Esportes
CSA x CRB: o duelo volta ao gramado
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Recheado de todo o glamour que sempre o caracterizou, o grande dia de CSA e CRB chegou. É hoje! O clássico será às 17h - como não poderia deixar de ser - no maior palco do futebol alagoano, o Estádio Rei Pelé. Passaram-se quase três longos anos para ver de volta o imortalizado Clássico das Multidões, como é conhecido. Parafraseando o radialista e locutor alagoano Arivaldo Maia, da Rádio Gazeta AM CSA x CRB é para quem tem nervos de aço, ou, ainda, para explodir ponte de safena ou, se preferir, é o maior evento esportivo já produzido em Alagoas. A última vez que toda essa multidão de aficionados viu os dois clubes de maior torcida e história de rivalidade no Estado foi no dia 9 de março de 2003. A vitória ficou com o Galo, por 4 a 2, no Estádio Rei Pelé. Os quase três longos anos que separaram os dois clubes ocorreram pelo rebaixamento do Azulão do Mutange no fatídico dia 9 de março de 2003, um domingo. O fato custou ao CSA dois anos de afastamento da elite do futebol alagoano, a 1ª Divisão, além de um prejuízo moral (as gozações de todas as partes e cores, principalmente da galera do CRB). Tudo é diferente Não adianta esconder. Em um clássico da tradição que é esse tudo é diferente. Você amanhece diferente, penteia o cabelo diferente, toma café diferente!, sentencia o treinador do CRB, o irrequieto Celso Teixeira, 44. Por mais forasteiro que seja o profissional do futebol, a energia e a atmosfera que envolvem um clássico da cidade não têm como passar despercebidas por quem faz parte do espetáculo, completa o treinador alvirrubro. O técnico do CSA, Agnaldo Liz, diz que é um privilégio estar no CSA no momento da volta dos clássicos. São quase três anos de espera pela volta do tão bem falado Clássico das Multidões. Então, tudo o que envolve este jogo é importante e empolga, afirmou o treinador, de temperamento bem diferente de Celso Teixeira, que várias vezes já foi criticado pela arbitragem. Eu jogo com a equipe, não costumo reclamar da arbitragem, mas não tenho nada contra o estilo do Celso Teixeira, disse Liz. ### Azulão e Galo: cautela e mistério hoje CSA e CRB viveram dias de preparação intensos para a celebração do grande clássico de hoje, às 17h, no Rei Pelé. Atravessando um melhor momento que o rival, em função das três vitórias consecutivas e com dois pontos à frente, o clima no CSA é de gato escaldado, de cautela, pois é um clássico, e o fato de estar melhor ou pior nesse tipo de jogo pode não querer dizer nada. Clássico é clássico. E não existem favoritos, resumiu o diretor de futebol do Azulão, Carlos Alberto Andrade. Será um jogo pau a pau, emenda o experiente dirigente Augusto Farias. Questão de honra Pelo lado do Galo, o vice-presidente Gustavo Feijó, não esconde a ansiedade em quebrar o estigma de ser chamado de azulino. É um jogo especial que vou querer ganhar de todas as formas, afirma. Para ele, isso parece uma questão de honra, pelo histórico de ter sido, na adolescência, torcedor do CSA confesso e receber, várias vezes, a acusação de ser azulino por parte dos seus desafetos em vermelho-e-branco. É hora de conselheiros e daqueles que gostam do CRB chegarem para engordar a gratificação dos atletas, diz. Sobre a famosa aposta de vestir a camisa do rival em caso de derrota, que Feijó e Augusto Farias fizeram antes da competição, a Gazeta questionou se já estaria de pé no clássico de hoje. Por mim sim. Eu não fujo da raia, diz Feijó. Para mim também está valendo, só que eu me recordo que foi pelo turno e não por este jogo, emenda Farias. Times As novidades no time do CSA são as voltas de importantes peças, como os meias Goiano e Beto, o zagueiro Picoli. Após o treino de sexta-feira, o CRB é uma incógnita por causa do mistério promovido pelo técnico. As principais dúvidas de Celso Teixeira estão no meio-campo, entre William, Saulo, Bebeto e Edson Baiano. Certa mesmo só a ausência de Rodrigo Santos. O zagueiro Everton também é dúvida. O zagueiro Silvio, do CSA, de acordo com o site www.malandrinho.com.br, fez um desafio interessante ao seu ex-companheiro de equipe, Gino, hoje