Esportes
Sele��o Brasileira � o novo temor dos clubes
São Paulo - Ter jogadores convocados para a Seleção Brasileira sempre foi motivo de orgulho para os clubes. Quantos fossem lembrados, mais evidentes os sinais de que havia qualidade no elenco. O tempo passa, os conceitos mudam e hoje quando sai a lista para a ?amarelinha? treinadores, dirigentes e torcedores têm calafrios. Um craque - ou aspirante a astro - chamado representa desfalque e aumenta a perspectiva de queda de qualidade do time. A ?ameaça? vem de três frentes, nos próximos meses: na terça-feira, Carlos Alberto Parreira convoca 12 atletas para completar a lista para a disputa da Copa das Confederações, na França, no fim de junho. Na seqüência, Ricardo Gomes anunciará seus eleitos para formar a equipe olímpica que, em julho, participa da Copa Ouro, nos EUA e no México, em julho. Depois, será a vez de o técnico Valinhos reunir a meninada para o time Sub-20 que representará o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, marcados para agosto, em São Domingos. Especulações em torno de nomes ?selecionáveis? para as três categorias não faltam. Ao mesmo tempo, despontam reclamações, sugestões e opiniões de quem fareja dificuldades para tocar o dia-a-dia dos clubes, na rotina das duas séries do Campeonato Brasileiro. Candidatos em potencial a qualquer uma das listas não escondem saudável ansiedade; treinadores torcem o nariz, embora não queiram bater de frente. ?Até é ótimo ter jogadores na seleção, em qualquer categoria?, adianta-se Vanderlei Luxemburgo, que treina o Cruzeiro, finalista da Copa do Brasil e líder da Série A. ?Só que só podemos perder dois?, adverte. ?Mais do que isso, significa prejuízo para os clubes.? Raciocínio semelhante tem Muricy Ramalho, que dirige o renovado Inter e com candidatos a estrela em diversas faixas, de Cleiton Xavier e Daniel Carvalho a Diego e Nilmar. ?A convocação valoriza, mas eles fazem falta?, diz o treinador. Canto da sereia Luxemburgo e Muricy sabem como seus colegas Parreira, Ricardo Gomes e Valinhos terão de desdobrar-se, em contatos diplomáticos, para não prejudicar os times e para não serem engolidos por restrições. Eles têm consciência de que o trio não deve confiar integralmente em promessas de dirigentes da CBF. Dois anos atrás, Emerson Leão ouviu o canto da sereia - no caso, a palavra de Ricardo Teixeira -, acreditou que os resultados na Copa das Confederações não influiria em seu futuro na seleção e voltou da Ásia demitido. Por isso, Ricardo Gomes e Valinhos assumem discurso mais atrevido. O primeiro está de olho em jogadores do Santos, como Diego e Robinho - óbvios -, além de Nenê, Alex, Paulo Almeida, e manda recado claro. ?Para treinar e jogar em minha equipe, os convocados devem ficar fora de seis a nove rodadas do Brasileiro?, avisa o treinador. ?Chamarei quem for necessário?, reforça Valinhos, que pode tirar Alceu, Vagner, Diego Souza, Edmílson, revelações do remontado time do Palmeiras. ?Não quero nem pensar em perder muitos jogadores?, revela Fernando Gonçalves, diretor de futebol do Palmeiras. ?Isso desmontaria a equipe?. A perspectiva de ceder titulares preocupa, mas também anima dirigentes de Santos e São Paulo. Francisco Lopes, diretor de futebol do campeão brasileiro e semifinalista da Libertadores, só pede ?bom senso?, assim como o presidente são-paulino, Marcelo Portugal Gouvêa. No Corinthians, quem tem mais expectativa são os jogadores que atuaram com Parreira. ?Ele já trabalhou aqui e conhece nosso grupo?, diz o zagueiro Fábio Luciano, com a esperança de que poderá disputar a Copa das Confederações, mesmo com o Brasileiro rolando. Kléber, Gil e Liedson são outros corintianos que também aguardam o chamado.