Esportes
Sem dinheiro, museu vai leiloar camisa de Pel�
FÁTIMA ALMEIDA Alagoas vai perder uma relíquia guardada há cerca de 10 anos no Museu de Esportes Edvaldo Alves de Santa Rosa, que funciona no Estádio Rei Pelé: a camisa 10 usada pelo ?Rei? na Copa do Mundo de 58, a primeira conquistada pelo Brasil e que foi também o primeiro título mundial conquistado por Pelé. É uma peça única que ele só usou uma vez e com ela sagrou-se campeão e iniciou sua trajetória de mito imbatível do futebol mundial. A camisa vai ser leiloada em Londres, provavelmente em março de 2004, para assegurar a manutenção e o funcionamento do museu. A medida extrema já foi anunciada pelo diretor da instituição, jornalista Lauthenay Perdigão e, segundo ele, é irreversível. Os entendimentos com a agência já estão avançados. ?Só falta o contrato, mas já dei minha palavra e não posso voltar atrás?, afirmou ele, ontem, em entrevista ao jornalista Ricardo Mota. Perdigão pretende, com isso, dotar o museu das condições necessárias de funcionamento. A instituição está fechada há quase sete meses por causa de infiltrações diversas e por falta de condições de manutenção. Segundo Lauthenay, durante algum tempo o museu foi mantido com um salário de R$ 1.000 que recebia quando ocupava cargo comissionado na Secretaria de Esportes. Hoje, ele tem metade desse dinheiro assegurado pela Seel, o que dá para pagar duas pessoas que o ajudam no museu. A limpeza, manutenção e outros serviços, diz ele, saem do seu próprio bolso. Dizendo-se cansado, Lauthenay Perdigão decidiu que vai fazer o museu funcionar como acha que deve ser, e para isso conta com o dinheiro que vai arrecadar com o leilão da camisa 10. O local de funcionamento será o mesmo, já que ele tem um contrato de comodato de 20 anos com o Estádio Rei Pelé, que considera o ambiente ideal para uma instituição que guarda parte da memória do futebol brasileiro e alagoano.