no Galo: quem perder o jogo paga o jantar. Providências Este Clássico das Multidões vem sendo tratado com uma preparação de megaevento, desde o início da semana, começando pela segurança. Foram designados 600 homens da PM para fazer a segurança dentro e fora do estádio. Os portões serão abertos ao meio-dia, com a chegada dos policiais. A preliminar será às 14h30. Haverá uma homenagem aos torcedores símbolos dos clubes: José Emílio (CSA) e dona Enaura (CRB). Aos atletas serão entregues camisas para distribuição com a torcida. Será disponibilizado um maior número de ônibus para os torcedores. Já a Avenida Siqueira Campos será interditada ao meio-dia, desde a Praça da Faculdade. E o trem da galera também está confirmado. WS/FM ### Primeiro clássico data de 7 de setembro de 1916, quando o CSA ainda era Centro Sportivo José Floriano Peixoto ABIDES DE OLIVEIRA Editor de Esportes CSA e CRB jogaram 468 vezes. O primeiro duelo entre os clubes ocorreu em 7 de setembro de 1916, quando o CSA ainda era chamado de Centro Sportivo José Floriano Peixoto. Mas segundo pesquisa do Museu dos Esportes, os registros passaram a ser mais constantes e precisos a partir de 1927, por isso o primeiro clássico não entrou na contagem. O CRB tem larga vantagem no duelo, com 169 vitórias, contra 147 do CSA. O confronto terminou empatado em 152 oportunidades. Foram marcados 1.175 gols, 601 pelos azulinos e 574 em favor do Galo. Na praça O clássico de 7 de setembro de 1916 está registrado no livro A margem do futebol, de 1943, de autoria de Renato Sampaio. A partida foi realizada na Praça Jonas Montenegro, no bairro do Farol. Os azulinos venceram por 1 a 0, com gol de Arestides, o Grilo. Pela pesquisa do Museu dos Esportes, o primeiro clássico oficial ocorreu no dia 4 de setembro de 1927, no campo da Pajuçara, com vitória Alvirrubra por 2 a 0 (gols de Marãozinho e Sergipe). O CSA venceu pela primeira vez um ano depois, no dia 29 de setembro de 1928, em partida válida pelo 1º turno do Campeonato Alagoano. Jogando em casa, no campo do Mutange, o time venceu em duelo equilibrado, por 2 a 1. Doca e Loureiro marcaram para os azulinos e Moacir fez pelo rival. O primeiro empate no clássico das multidões demorou para ocorrer. Quase nove anos depois, no dia 16 de julho de 1937, as duas equipes ficaram no 1 a 1, no campo da Pajuçara. A partida era válida pelo 1º turno do Alagoano. Gouveia fez pelo CRB e Anízio pelo CSA. Mas o primeiro empate acabou em penalidade para os azulinos, que perderam o ponto ganho porque o jogador Orlando Gomes de Barros estava irregular. No Estádio Rei Pelé, o primeiro clássico foi no dia 14 de novembro de 1970. Um amistoso vencido pelo time do Mutange, por 2 a 1. Recordes O ex-árbitro Sebastião Canuto e o ex-jogador Silva, do CRB, são os recordistas no clássico das multidões. Canuto apitou o confronto 36 vezes. Já o ex-ponta-esquerda marcou 38 gols, entre os anos de 1967 e 1979, dez deles na temporada de 1969. (Ver matéria abaixo) O maior público foi registrado no jogo de 20 de setembro de 1974, no Estádio Rei Pelé, com 28.742 pagantes. Vitória azulina por 1 a 0. O ano com o maior número de clássicos é 1997. Os dois clubes se enfrentaram 19 vezes, um jogo amistoso, outro pela Copa Bastinhos e 17 no Alagoano. O CSA venceu oito, o CRB sete e quatro partidas terminaram empatadas. Neste ano, o clássico chegou a ocorrer oito vezes em 26 dias, um recorde. O primeiro em 16 de novembro - pela decisão da 1ª fase do 2º turno - e o último no dia 10 de dezembro - pela final do Alagoano. O CSA sagrou-se campeão. Goleadas A maior goleada foi aplicada pelo CRB, 6x0. Mas a primeira delas é do CSA. Em um amistoso no Mutange, no dia 6 de março de 1932, os azulinos golearam por 6 a 1 os Alvirrubros. Mariz (4), Anízio e Egar marcaram para o time da casa. Fonseca fez o de honra do Galo. O troco regatiano só aconteceu sete anos depois, no dia 1º de outubro de 1939, no Estádio Severiano Gomes Filho. Em partida válida pelo 2º turno do Alagoano, o Galo ganhou por 6 a 0 (Arlindo (2), Regis (2) e Duda (2). O CRB venceu no Mutange pela primeira vez no dia 4 de outubro de 1938, 1 a 0, com gol de Gaspar, no 2º turno do Estadual. Na