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Gr�mio e Flamengo fazem cl�ssico da crise
Rio de Janeiro - Os dólares choviam, os reforços nada modestos chegavam. Petkovic, Gamarra, Edílson, Denílson, nomes que simbolizaram uma era de fartura na Gávea. Pouco mais de dois anos após a falência da ISL, os tempos são outros. Grêmio e Flamengo, dois ex-parceiros dos suíços, se enfrentam, neste domingo, no Olímpico, vivendo dias de crise e com as feridas de um passado recente ainda abertas. O Flamengo assinou com a ISL, no dia 17 de dezembro de 1999. Na ocasião, adquiriu o direito de receber US$ 80 milhões a título de investimentos, tendo como prioridade a quitação de todas as dívidas, então calculadas em pouco mais de R$ 80 milhões. Além disto, a ISL garantia uma ?mesada? que equivalia, em média, a R$ 5 milhões, para suas despesas operacionais. Hoje, no entanto, o futebol do clube ainda convive com salários atrasados, o clube faz uma ginástica orçamentária para cortar gastos, acumula déficits e a dívida chegou a R$ 210 milhões. Em março, o Flamengo sonhava com uma parcela do contrato com a Nike, que previa o pagamento de R$ 3 milhões ao clube. Mas o dinheiro foi usado para quitar uma dívida pela contratação de Edílson, feita em 2000. Reflexo da herança que a ISL deixou na Gávea. O Grêmio também foi abastecido pelos dólares da ISL. Mas hoje, a dívida do clube gaúcho gira em torno de R$ 100 milhões, segundo o próprio vice-presidente de finanças, Jaime de Marco. Desse total, cerca de R$ 45 milhões se incluem no Refis, dívida com pagamento de longo prazo. O restante, o clube precisa se virar para pagar: é dívida com fornecedores e profissionais. Pelo contrato, a ISL aportaria capital por 15 anos. Na realidade, fez o pagamento de janeiro a outubro de 2000. Segundo Jayme, hoje, 80% do faturamento do clube ? quase R$ 400 mil mensais ? vêm de contratos com a TV. O dirigente lembra que em meados do ano passado o Grêmio precisou se desfazer de vários jogadores que havia contratado com base na associação com a ISL, como Mauro Galvão, Zinho, Fábio Baiano e Rodrigo Mendes. Para honrar os acordos, a direção atual recorreu a bancos. Demais jogos: Fluminense x Bahia, Guarani x Goiás, Atlético-PR x Corinthians, Juventude x Internacional, Fortaleza x Criciúma, Vitória x Ponte Preta e Santos x Coritiba.