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MORAIS: talento alagoano brilha no Vasco
Raimundo Nonato/Repórter Alagoas sempre revelou jogadores de muito talento, que ganharam destaque no futebol brasileiro. Tudo começou com Dida, grande ídolo do Flamengo, passando depois por Silva e Lourival (Vasco), Zé Preta (Vitória-BA), Peu (Flamengo), Paranhos (São Paulo), Flávio e Adriano (Atlético-PR), Cleiton Xavier, Geninho, Rubiano e Da Silva (Inter-RS). Com exceção de Lourival, criado no CRB, os demais foram descobertos no CSA. A fábrica de craques continua e o caso mais recente é o de Morais, 18 anos, (17/7/84), meio-campo do Vasco. É um jogador desconhecido da torcida alagoana e muita gente até não sabe se tratar de um alagoano que já brilha no futebol carioca. É que Morais tinha apenas 14 anos, quando se incorporou ao Vasco, descoberto que foi na Copa Gazetinha, em Vitória-ES, em 1997, jogando pelo CRB. Os olheiros do Vasco, Nelson Teixeira e o treinador Luiz Antônio, que acompanharam todos os jogos da competição viram naquele menino franzino, de 1,54m e apenas 46 kg, um grande talento, que burilado, trabalho com muito cuidado poderia se transformar num grande jogador. Em 1998, ele já estava integrado ao Vasco e os olheiros estavam certos, pois em apenas cinco anos, em São Januário, Morais provou que o investimento feito pelo clube carioca trouxe um retorno num espaço de tempo muito rápido. Morais passou por todas as divisões de base do Vasco e conquistou quatro títulos: campeão estadual mirim (97), infantil (98/99) e juvenil (2002). Teve uma passagem pela Seleção Brasileira Sub-17, em 2002, disputando uma competição na Costa Rica, o que ratifica o valor desse atleta. Agora, vem sendo aproveitado no time titular do Vasco. Já atuou em sete partidas, sendo seis delas pelo Campeonato Brasileiro, recebendo muitos elogios dos companheiros, da comissão técnica e dos profissionais da imprensa pelas boas atuações que fez. É, também, admirado pela torcida do Vasco, que vê em Morais um jogador de um grande futuro. - No começo tudo foi muito difícil. Saí de casa ainda criança, mas com apoio de minha família, o que foi muito importante e determinante. Não posso deixar de fazer referências também ao grande apoio que recebi de todos aqui no clube: técnicos, dirigentes, supervisor etc., mais de um em especial: Darci Peixoto, diretor das divisões de base do clube. Eu sempre sonhei em ser um grande jogador de futebol, e, agora, tudo só depende de mim. Sei do meu potencial, tenho personalidade e espero que tudo dê certo daqui pra frente, como sempre deu até agora - afirma. Morais, hoje, tem 1,70m de altura e pesa 63kg. É um meia ofensivo de baixa estatura, rápido, ágil, de muito talento, que faz parte de uma geração em quem o Vasco aposta todas as fichas. O zagueiro Wescley e o atacante Anderson são outros exemplos dessa política adotada pelo clube carioca. Como jogador do Vasco, não tem ainda as regalias das grandes estrelas, mas recebe tratamento especial desde que se apresentou em São Januário, em 1998, além de uma ajuda de custo. Mora na concentração do clube . - Questionam muito minha altura, mas não mostro preocupação com isso. Tamanho não é documento. Veja os exemplos de Zico, Maradona, num passado bem recente, e de Marcelinho, Diego e Robinho, atualmente. São baixos e franzinos, mas são craques? ? acrescenta. Morais acredita na recuperação do time vascaíno, que até a semana passada estava mal na tabela. Com a volta de Edmundo e com as novas contratações feitas, o time deverá crescer, pois tem um poder de reação muito forte e a meta é ficar entre os oito melhores para assegurar participação no quadrangular - diz. Hoje, vive apenas para o futebol, tendo deixado os estudos de lado, após concluir o segundo grau, no colégio Pio-Americano. Apesar de viver numa cidade que é considerada maravilhosa, Morais garante que sabe se comportar e diz ser muito sossegado. - Faço meus passeios, vou a cinemas e a shoppings, como qualquer pessoa da minha idade, mas nada de me envolver com as tentações da cidade grande -, finaliza. Há sete meses, sem ver familiares e amigos, Morais espera por uma oportunidade ? acredita que só nas férias ? para matar as saudades. Te tudo e de todos. É o caçula do casal Manoel Amorim Filho/Maria Aparecida de Morais Amorim, que tem mais dois filhos: Eduardo de Morais Amorim (23) e Ana Luísa de Morais Amorim (20), ambos universitários do curso de Direito da Ufal. São os seus maiores fãs. Não houve reação contrária da família a sua ida para o Rio de Janeiro com apenas 14 anos de idade. Estava determinado e sentiu que era a grande chance na sua vida. Ele sempre foi perseverante e sonhava em ser um grande jogador de futebol. Mas não foi fácil, pois ia viver em um meio ambiente totalmente, diferente. Sentimos falta e muitas saudades dele, mas o importante é que ele está bem e muito feliz no Vasco. E a felicidade dele significa também a nossa felicidade? ? dizem os pais e irmãos. Essa é a trajetória meteórica de Morais, meia-avançado do Vasco, descoberto jogando pelo CRB na Copa Gazetinha, em Vitória/ES, mas que antes passou pelo Dalmo Peixoto e Agrimaq, no Campeonato Infantil do Sesi. Um jovem que tem muitos ídolos no futebol, e hoje, joga ao lado de alguns deles.