Pajuçara, O CSA ganhou pela primeira vez no dia 12 de novembro de 1940, 3 a 2 (Toscano (2) e Murilo pelos azulinos e Regis e Joãozinho contra, pelo Galo). Tapetão O Alagoano de 1971 foi marcado por uma grande confusão envolvendo CSA e CRB. A competição que começou naquele ano foi parar no tapetão e só terminou em 1973, quando ambos voltaram a campo, em março. Mas antes tiveram que fazer um acordo, pois segundo o regulamento, os times teriam de ter os mesmos jogadores do Alagoano de 1971. O que era impossível. ### Silva Cão pintou o diabo no clássico Ele é simplesmente um capítulo à parte nessa história entre CSA e CRB. Seu nome é Silva, 57, ex-ponta-esquerda do Galo, apelidado de Silva Cão. Pois é, Silva faz jus ao apelido porque pintou o diabo vestindo tanto as camisas do CRB, time no qual começou e no qual passou a imensa maioria dos anos, como no CSA, por dois anos (1980/1981). Ele é o maior artilheiro da história do confronto com 38 gols, entre os anos de 1967 e 1979, o que significa dizer que o ponta deitou e rolou em cima dos azulinos, uma vez que esse foi o período que o invocado Silva jogou pelo Galo. Sobre os gols ou os momentos inesquecíveis na história de CSA e CRB de que participou, ao posar para a foto e afagar carinhosamente a antiga companheira, no hoje reformado estádio da Pajuçara, ele revela: Um gol que fiz em 1976, quando peguei uma bola em diagonal e chutei de três dedos, encobrindo o goleiro do CSA Paulo Sérgio. Foi maravilhoso, porque foi também o gol da vitória por 2x1. Futebol romântico Silva, ao lembrar esse fato, fala do lado romântico do futebol, muito comum naquela época: A torcida do CRB fez um tremendo desfile no Rei Pelé e depois partiu para as ruas e não se ouviu falar de nenhuma briga, porque a torcida do CSA respeitava. Era o tempo em que só se faziam gozações sadias, relembra o craque, ao apelar para a paz nos estádios. Silva relata ainda outro momento inesquecível contra o rival e de qual jamais esqueceu: A conquista do tetracampeonato em 1979 pelo CRB em cima do CSA por 3x1 foi sensacional e melhor ainda porque o último gol foi meu, completa. O marcador impecável Questionado qual seu melhor marcador nos clássicos, ele atesta: O Espinosa, hoje técnico do Flamengo, e o Mendes, ambos ex-CSA, foram os melhores. Os caras eram muito bons, reconhece o ex-ponta. O atleta foi protagonista, em 1979, de um lance inesquecível com o então lateral azulino Geraldo Cassetete. Silva driblou o marcador e na seqüência foi agredido com um murro e teve o braço fraturado pelo rival. Resultado: enfaixou o braço ali mesmo e continuou no jogo até o final. |WS e FM ### Seis atletas já disputaram um CSA x CRB Dos 22 jogadores que vão protagonizar o grande espetáculo de hoje à tarde, no Estádio Rei Pelé, seis já disputaram um clássico entre CSA e CRB: Alexsandro, Edmilson (atletas do CSA), Cristiano, Toninho, Edson Baiano e Saulo (do CRB). Mas nem todos eles suaram a camisa defendendo as cores do clube que hoje defendem. O atacante Cristiano era jogador do CSA e enfrentou o rival que hoje é o seu clube. O mesmo aconteceu com o atacante Toninho e com o volante Edson Baiano. Eles jogaram, sim, um clássico, mas enfrentando o Galo da Pajuçara. O único desse grupo de regatianos que jogou a mais famosa partida do futebol de Alagoas pelo CRB foi o meia-atacante Saulo. O atacante Cristiano lembra que foi em 2001 que disputou, em pleno Estádio Rei Pelé, um CSA x CRB. Eu lembro que eu era jogador do CSA e formava dupla de ataque com o Alexsandro. Foi na Copa do Nordeste daquele ano. Jogamos e vencemos o CRB, por 2x0. Os dois gols foram assinalados por mim, recorda. Esquecer Alexsandro, 25, também lembra desse confronto. Mas lembra de outro que ele gostaria de esquecer e que nunca tivesse sido realizado: Além do jogo pela Copa do Nordeste, em 2001, eu disputei aquele em que o CSA foi rebaixado para a Segunda Divisão do Alagoano, em 2003. Gostaria que ele nunca tivesse existido, observa o jogador, que surgiu nas categorias de base do CSA. O meia azulino Edmilson, 23, também egresso das divisões de base do CSA, já participou de alguns clássicos, inclusive daquele do rebaixamento. É uma