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Ricardo Gomes aposta no sucesso da Sub-23

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Rio de Janeiro - Há um ano no comando da Seleção Brasileira Sub-23, Ricardo Gomes vem enfrentando dificuldades para convocar os jogadores que deseja. No entanto, a confiança no talento dos jovens mantém o seu otimismo quanto ao sucesso no Torneio Pré-Olímpico, que acontece de 7 a 25 de janeiro, no Chile, e na classificação para as Olimpíadas de Atenas. P - Na convocação para o Pré-Olímpico você se mostrou um pouco despreocupado com a possível ausência de jogadores que atuam fora do Brasil, como o Kaká. Há como não sentir um desfalque desse nível? Ricardo Gomes - Se fosse assim não teria fechado a lista. Existe chance de termos o Kaká, então, vale a pena esperar. Não é que não vou me importar, mas depois de formado o grupo, acabou a história. Não vou falar dos que não foram chamados, mas dos que foram. Tenho a confiança de quem vier estará preparado e trará uma resposta positiva. Não terão muitas novidades, serão convocados jogadores que já atuaram comigo. P - Você deixou de chamar Carlos Alberto, do Fluminense, e Marcinho, do São Caetano, dois jogadores que estiveram presentes em duas de suas três convocações. Eles ainda têm chances de estar em futuras convocações? Ricardo Gomes - Eles estão nos planos, mas quando há uma situação como essa, na qual teremos pouco tempo de preparação para o Pré-Olímpico, é evidente que é mais legal levar jogadores em melhores condições, a não ser que eu não tivesse opções. Nem procurei saber da gravidade das lesões que eles tiveram. A briga é equilibrada e esses jogadores, assim, como outros, estão nos planos. Não posso dizer que eles estão dependendo das negociações da CBF com a Fifa para a liberação de alguns atletas, mas nosso projeto vai até agosto, se Deus quiser. P - A preparação do Brasil para o Pré-Olímpico será bastante segmentada, com apresentações e dispensas. Até que ponto isso pode influenciar no desempenho da equipe? Ricardo Gomes - Não é o ideal, mas conseguimos bolar um planejamento que desse ao mesmo tempo atividade e descanso. Na primeira parte teremos poucos jogadores e na segunda vamos pegar no pesado. Como é um torneio que entra no mês de janeiro não vai haver aquele negócio de estar no fim de temporada, com os jogadores saindo de férias e depois recomeçando. É muito perigoso, mas não vai acontecer. Apesar do pouco tempo que teremos, os jogadores estão bem fisicamente. Temos que ter cuidado, porque é fim de temporada e o número de lesões cresceu. Jogadores que poderiam estar relacionados, como Carlos Alberto, Rodolfo e Marcinho, tiveram problemas musculares nas últimas semanas. É um período que será preciso saber administrar bem para manter e não perder na parte física. Precisamos deixar o grupo no limite da boa forma e contar com todos no início do torneio. P - Desde que assumiu o comando da Seleção Brasileira Sub-23, em dezembro de 2002, você teve vários problemas na hora de chamar jogadores, tanto que foram 46 no total. Como vem sendo administrar isso? Ricardo Gomes - A cada convocação houve uma série de restrições, eu poderia ter chamado até mais do que 46 jogadores. Tenho sempre que levar o melhor, mas se não posso, tem que chamar a segunda, terceira ou quarta opção. Na primeira convocação (para o Torneio do Catar, em janeiro de 2003), não podia chamar jogadores da Seleção Sub-20, que estavam no Sul-Americano, classificatório para o Mundial. Além disso, o Santos tinha sido campeão brasileiro e eu não podia trazer jogadores de fora porque não era torneio oficial. O problema da Sub-23 é que ela tem um espaço restrito. Então, como manter uma seleção que fica sem jogar por quatro anos? Quando assumi o cargo não tinha nada, começamos do zero. Precisava primeiro conhecer qual seria meu universo para trabalhar e, por isso, tive que olhar a ficha de diversos jogadores no departamento de registro da CBF para ver quais se encaixariam nessa faixa etária. P - Diante disso, como fazer para obter informações dos adversários que o Brasil enfrentará no Pré-Olímpico? Ricardo Gomes - Sorte nossa que a Venezuela veio fazer amistosos aqui em outubro passado. Até a competição as coisas mudam bastante, mas já é alguma coisa. Além disso, vamos ter a possibilidade de observar os outros adversários durante a competição, mas temos informações de vários jogadores individualmente. P - Você classificaria o time que foi vice-campeão da Copa Ouro, realizada em julho, no México, como o mais próximo do ideal para o Pré-Olímpico? Ricardo Gomes - Sim. A equipe não se preparou para disputar esse torneio dificílimo realizado na altitude. Era a única Seleção Sub-23, Estados Unidos e Colômbia tinham disputado a Copa das Confederações e tinha o México, que só joga na cidade do México. Chegamos lá três dias antes do início sem trabalho algum. A partir dessa competição nosso jogo ficou mais padronizado e isso me deixou muito confiante. De julho para cá o time fez jogadas idênticas. É evidente que cada um tem liberdade para desenvolver suas características, mas se não tiver uma equipe organizada, padronizada o rendimento do jogador vai cair. Fico feliz porque o rendimento dos jogos nos amistosos foi idêntico ao da Copa Ouro. Por isso, estou mais confiante do que preocupado com a ausência de alguns jogadores. O pessoal entendeu bem o espírito. P - Como você vê a transferência de jogadores brasileiros cada vez mais jovens para clubes do exterior? Ricardo Gomes - Existem prós e contras, mais contras do que prós. O jogador ganha uma experiência nova, mas acredito que se ficasse no Brasil estaria mais próximo da nossa cultura. Lá fora, ele ganha mais experiência, mas o jogo é mais mecânico. Eles vêm com uma consciência tática fortalecida, mas principalmente na idade em que saem, perdem um pouco do nosso estilo. Também não dá para impedir essa saída, entretanto, seria importante que tivéssemos clubes no Brasil com o poder de manter esses garotos. Esse quadro não necessariamente será duradouro e se isso acontecer o retorno, ao invés de financeiro, vai ser de resultados e, numa outra visão, de resultados e financeiro. Atualmente, não há tempo de retorno por meio de resultados, pois o jogador sai antes mesmo de chegar aos profissionais.

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