Esportes
Herói da permanência em 2011 diz: “Jogo do ressurgimento do CSA”
Autor do gol que livrou Azulão do 3º rebaixamento à 2ª divisão, Washington narra histórias do clássico
Era um sábado à tarde, típico dia de futebol alagoano na época, e mais um Clássico das Multidões à vista. Mas para o CSA não era apenas mais um, era O Clássico das Multidões contra o CRB. Na tarde do dia 6 de abril de 2011, a bola rolou às 16 horas e em campo estava a permanência na 1ª ou o rebaixamento do Azulão à 2ª Divisão do Campeonato Alagoano pela terceira vez em sua história.
“Vai ser um prazer rebaixar o CSA”, disse o zagueiro do Galo na época, Italo. Do lado regatiano, as provocações eram inúmeras, enquanto no ambiente azulino “foco” era a palavra de ordem e as frases ditas pelos rivais serviam de motivação.
O que a equipe do Regatas não esperava é que um jovem jogador, recém-promovido ao time profissional do Azulão acabaria com tudo: Washington foi o responsável pelo gol salvador. Mas antes do grande momento deste jogo,vamos aos acontecimentos pré-jogo.
O CSA ocupava a vice-lanterna do Estadual, com 16 pontos, e até o duelo com o Galo, já havia trocado de técnico três vezes. Lino, que havia iniciado a temporada, retornou e comandou o clube marujo nas últimas partidas da fase inicial.
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Treinador este a quem Washington agradece bastante pela oportunidade de chegar ao profissional do CSA. “Foi um cara de extrema e fundamental importância em tudo que aconteceu lá no Azulão. Ele acreditou e me motivou. Então, quero agradecer bastante e dizer que em Alagoas não existe outro treinador melhor que ele”, afirmou o ex-atacante.
Apesar de toda provocação dos regatianos, os azulinos tinham convicção de que venceriam a partida e iriam selar a permanência na elite estadual. “Apesar dos resultados ruins, sabíamos que iríamos vencer o CRB naquele dia.O elenco estava convicto e o nosso treinador nos fez acreditar nisso”, comentou o ex-jogador azulino.
Ligação telefônica
Além disso, as coisas inexplicáveis do futebol também aconteceram antes do confronto. Washington conta que no dia 2 de abril de 2011 pela manhã, algo raro aconteceu no hotel em que o time estava concentrado. “Eu lembro que a recepcionista me ligou dizendo que tinha uma ligação para mim. Quando atendi era o meu pai e ele disse: ‘Filho, fica tranquilo que mais tarde, lá no Rei Pelé, vai ser 1 a 0, e o gol será seu. Vai ser sofrido mas o gol será seu’”, contou. Ele disse ainda que no momento da ligação ficou surpreso, pois seu pai não costumava ligar em dias de jogos.
Quando a bola rolou, o único pensamento do jovem atacante era nas palavras de seu pai. Mesmo no banco de reservas, a motivação não saía da mente dele. O CSA estava bem na partida, buscando o gol salvador a todo momento. Até que, aos 30 minutos do segundo tempo, o treinador azulino mandou os reservas para o aquecimento e lá estava Washington (já sem o colete de reserva). “Eu fui sem colete, pois queria muito entrar na partida”, conta. Momentos depois, o atacante foi chamado e recebeu as seguintes orientações de Lino: “Eu vou colocar você e quero dribles. Vá para cima, pois é assim que eu gosto que o futebol seja jogado”, contou o jovem atleta.
Gol e lágrimas
Ele revelou ainda que o comandante azulino o mandou ficar pelo lado esquerdo de campo, pois acreditava que o gol sairia daquele lado. Aos 44’30”, a bola é lançada para Washington, que disputa com a zaga regatiana e, mesmo caído, toca para o lateral esquerdo Rafinha, que devolve para o atacante abrir o placar no Trapichão. O jovem atacante foi às lágrimas e viu a torcida azulina explodir com o seu gol, aquele que evitaria o terceiro rebaixamento do CSA à Segundona do Alagoano.
“Se pararmos para pensar, aquele gol não representou apenas a permanência na Primeira Divisão do Estadual, não valeu apenas a quebra do tabu de quatro anos sem vencer o maior rival. Aquele jogo representou o ressurgimento do CSA. Sem esse jogo, o CSA dificilmente retornaria à 1ª Divisão e sequer teria chegado à Série A do Brasileiro, então, trato aquele gol como o ressurgimento do maior de Alagoas”, disse Washington.
Trajetória
Além do CSA, o atacante passou pelas categorias de base do Santos e Vitória, conviveu com grandes nomes do futebol, como Neymar, Arthur Maia, David Luiz e Hulk. Mas, ainda assim, ele afirma que a sua maior experiência no futebol foi vestir a camisa do Azulão do Mutange. “Passei no Santos onde tive a honra de conviver com Neymar, Alan Patrick, Rafael goleiro. No Vitória convivi com David Luiz, Arthur Maia e Hulk, entre outros. Mas a minha maior experiência foi jogar no CSA”, disse.
“O CSA é diferente, é surreal você entrar no estádio e ver a Mancha Azul com toda a torcida cantando. É muito bom. Jogar no CSA é diferente e tenho a honra de ter vestido o manto”, disse Washington, que chegou ao CSA aos 7 anos de idade ainda na escolinha do clube.
Em seguida, ele atuou por clubes de São Paulo, Minas Gerais e até disputou um Alagoano pelo Ipanema até se aposentar em 2016. Hoje, fora do futebol, o herói azulino de 2011 diz que atua como músico católico, está casado e afirma ter atingido a felicidade máxima em sua vida.
* Sob supervisão da editoria de Esportes.