página triste na história do CSA, que eu quero esquecer, declara. Sobre o confronto de hoje, Alexsandro e Edmilson fazem um chamamento à torcida azulina, a comparecer em peso ao Rei Pelé. Precisamos do apoio da torcida. Há quase três anos esse jogo não é realizado e temos de dar o máximo de nós para vencer hoje. Temos de ir para cima deles [CRB], declara Edmilson. Sabemos que é um clássico e em um clássico a gente pode esperar de tudo. Um lance poderá definir a partida. Mas esperamos poder desenvolver o máximo que temos feito até agora, em busca dos três pontos, emenda o companheiro de clube Alexsandro. Lotado Quem vai vencer, hoje, nenhum deles pode afirmar, mas de uma coisa todos regatianos e azulinos têm certeza: o Rei Pelé estará lotado, vestido de azul-e-branco e de vermelho-e-branco. Contamos com o apoio da nossa torcida para apoiar o CRB, disse Edson Baiano. |WS e FM ### Torcidas unidas na ânsia e gozações Para o clássico de hoje, ele, em verdade, é a razão do Clássico das Multidões: o torcedor. Figuras que vão do mais simples funcionário de um clube ao mais graduado, que só se diferenciam e se separam na condição social. Mas na hora da emoção, tudo é igual, o coração pulsa na mesma tensão, no mesmo grito de gol. É o que pensa, por exemplo, a funcionária do Galo, há 22 anos, Margarete Cavalcante, ao comentar a volta do velho clássico, ao lado do roupeiro do clube, Claudinho Vieira. Estou empolgada e, ao mesmo tempo, ansiosa para rever o clássico e ver o CRB, é claro, vencer, confessa, ao completar: Tenho receio porque vai tanta gente ao estádio que é bem capaz de eu nem poder entrar, como aconteceu comigo há mais de 20 anos, relembra Margarete. Sou torcedor do CRB e freqüento esse clássico desde quando era realizado na Pajuçara e no Mutange, antes de o Rei Pelé ser inaugurado, diz o pedreiro José Costa, encostado ao alambrado da Pajuçara, para ver mais um treino de seu Galo. E ele não perde a chance para tirar uma casquinha e provocar o rival. Eles [CSA] estão voltando hoje e vão ser batizados com uma lapada, brinca o provocador José Costa. Clássico é decidido em detalhes, e CSA x CRB não é diferente, opina Erasmo Lima, assíduo espectador dos treinos do CRB na Pajuçara. Desde criança freqüenta o reduto alvirrubro. Erasmo, assim como José Costa, lembra do último clássico a que assistiu na Pajuçara. O último na ?Paju? foi 5x2, para nós, em 1993. Azulinos respondem A volta dos clássicos é a ressurreição da verdadeira partida de futebol. Sem os clássicos o futebol não tem graça. Os outros jogos são apenas o aperitivo. Os rasgados elogios aos confrontos entre os dois maiores clubes de Alagoas são do torcedor do CSA, MacDowell Lins Costa, 60, que desde garoto acompanha o Azulão do Mutange. Sou torcedor inveterado do CSA e estava morrendo de saudade dos clássicos. Desde menino acompanho o clube e vinha ao Mutange de bonde, revela, de olhos atentos ao treino que os atletas azulinos faziam, na quinta-feira, no Mutange. Ele crê numa vitória azulina, hoje. Será 1x0 para o CSA. Não quero ser muito otimista, pois em clássico tudo pode acontecer, mas acho que o time tem força para ganhar. O gol será de Leomar, opina. O também torcedor azulino Galdino Filho acredita que o público de hoje, no Rei Pelé, poderá ser histórico. Será o maior de todo o campeonato, pois já faz quase três anos que o clássico não é realizado, e as duas torcidas estão ansiosas para assistir ao confronto, opina e arrisca um placar: Vai ser 2x0 para o CSA, gols de Alexsandro e Goiano. Wamberto Cavalcante também espera uma vitória azul e branca, mas diz que não será fácil. Como o CSA está numa boa fase, vencerá: 2x0, gols de Leomar. WS/FM ### A primeira vez a gente nunca esquece O azulino Saulo Fiúza e o regatiano Rafael Tenório, apesar de torcerem por clubes diferentes, têm algo em comum: 14 anos de vida e o fato de terem assistido a um clássico entre CSA e CRB quando ainda eram garotinhos. Por isso, o jogo de hoje tem um sabor especial na vida de ambos. Ou seja, será praticamente o primeiro e, como dizia aquele comercial na TV, O primeiro a gente nunca esquece. E isso é o que eles pretendem: não esquecer o confronto de