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CRB x Criciúma: tensão em jogo histórico

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| WELLINGTON E SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres O dia 10 de setembro de 2005 ficará marcado na história do CRB como o dia dedicado aos torcedores regatianos cardíacos. Ou melhor: será lembrado por eles, com orgulho, como um grande teste de resistência ao coração, que foi vencido, graças às fortes emoções do último jogo do clube no Brasileiro da Série B, contra o Criciúma-SC, na vitória por 2 a 1, de virada, nos sete minutos finais e que valeram à equipe regatiana a permanência na Segundona e a fuga do inferno da Terceirona. Testemunhas oculares do fato que já é tido como histórico pelas circunstâncias em que aconteceu a vitória do CRB, alguns radialistas da crônica esportiva de Alagoas, como o narrador César Pitta, o repórter Leonardo Baran, ambos da Rádio Gazeta AM, Luciano Costa, repórter da Rádio Difusora de Alagoas, além do repórter Alberto Lima, da Rádio Correio, viveram momentos angustiantes e transmitiram ao torcedor que ficou com o ouvido colado ao rádio toda a dramaticidade do jogo realizado no Estádio Heriberto Hulse, naquele dia. Após a partida e passadas as emoções, o comentário geral na cidade era de que os comunicadores haviam conseguido fazer os torcedores passarem pelo maior exame médico que um cardíaco regatiano poderia experimentar. Um dos que mais se notabilizaram na transmissão da experiência vivida em Criciúma foi César Pitta, que conta alguns fatos que vão marcar sua carreira para sempre. Na sexta-feira à tarde, dia 9, eu e o Baran chegamos ao aeroporto de Florianópolis-SC. O Luciano e o Alberto chegaram no mesmo vôo do CRB. Nos dividimos e alugamos dois carros. Em um fomos eu, o Baran e o filho do doutor Nairo Freitas [ex-médico do CRB], Nairo Filho. Em outro, o Luciano, o Alberto e outro filho do Nairo, o Rafael. No caminho para Criciúma, o Baran falou: ?queria que o jogo fosse bem sofrido?. Disse que o CRB levaria um gol, empataria aos 37 minutos da etapa final e, nos acréscimos, viraria o placar, cobrando pênalti. O Nairo Filho disse para ele: ?você é louco??, e ligou para o irmão, que estava no outro veículo, para contar o que Baran havia dito, narra Pitta. Galo-de-campina Já no hotel, sábado, dia do jogo, ele conta que houve outro fato estranho. Era como um prenúncio da vitória do Galo: Ouvi o canto de um galo-de-campina. Não sei se ele estava na janela do hotel ou na caixa do ar-condicionado. Eu disse para o Baran: ?tá ouvindo? Isso é um galo-de-campina. É mais uma coincidência para a vitória?. Mas quero esclarecer que nós dois ouvimos o canto do pássaro e não apenas eu, pois assim iriam dizer que eu estava sonhando, diz o radialista, com 14 anos de profissão. Eu passei a semana inteira que antecedeu ao jogo dizendo que o CRB venceria. E tinha que ser daquela maneira, sofrida, senão não teria graça nem a repercussão que teve, afirmou, acrescentando que aquela partida ficará marcada na história. Até hoje o torcedor liga para a rádio pedindo para a gente repetir os melhores momentos, a narração, os gols, revela Pitta, que começou a carreira na Rádio Progresso. Depois foi para a Gazeta, Maceió, Difusora, Jornal, Milênio e Gazeta de novo. O carinho do torcedor é tanto que, na sexta-feira, ele recebeu uma carta de uma ouvinte, Josefa Maria da Silva, de Serra do Jardim, em Pindoba-AL. Em um dos trechos, ela escreveu: Olha, vou te contar. Se eu sofresse do coração tinha tido um infarto (...) Não faça mais o que você fez. Vamos devagar, assim não tem coração que agüente. ### Repórter e jogador testemunham clima de tensão no Galo Ele estava atrás do gol defendido pelo goleiro do Criciúma, Marcelo Flores. O momento era dramático. Aos 45 minutos do 2º tempo, o atacante Josimar tinha em seus pés a última e abençoada chance de tirar o CRB da iminente 3ª Divisão. Entra em ação uma faceta do jovem repórter Luciano Costa, da Rádio Difusora. Meu Deus Todo-Poderoso, criador do céu e da Terra, faz com que o Josimar converta essa penalidade máxima. Torcida regatiana, torcedor alagoano, é a nossa esperança de se manter (sic) na Série B do futebol brasileiro. Meu Deus, ajuda o Clube de Regatas Brasil, Josimar na bola; a responsabilidade toda do atacante Josimar. Essa foi a frase que para muitos de seus ouvintes se transformou em oração do corajoso pênalti batido pelo atacante. Josimar bateu e fez: 2x1. Claro que eu, como alagoano, explodi