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Gustavo: Só devo satisfação ao Celso

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WELLINGTON SANTOS Repórter A Gazeta de Alagoas inicia hoje uma série de reportagens com os dirigentes dos principais clubes que disputarão o Campeonato Alagoano de 2006, que promete ser um dos mais acirrados da história. Para dar início, a Gazeta foi conversar com uma das figuras mais controvertidas do futebol alagoano na atualidade e que ocupa o cargo mais estratégico do clube, o vice-presidente de futebol do CRB, Gustavo Feijó. Com o mesmo jeito despojado de sempre, Feijó responde por que aceitou ficar no CRB depois dos boatos de que após o Brasileiro da Série B não aceitaria mais ficar no clube, inclusive ao receber pressões de familiares para abandonar os afazeres no Regatas. Aos seus críticos e opositores dentro do CRB, ele manda logo um recado. A única pessoa que eu consulto e devo satisfação aqui no CRB é o Celso (Luiz-presidente executivo do Galo) e a torcida, em primeiro lugar, diz. Ele lembrou a eleição em janeiro de 2005, quando foi firmado um compromisso, apesar de naquela ocasião eu já estar praticamente eleito, recorda. Nosso projeto é dar esse título (em 2006) à torcida regatiana, por isso aceitei ficar, completou. Gustavo Feijó admite, porém, que tem carta branca para decidir. Eu posso até decidir, mas o Celso sempre é consultado, ressalta. Questionado sobre como é que está o relacionamento e como convive com o grupo que não o aceita dentro do CRB e de pessoas ligadas ao Celso, ele responde: Futebol é igual à política. Eu não acredito que são pessoas ligadas ao Celso. Podem ser pessoas que têm conhecimento com o Celso e tudo na vida tem de ter situação e oposição, mas a satisfação eu devo ao presidente. E emenda: Nós temos muitos colegas e poucos amigos! Flávio precisa de cancha Sobre por que o CRB não acertou com o treinador Flávio Barros para o Alagoano de 2006, Gustavo Feijó foi enfático: Tudo aquilo que se perde, se tem um pouco de mágoa. O Flávio talvez tivesse a esperança de voltar para o CRB. É um técnico competente, mas falta cancha a ele, explica. Sobre o suposto cheque que teria voltado para pagar o treinador, ele justifica: Já paguei 85% do que acertamos. O que aconteceu é que ele cometeu um equívoco ao fazer um depósito de um cheque que não estava autorizado. Mas eu converso com ele sempre e não há problema algum, como se comenta. Questionado ainda se foi o fato de Flávio não ter controle sobre determinados jogadores na época da Série B que o enfraqueceu no CRB, principalmente no jogo contra o Criciúma, Gustavo admite: Não coloco que ele não seja para a Série B, mas falta experiência em saber lidar com alguns atletas. Ele é novo ainda, mas mostrou competência ao ser campeão pelo ASA e ninguém pode contestar, completou, ao avaliar que para a competição do próximo ano a diretoria resolveu apostar em Celso Teixeira. Mas ao Celso não será permitido fazer o que fazia no Corinthians. Brigar, invadir campo e sair escoltado pela polícia, avisa, ao dizer que já teve uma longa conversa com o treinador. ### FAF tem que ser profissional, diz Feijó Indagado se não teme a mesma onda de denúncia de jogadores irregulares que assolou o Campeonato Alagoano da 2ª Divisão deste ano, no qual vários casos foram parar no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-AL), com a comprovação, inclusive, de um caso, Gustavo Feijó faz uma severa crítica: Não adianta trabalhar só com boa vontade. A Federação Alagoana de Futebol (FAF), onde tenho bons amigos, precisa se profissionalizar e se informatizar para diminuir os casos de fraudes com jogadores e transferências irregulares. É preciso deixar o amadorismo de lado, avalia. Ele lembra que o próprio CRB foi vítima, no campeonato passado, da inércia da alta cúpula da entidade que administra o futebol alagoano, quando o clube denunciou a suposta irregularidade de um jogador do ASA, mas que não houve aprofundamento por parte da FAF, nem tampouco do TJD-AL. E ainda vai mais longe. Mesmo admitindo que a volta do rival número um do CRB, o CSA, vai motivar mais gente a ir a campo no retorno à Primeira Divisão do Campeonato Alagoano de 2006 depois de dois anos de jejum, Gustavo Feijó não vê com muita empolgação quando o assunto é o fator renda, em função das pendengas trabalhistas dos clubes, das altas taxas cobradas nos principais estádios pelas pequenas rendas verificadas: O Campeonato Alagoano é deficitário. Para entrar em campo hoje, um clube paga para jogar no Rei Pelé entre seis e oito mil reais de taxas (água, luz, arbitragem e retenção de renda). Fica impraticável fazer futebol assim, diz. Ele voltou a afirmar que, com exceção dos jogos com o CSA, todos os outros serão realizados no Estádio Severiano Gomes Filho, na Pajuçara, inclusive os clássicos contra o ASA, campeão do Estado. Os pupilos de Gustavo Atletas cujos direitos federativos ou o poder de procuração pertençam a Gustavo Feijó sempre foram muito questionados por torcedores e por parte da imprensa esportiva ao longo da permanência e atuação do dirigente dentro do CRB. Sem nenhum constrangimento, Gustavo Feijó aponta os jogadores em que é procurador no elenco montado para 2006: o meia Juninho Cearense, os zagueiros Gustavo e Emerson, os atacantes Cristiano, Josimar (50%), e os meias Goiabinha, Saulo (percentual não revelado). Não são jogadores do Gustavo Feijó. Eu tenho a procuração por meio da empresa HT, que é minha, para administrar a carreira dos atletas. Eu não sou dono do passe, não existe mais isso. O que existe é um contrato com o clube, e eu só administro, explica o dirigente. A HT administra o atacante Grafitte, com o São Paulo, que é uma grande equipe. Por que a gente não pode fazer aqui no CRB?, questiona. Regatiano de carteirinha Questionado ainda se o ex-coração azulino pode voltar a bater mais forte ao reencontrar o agora rival CSA no campeonato e informado pela Gazeta de que seu irmão, o patrono e presidente do Corinthians Alagoano, João Feijó, afirmara na imprensa em entrevista recente que desconhecia qualquer regatiano na família, Gustavo Feijó desconversou. O meu irmão fala por ele, não por mim. O que passou, passou. Eu torcia porque meu pai me ensinou a torcer desde criança pelo CSA. Deixei de ser num clássico, acho que foi em 1995, quando o CSA perdeu para o CRB. Naquele jogo eu queimei a camisa do CSA e ali a relação de amor acabou. Depois isso acabou de vez quando fui convidado para trabalhar no CRB em 2003 pelo presidente José Cabral e aprendi a ser regatiano, justificou. Indagado se não se sentia ainda na coluna do meio (entre o CSA e o CRB), como afirmou numa entrevista à Gazeta na edição do dia 3 de abril deste ano, Gustavo deu um sorriso maroto e despistou: O importante é pensar no agora. Se disse, devo ter me expressado mal ou vocês não entenderam na época da entrevista, finalizou o dirigente. WS

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