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Governo Renan Filho abandona Memorial e a história de Marta

Visitantes do Estádio Rei Pelé estão há mais de 3 meses sem poder entrar no museu dedicado à atleta

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Quadro de Marta com os troféus de melhor do mundo da Fifa encostado na parede exemplifica descaso com a história
Quadro de Marta com os troféus de melhor do mundo da Fifa encostado na parede exemplifica descaso com a história -

A história ao léu. Uma reportagem da Folha de São Paulo escancarou para o Brasil, essa semana, o descaso do Governo de Alagoas com o Memorial Rainha Marta. O espaço dedicado à alagoana está fechado há três meses impedindo que a história da maior jogadora de futebol de todos os tempos seja conhecida pelos visitantes do Estádio Rei Pelé.

A problemática, porém, fica por conta das investidas públicas e de marketing do governador Renan Filho, que utiliza a figura da "Rainha" para autopromoção em publicações nas redes sociais.

Em seu discurso de posse após reeleição em janeiro de 2019, o chefe do executivo estadual enfatizou que Marta "é­­ a maior alagoana viva". Prosseguiu dizendo que, se o Estádio Rei Pelé tivesse sido construído durante sua administração, o espaço levaria o nome da Rainha.

Às pressas, o museu foi inaugurado em 23 de dezembro de 2014, durante governo de Teotônio Vilela Filho, e um dia depois foi fechado para novos reparos estruturais. Já com Renan Filho no comando, o local ficou fechado durante um ano e meio, sendo reativado em junho de 2016. À época, durante a reabertura, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (Selaj) explicou o porquê da atitude e do longevo tempo de obras.

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"O memorial foi uma das intervenções que aconteceram no Estádio Rei Pelé. Teve a inauguração, mas não teve estrutura para disponibilizar esse espaço para a sociedade. Achamos que seria importante, mesmo que não estivesse 100% concluída, mostrar que a visitação já está disponível, porque já havia um tempo longo que estava parado", disse a secretária da Selaj, Cláudia Petuba, à época.

Outra reportagem, agora produzida pelo Globoesporte.com, em julho de 2019, denunciou que o espaço estava fechado e não expusera os itens esperados para um museu do tamanho da história de Marta. Além disso, apontava que o local estava fechado às 16h05 – dentro do horário de funcionamento – e com mato perto da parede na qual ilustrava a trajetória da jogadora desde sua infância difícil na cidade de Dois Riachos, interior de Alagoas.

Em resposta, à época, a Selaj informou que "o Memorial Rainha Marta passará por melhorias estruturais e tecnológicas com o objetivo de destacar as conquistas da jogadora Marta, atendendo assim turistas, torcedores e a população alagoana em geral". Nisso, novamente, o espaço foi interditado para reparos que permanecem pendentes até hoje.

A Gazeta de Alagoas visitou as obras do museu às 16h09 da segunda-feira (6) e não encontrou homens trabalhando, apenas uma escada de metal. Em nota enviada à redação, a Selaj informa que "o memorial tem passado por várias melhorias estruturais e modernização, o que tem demandado tempo para a execução de todo o cronograma e deixá-lo apto para receber visitantes". Ainda de acordo com a nota, "o espaço contará com acervo que demonstrará a trajetória da homenageada, com equipamentos que possibilitarão interação com o público".

No entanto, é a mesma promessa feita durante a reabertura em 2016."Vamos ter tablets aqui para que quando as pessoas entrem esteja tudo automatizado. Ela [voz da jogadora] vai dizer 'Bem-vindos ao Memorial Rainha Marta', vai ter audiodescrição e luzes acendendo nas prateleiras. Por enquanto, fizemos só alegoria", falou Cláudia Petuba.

Também em 2016, a secretária da Selaj na gestão de Renan Filho, garantiu que levaria entre dois e três meses para ter o acervo da carreira de Marta por completo em exposição. Sobre isto, segundo a Secretaria, a Rainha Marta não doou objetos para o acervo do memorial e os itens tiveram de ser adquiridos com recursos próprios da Selaj.

À Gazeta de Alagoas, a Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Estado pontuou que o memorial à maior desportista alagoana deverá ser reaberto ainda no primeiro semestre de 2020.

* Sob supervisão da editoria de Esportes.

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