de alegria por dentro. Mas como profissional não podia vibrar como um torcedor. Não era o CRB, era o futebol alagoano que estava em jogo. Se fosse o CSA ou outro clube alagoano naquela situação faria a mesma coisa, garante Luciano Costa. Ele disse ainda que o companheiro de profissão Alberto Lima, também assessor de imprensa do CRB, passava mal e estava à base de tranqüilizantes antes do pênalti, amparado pelo supervisor do Galo, Mauro Ramos. Após o sucesso da cobrança, Luciano narra, então, a oração de agradecimento: Obrigado meu Deus Todo-Poderoso, meu Jesus Cristo, obrigado pelo pedido. Que categoria e que frieza do Josimar. Olhos nos olhos com o goleiro Marcelo Flores (...) É o gol da permanência do Galo! (...). Estranho O repórter relata ainda alguns fatos estranhos que presenciou antes daquela partida. Estava todo mundo muito tenso. Mas estranho mesmo foi quando o Ednilton Lins, diretor do CRB, saiu das arquibancadas e foi até o local de aquecimento dos jogadores e notou que todos estavam distantes. Eu vi quando ele olhou para o preparador físico, Arthur Santiago, e perguntou: ?o que é que está acontecendo com o time? Vamos pessoal! Vamos!?, relatou o repórter. Passadas as emoções de tudo, a Gazeta de Alagoas obteve, com exclusividade, algumas declarações do atacante Josimar em seu apartamento, na Pajuçara. Nelas, o jogador relatou que o clima dentro de campo entre os jogadores e o técnico Flávio Barros era o pior possível. Ninguém respeitava quase nada do que o treinador pedia. Tática não existia. Na saída do Claudinho, ainda no 1º tempo, no intervalo, um jogador chegou a questioná-lo porque ele havia sacado o Cláudio, revelou. Josimar, por questão de ética, preferiu não revelar o nome do companheiro, mas a reportagem soube por fontes seguras que o atleta que desafiou o treinador foi o atacante Zé Carlos. Outro fato relatado por Josimar foi que ninguém se habilitou a bater o pênalti. Todo mundo queria mesmo que eu batesse e ficasse-se com a batata quente, frisou. WS/FM ### Cardíacos testam coração pelo rádio Até eu que sou cardiologista quase fui parar em um hospital, ao ouvir a transmissão do César Pitta, com as emoções narradas por ele, revelou o cardiologista e regatiano Ednilton Wanderley, que acompanhou o jogo pelo rádio. Um dos médicos do CRB e que também trabalha na Unidade de Emergência Armando Lages, Orlando Baia, informou que pelo menos dez pessoas deram entrada na emergência do hospital, com problemas de arritmia cardíaca e angina no peito, em virtude da partida emocionante do Galo contra o Criciúma. Sintomas A Gazeta de Alagoas tentou ter acesso aos registros de entrada das pessoas no hospital, mas os profissionais responsáveis pelo setor de Serviço Social disseram que não seria possível fornecer os telefones das pessoas nem fazer um levantamento em tempo hábil para esta edição. Os sintomas mais comuns para aqueles que têm esse tipo de emoção muito forte relacionada ao coração são ansiedade, batimentos acelerados (taquicardia) e aperto no peito, conta Ednilton Wanderley. Ele relembra que em épocas de Copa do Mundo muitos torcedores já morreram do coração, em função de jogos da seleção, principalmente naquelas partidas em que a seleção brasileira teve que decidir nos pênaltis alguns jogos, relembra o cardiologista. Fãs do rádio Depois da partida histórica em Criciúma, foram muitos os torcedores do Galo que se manisfestaram emocionados e admirados pela transmissão dramática do locutor César Pitta. As congratulações ao locutor que encarnou as emoções e a aflição da torcida alagoana soaram até no site oficial do CRB. Exemplo disso foi o recado deixado pelo torcedor Williams Jr. no site alvirrubro: Ainda não esqueci o emocionante e dramático jogo contra o Criciúma. Estão guardados em minha memória o gol narrado por César Pitta e o relato fantástico e arrepiante do Luciano Costa. O choro Outro que não descolou o rádio do ouvido naquele histórico jogo foi o internauta e regatiano roxo Petrúcio Sá. O torcedor contou à Gazeta que não conteve a emoção e ao ouvir o fim da partida na latinha não conseguiu conter as lágrimas. Foi inesquecível. Acho que depois daquela partida fiquei ainda mais regatiano e mais fã do César Pitta, confessa Petrúcio Sá, ao dizer que espera um encontro em breve com o locutor gazeteano, que é natural de Maceió, mas é batalhense de coração, para felicitá-lo pela transmissão do jogo da permanência do CRB na 2ª Divisão. |WS/FM

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