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Nº 5718
Esportes

Agress�es e abuso de poder da Pol�cia Militar

FERNANDA MEDEIROS Atos de selvageria praticados por policiais militares contra um torcedor foram presenciados por cerca de seis mil pessoas que estavam no Estádio Rei Pelé, domingo, no jogo CSA x Botafogo/PB, fato que deixou torcedores, jogadores, dirige

Por | Edição do dia 19/03/2002 - Matéria atualizada em 19/03/2002 às 00h00

FERNANDA MEDEIROS Atos de selvageria praticados por policiais militares contra um torcedor foram presenciados por cerca de seis mil pessoas que estavam no Estádio Rei Pelé, domingo, no jogo CSA x Botafogo/PB, fato que deixou torcedores, jogadores, dirigentes e a imprensa em geral revoltados com tanto abuso de poder. Ao término da partida, em meio à festa pela vitória dos azulinos, por 3x0, um componente da Torcida Mancha Azul, conhecido por Kiko, entrou em campo, para retirar as faixas da torcida e comemorar com jogadores do CSA, e foi brutalmente agredido por um policial que “voou” sobre ele levando-o ao chão. “A partir daí, a violência tomou conta do espetáculo, quando cerca de 20 homens da PM passaram a agredir o torcedor, com chutes e pontapés. Isso com o rapaz já no chão”, declarou o repórter da Rádio Milênio, Carlos Miranda, que chegou perto da confusão e também foi agredido por um policial. “Quando cheguei e tentei acalmar os ânimos, um policial me deu um empurrão. Jogadores do CSA também foram agredidos com palavras”, disse. Não só Carlos Miranda, mas o repórter André Braga, da RÁDIO GAZETA, também foi agredido pelos policiais, com empurrões. “Segurei na mão do torcedor e disse que ele iria sair de campo comigo, mas os PMs o puxaram e o levaram, dando-me um empurrão”, afirmou o radialista. Ele acrescentou que ainda no primeiro tempo de jogo, um torcedor que estava na geral tentou pular para o gramado e foi detido pela polícia com a mesma selvageria. “Ele já estava algemado e deitado no chão, quando um policial deu-lhe um chute no rosto”, ressaltou. Homens de preto Segundo o dirigente da Mancha Azul, Marcelo Rocha, tudo aconteceu depois que o membro da facção organizada terminou de recolher as faixas da torcida e saiu em direção a alguns jogadores do CSA, para cumprimentá-los. “Um policial vestido de preto (daqueles que fazem a segurança dos árbitros) partiu para cima dele e os outros chegaram e começaram a agredi-lo. Conversei com o major Vinícius, que estava no comando do policiamento no estádio, e ele disse que a PM segurou o torcedor porque pensou que ele iria agredir o árbitro. Isso foi apenas uma desculpa para tentar justificar a violência de seus comandados”, lamentou. Segundo ele, outro policial disse que pegaram o torcedor para ele não agredir os atletas azulinos. “Como poderia acontecer isso se o torcedor é azulino?”, questionou. Marcelo disse ainda que a PM prometeu soltar o torcedor ali mesmo, mas isso não aconteceu. “Eles o levaram para a cela do Rei Pelé e bateram nele, pois quando o libertaram, ele chegou até nós com as costas cheias de hematomas”, informou, acrescentando que também foi ameaçado. “Quando estava esperando a liberação do Kiko, o policial me chamou de agitador e disse que eu tomasse cuidado. Perguntei o que ele iria fazer comigo e ele respondeu que lá no estádio não faria nada, mas poderia me pegar lá fora”, denunciou.

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