hoje, sobretudo se o respectivo clube do coração sair vitorioso do Trapichão. Praticamente esse será meu primeiro clássico, pois quando eu fui pela 1ª vez com meu pai, tinha apenas quatro anos. O último que vi foi quando eu tinha nove anos, era criança e não me lembro de nada, nem dos jogadores da época. Eu não era muito ligado em futebol, revela Saulo. Já Rafael conta que seu primeiro clássico foi em 2002, quando o CRB venceu o CSA (2x0) e foi campeão alagoano. Foi o primeiro clássico e o primeiro jogo ao qual assisti no Rei Pelé. Também foi o último. Mas não me lembro dos detalhes, pois tinha apenas dez anos, afirma Rafael. Sobre o confronto de hoje, eles dizem que estão confiantes. Será um bom jogo, e o CSA vai vencer por 2x1, gols de Ribamar e Alexsandro. Acredito que o CSA não decepcionará, diz Saulo. Para mim, será um jogo difícil, por causa da fase que o CRB está vivendo. Estou apreensivo, mas creio que venceremos. Será 2x1 para o Galo, prevê Rafael, mas sem arriscar de quem serão os gols. Do Dino é que não serão. Ele é muito ruim, critica. Sobre o aspecto violência, eles estão preocupados: Tomara que seja um jogo de paz, que não haja confusão entre os torcedores, declara Saulo, acrescentando que se for ao jogo com o pai, ficará nas cadeiras, e se for com os primos, ficará nas arquibancadas. Minha mãe deixou eu ir, mas se ela mudar de idéia, vou de qualquer jeito, nem que eu tenha que sair pela janela, avisa. Eu também vou ficar nas cadeiras com o meu pai, mas não vou com a camisa do CRB e sairei minutos antes de o jogo acabar, diz Rafael. A mãe dele, dona Francisca Maria, azulina, deixou-o ir ao estádio. |WS e FM ### Mancha e Comando dizem que clássico perderá brilho Uma tinha 13 anos de fundação e a outra, 12 anos. Mas nesses longos anos de existência e em que foram realizados inúmeros clássicos, o deste domingo será o primeiro sem as presenças das duas maiores torcidas organizadas de CSA e CRB, Mancha Azul e Comando Vermelho, respectivamente. Isso porque, por força de uma decisão judicial, ambas estão com as atividades suspensas e proibidas de comparecerem aos estádios de futebol. Quaisquer torcedores que forem ao estádio usando algum tipo de material alusivo às duas facções (camisa, boné, agasalho, touca, bermuda, bandeiras, faixas) serão impedidos de entrar, a não ser que retire o material. Sem as organizadas o clássico perderá o brilho. Não vai ter bandeiras, bandeirão, faixas. Ficará sem graça, afirma o então presidente da Mancha Azul, Marcelo Rocha, revelando que nem fogos de artifício serão levados pelos azulinos. A gente está passando por dificuldades financeiras, pois com a nossa sede fechada, há três meses, não vendemos o nosso material e não temos recursos, lamenta. Na Comando Vermelho, a lamentação é a mesma. De certo modo, a proibição das facções vai tirar o brilho do espetáculo, mas nós, que fazíamos parte da CV, formamos um grupo de 30 pessoas e vamos lá torcer, fazer a nossa festa, com faixas e camisas com a frase ?CRB até a morte?. Levaremos bolas e apitos, afirmou o ex-presidente da CV, João Correia, o João Gordo. Segundo ele, a Justiça se precipitou quando decidiu pela extinção das organizadas. Eles resolveram acabar com as torcidas porque era mais fácil, para tirar a batata quente das mãos, disse. O mesmo pensamento tem Marcelo. Quantos clássicos já foram realizados e em nem todos aconteceu essa guerra que estão falando. Naquele jogo de masters [CSAxCRB], teve violência porque não tinham policiais fora do estádio. Já hoje, creio que será tranqüilo, pois haverá segurança. Não é necessário alarme. Não será uma guerra, emenda. Ele lembra que quando o coronel Ronaldo dos Santos era o comandante do Policiamento da Capital (CPC) havia um esquema de segurança para os clássicos, nos moldes do que será feito hoje. O coronel Ronaldo já sabia como fazer, como agir, e o mesmo esquema foi seguido pelo coronel Coutinho, quando ele assumiu o CPC. Depois deles e com o rebaixamento do CSA, o esquema foi esquecido, e a violência cresceu, destacou. As medidas de segurança que serão adotadas hoje, inclusive, foram sugeridas pela CV e pela Mancha, observa João Gordo. |WS e FM