ameaça de penhora de bens dos seus dirigentes, pelo Ministério Público, a Federação Alagoana de Futebol (FAF), por meio do vice-presidente Ederaldo Almeida, garantiu que a entidade vai mudar esse quadro, no próximo ano. O dirigente anunciou que a mudança vai começar pela informatização do Setor de Registros de jogadores, a partir do mês de outubro. Ele reconheceu que a FAF precisa acompanhar a evolução do tempo e entrar na era da informatização, sobretudo nesse departamento, para que os atletas sejam regularizados sem maiores problemas. Mas para isso é preciso que os clubes nos ajudem. Eles devem designar pessoas capacitadas para representá-los oficialmente na entidade, em relação à entrega de contratos e demais documentos de atletas. E nós já solicitamos isso aos dirigentes, informou Almeida. A gota d?água para que tal medida fosse tomada foi o caso do lateral Williams, do Sete de Setembro, que jogou de forma irregular na 2ª Divisão, porque em seu contrato não havia a assinatura do médico do clube. A irregularidade foi, inclusive, confirmada pela FAF e o Sete perdeu seis pontos na competição. A estrutura do nosso futebol é arcaica, mas aos poucos vamos corrigir os erros, para que no próximo ano eles não ocorram mais. Talvez tenhamos errado porque costumamos tratar todo mundo bem e ser amigos de todos, disse Ederaldo. Naturalidade Sobre as críticas, Ederaldo afirmou que encara com naturalidade. Até na CBF existem falhas e não é na nossa entidade que elas vão deixar de existir. Somos passíveis de erros, mas estamos com a consciência tranqüila porque sabemos que nosso trabalho é feito com decência e honestidade e confiamos nos funcionários e dirigentes que trabalham conosco. As críticas construtivas são bem-vindas porque através delas procuramos nos corrigir, declarou. Amanhã, às 15h, o presidente licenciado da FAF, Raimundo Tavares, o vice, Raimundo Soares, e o vice da CBF pelo Nordeste, José Sebastião Bastos, terão um encontro com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, com o objetivo de buscar recursos para os clubes no próximo ano. |WS/FM