Esportes
Brasil inicia hoje luta pelo hexacampeonato
Barranquilla (Colômbia) - A Seleção Brasileira de futebol inicia, neste domingo, às 18 horas (de Brasília), em Barranquilla, diante da Colômbia, sua caminhada rumo ao hexacampeonato mundial. Será a estréia do time de Carlos Alberto Parreira nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. No total, serão 18 rodadas e o Brasil vai lutar por uma vaga no Mundial, até o dia 12 de outubro de 2005. Parreira mantém como base o time que conquistou, com Luiz Felipe Scolari, o pentacampeonato na Ásia, ano passado. A defesa é praticamente a mesma. A única mudança é a presença de Dida com a camisa 1, substituindo Marcos, que fica no banco de reservas. Cafu, Roque Júnior, Lúcio e Roberto Carlos formam o quarteto defensivo. O meio-de-campo é o mais alterado. Gilberto Silva é o único que esteve no Japão e na Coréia. Emerson, que será o primeiro volante contra a Colômbia, se machucou pouco antes da estréia no Mundial e foi substituído na época por Ricardinho. Zé Roberto e Alex não estiveram na Copa. Ronaldinho Gaúcho, suspenso, deve atuar na segunda rodada. O ataque reúne os famosos Ronaldo e Rivaldo. Após o jogo deste domingo, a Seleção segue reunida para o jogo de quarta-feira, em Manaus, diante do Equador. Depois, as seleções sul-americanas só voltam a atuar pelas Eliminatórias, em novembro, quando o Brasil terá como adversários Peru (fora de casa) e o Uruguai (em casa). O meia Rivaldo ressalta que o entrosamento do grupo vai ser um ponto forte da equipe contra a Colômbia. ?O time que vai entrar em campo é basicamente o mesmo que conquistou o pentacampeonato. Isso é um fator que pesa positivamente para o nosso lado?, comentou Rivaldo. Já o meia Emerson, ao ser confirmado como titular, desabafou: ?Fico triste de ser reconhecido mais fora do meu País do que nele. Quando venho jogar na Seleção Brasileira fico com muito orgulho por vestir essa camisa. Em Roma eu não consigo caminhar porque as pessoas gostam de mim. No Brasil ninguém reconhece o esforço que fiz. Antes da lesão era o capitão do time que conquistou o pentacampeonato mundial. Mas graças a Deus sempre subi na vida graças ao meu próprio esforço e por isso essas críticas não me afetam?, desabafou Emerson. O Brasil, portanto, começa jogando esta tarde com Dida; Cafu, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Emerson, Zé Roberto e Alex; Rivaldo e Ronaldo. Zagallo é importante para motivação da equipe São Paulo - Mais que um ?guru?, como já foi chamado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, o coordenador Mário Jorge Lobo Zagallo agora também virou ?objeto de estudo? dos jogadores da Seleção Brasileira no programa de ?mobilização de grupo? montado pela comissão técnica em parceria com o engenheiro terapeuta Evandro Mota. Idealizado para ter efeito a longo prazo, a ?mobilização? teve seu pontapé inicial na noite de quinta-feira, quando Mota, 48, se reuniu pela primeira vez com os atletas. Apesar de ser formado em engenharia, desde 1980 Mota é ?consultor na área de melhoria de desempenho?, como ele mesmo define seu ofício. E Mota diz uma das razões de Zagallo se tornar um ?modelo a ser seguido? é a opção de Parreira em iniciar a disputa das eliminatórias com a base pentacampeã. Esses jogadores são predadores de títulos. Sempre querem mais um. E o Zagallo é o exemplo perfeito para todos eles?, disse Mota, que fez o mesmo trabalho nas Copas de 1994 e 1998, quando o Brasil foi treinado pelos atuais técnico e coordenador, respectivamente. Além dos quatro títulos em Copas, a ?frase quando ninguém quer aparecer, todos acabam parecendo?, dita por Zagallo durante sua última passagem pelo comando técnico da seleção (1994-1998) também pesou para que Mota mistificasse o Velho Lobo. Nos Mundiais anteriores, ele usou figuras como Ayrton Senna, Michael Jordan e o líder indiano Mahatma Gandhi como exemplos para os jogadores. O tema avesso ao estrelismo vem a calhar, já que uma das principais preocupações de Carlos Alberto Parreira é manter a motivação de um grupo cheio de atletas consagrados ao mesmo tempo em que procura evitar que qualquer tipo de estrelismo prejudique a equipe nas eliminatórias. ?O Parreira montou um vídeo sobre a história do futebol brasileiro, e eu faço o complemento. Queremos injetar entusiasmo, e não euforia?, explicou o colaborador sobre como foi o primeiro dia do programa. ?Os resultados serão sentidos no treino, podem esperar?, avisou Mota. Falta de gols atormenta e desafia a seleção São Paulo - Será o gol apenas um detalhe? Nas eliminatórias passadas, o Brasil penou especialmente, porque pouco produziu no ataque. Em 18 partidas, a seleção nacional marcou apenas 31 gols, 11 a menos que a rival Argentina. Teve a pífia média de 1,72 gol por jogo. Com o técnico Carlos Alberto Parreira, que declarou antes da Copa de 1994 que o gol no futebol é um ?detalhe?, o Brasil está devendo neste ano no ataque. Foram sete jogos da equipe principal na temporada. Saíram apenas sete gols, o que dá uma média ainda mais baixa do que a verificada nas sofridas eliminatórias para a Copa asiática: um. Em duas oportunidades a seleção campeã do mundo ficou no 0 a 0 (os empates sem gols já superaram os registrados na passagem do técnico Luiz Felipe Scolari). A solução mais óbvia para a falta de gols é Ronaldo, artilheiro do último Mundial. Ele, porém, não mostra muita animação ofensiva em seu discurso. ?Fazer gols será difícil, principalmente fora de casa. Mas a seleção já se superou outras vezes?, disse o principal atacante do País, que não atuou ainda em eliminatórias de Copa. Em 2002, a seleção registrou até a conquista do penta a ótima média de 3,31 gols por jogo. A queda na produção ofensiva na volta de Parreira à seleção não incomoda até agora o treinador do tetra. ?Ainda, não me preocupei com isso (poucos gols). As coisas acontecerão?, afirmou o técnico. Nas eliminatórias para a Copa de 1994, ele sofreu críticas pelo defensivismo e por custar a chamar Romário, mas viu a seleção registrar a média de 2,5 gols por jogo, superior à média de gols da seleção em toda a sua história nas eliminatórias do Mundial: 2,33.