Esportes
Atletismo brasileiro fica sem sua maior estrela nos jogos
São Paulo - O atletismo brasileiro estará em Santo Domingo sem sua maior estrela. Maurren Higa Maggi, flagrada no exame antidoping do Troféu Brasil, em 14 de junho, foi suspensa, ontem, de forma provisória pela IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo), e não poderá participar dos Jogos Pan-Americanos. A atleta testou positivo para clostebol, um esteróide anabólico proibido pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). Na defesa que apresentou à IAAF, Maurren alegou que usou uma pomada cicatrizante em uma sessão de depilação. O creme continha a tal substância proibida. A entidade internacional de atletismo, entretanto, não aceitou as justificativas da brasileira e anunciou a suspensão, ontem, pela manhã. Antes mesmo de saber a decisão da IAAF, a atleta já tinha descartado ir para o Pan. ?Já tinha decidido. Não estava em condições. Estou completamente abalada, fui pega de surpresa. Tentei ir para a pista para continuar treinando, mas foi difícil?, disse ela, que chorou no fim da entrevista coletiva concedida em São Paulo. Maurren agora fará uma contraprova e será julgada pela CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo). Sendo absolvida, posteriormente, terá que ter o mesmo sucesso na Corte de Arbitragem Desportiva do COI para ter sua suspensão interrompida. Caso contrário, terá que cumprir a pena de dois anos. ?Já tive várias contusões, como na Olimpíada [de Sydney-2000], mas este é o momento mais difícil da minha carreira. Mas sempre me recupero bem e vou me recuperar disso também?, afirmou a atleta, que era a maior esperança de medalhas para o atletismo brasileiro no Pan. Confira na íntegra o comunicado divulgado pela CBAT sobre a decisão da IAAF: ?A Confederação Brasileira de Atletismo - CBAT lamenta informar que a Associação Internacional das Federações de Atletismo - IAAF comunicou, no dia de ontem, que não foram aceitas as justificativas apresentadas pela atleta MAURREN HIGA MAGGI (Registro 6774) sobre a presença da substância proibida - Clostebol - , identificada pelo Laboratório credenciado pelo COI/IAAF, no Rio de Janeiro, na sua amostra de urina ?A?, coletada no dia 14 de junho de 2003, por ocasião do Troféu Brasil de Atletismo. Em conformidade com as regras internacionais, a CBAT foi comunicada pela IAAF do resultado adverso, em 21 de julho de 2003, solicitando à atleta, no mesmo dia, a apresentação de suas justificativas, que foram recebidas e enviadas à IAAF, em 28 de julho de 2003. Como a IAAF não aceitou as explicações, a atleta está provisoriamente suspensa de competições de Atletismo, a contar de 1º de agosto de 2003. O exame da amostra ?B? de sua urina, pelo Laboratório do Rio de Janeiro, será realizado em data a ser marcada, em comum acordo com a atleta.? Brasil pode abocanhar já hoje três medalhas no Pan São Paulo ? O Pan-Americano de Santo Domingo começou oficialmente, ontem, com a festa de abertura, e já neste sábado, dez esportes do Brasil farão suas estréias. O País já poderá embolsar medalhas em três - na esgrima, no tiro e na ginástica artística. O clima de descontração dos atletas brasileiros começa a dar lugar a uma atmosfera mais tensa. ?O friozinho na barriga está subindo, mas é gostoso. Isso, só vai diminuir, conforme, forem acontecendo os jogos?, contou Flavinha, atacante da seleção de pólo aquático. Para Andréa Barbieri, que já luta por uma medalha hoje, na competição da carabina de ar, ?vai ter uma tensão maior quando a competição começar, a adrenalina fica a mil?. Apesar de ainda estarem sob o impacto da suspensão da saltadora Maurren Higa Maggi por doping, os 478 atletas pretendem dar hoje o primeiro passo para conquistar a meta do Comitê Olímpico Brasileiro: a melhor campanha da história. No Pan de Winnipeg-1999, com 436 atletas, o País conquistou 101 medalhas, sendo 25 de ouro, 32 de prata e 44 de bronze, a melhor marca em competições pan-americanas. As 25 medalhas de ouro superaram as 21 obtidas no Pan de Havana-1991. Em compensação, na Olimpíada de Sydney-2000, o Brasil voltou para casa com magras 6 pratas e 6 bronze. O estádio de futebol, San Cristóbal, e o local do tiro também passaram pelos retoques finais em plena semana de treinamento das equipes. ?O estande não estava pronto, só conseguimos treinar na quinta-feira, e ontem, de forma oficial. Isso, dificultou um pouco, porque ficamos muito tempo sem treinar depois de um ritmo muito bom no Brasil?, comentou Nathália Vasconcellos, atleta de carabina de ar. Mesmo assim, os atletas destacam que a Vila Pan-Americana superou a expectativa deles e todos elogiam a comida. Esportes coletivos são favoritos à conquista de medalhas de ouro São Paulo - Entre os esportes coletivos, o vôlei masculino, campeão mundial e da Liga, deve faturar o primeiro lugar sem muitas dificuldades, assim, como o futebol e o handebol masculino. O vôlei de praia feminino e masculino também estão entre os favoritos. No individual, as ginastas Daniele Hypólito e Daiane dos Santos têm boas chances. Claudinei Quirino, astro dos 100 e 200 metros rasos, 4x100 e 4x400 metros, pode sair com quatro medalhas. A revelação Bruno Pacheco, 20, responsável por ter quebrado em 2002 o recorde sul-americano juvenil dos 200 metros rasos, que pertencia a Róbson Caetano desde 1983, é uma das grandes apostas da delegação. O atletismo, aliás, é a modalidade que mais rendeu pódios ao Brasil: 97 (32 ouro, 29 prata e 36 bronze). Espera-se, também, uma coleção de medalhas de ouro dos 14 representantes do judô, dos 32 da natação e dos seis da vela. É tão importante quanto conquistar medalhas e ultrapassar marcas será conseguir a classificação, em algumas modalidades, para os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. As provas no Pan de boxe, handebol, hipismo, pentatlo moderno, pólo aquático, tiro esportivo e triatlon servem como eliminatórias para a Olimpíada. Apesar de pouco difundidas, algumas modalidades que não despertam muito interesse no Brasil são verdadeiros mananciais de medalhas. Dos esportes que não integram o projeto olímpico, o mais premiado do Brasil é o caratê. Foram 13 pódios em Pans. Em Winnipeg, há quatro anos, o país levou oito insígnias. Outro esporte desconhecido que não vai à Olimpíada e já conseguiu alguma premiação é o squash. Os praticantes conquistaram sete medalhas no principal torneio das Américas duas delas na última edição. No grupo das categorias olímpicas pouco praticadas que recebem recursos da Lei Piva, a mais laureada é a esgrima. Integrante do programa do Pan desde a primeira edição, em 1951, também rendeu sete minguadas insígnias a última delas em 1975. A luta vive situação semelhante. Em Indianápolis-1987, Roberto Leitão ganhou um bronze na categoria até 90 kg. De lá para cá, nenhum outro atleta chegou a um posto entre os três primeiros em Pans. Boliche (que não faz parte do programa olímpico), badminton e beisebol (ambas olímpicas) nunca angariaram medalhas para o País.