Esportes
Ramon Menezes: da terceira divisão goiana ao “Ramonismo”
Técnico do CRB é da nova escola de treinadores do Brasil, que possui profissionais mais jovens e estudados
Com a saída inesperada de Marcelo Cabo, uma lacuna foi aberta no CRB. A diretoria agiu rápido e anunciou Ramon Menezes como seu substituto. O técnico ex-Vasco faz parte da nova escola de treinadores do Brasil, que engloba treinadores mais jovens e mais estudados. Alguns desses técnicos da nova safra brasileira não chegaram a ser jogadores de futebol, como Thiago Larghi, Enderson Moreira e Zé Ricardo. Em alguns momentos, treinavam jogadores até mais velhos.
Ramon, por outro lado, foi um jogador de grande habilidade, multicampeão por clubes como Cruzeiro e, principalmente, o Vasco. Pelo clube da Colina, ele teve sua melhor fase na carreira de jogador. Em São Januário, ganhou quase tudo que disputou. Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores, Carioca, Mercosul. Não à toa é considerado um dos maiores ídolos da torcida vascaína.
O habilidoso meia encerrou sua carreira de jogador aos 40 anos, em 2013. Naquele mesmo ano tornou-se auxiliar técnico no Joinville, onde ajudou o time de Hemerson Maria a ser campeão da Série B em 2014.
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Em 2015 veio a primeira oportunidade como treinador: contratado pelo Anápolis, de Goiás, mas através de uma parceria entre os times, Ramon treinou o ASEEV, da terceira divisão goiana.
No pequeno time de Goiás, logo em sua primeira oportunidade, veio o sucesso. Naquele ano, o ASEEV foi campeão da Série C do Estadual. Além do título, Clóvis Borges, um dos responsáveis pela criação do time destacou o profissionalismo de Ramon no cargo de treinador. “Foi tudo dentro de um padrão fantástico de profissionalismo. Às vezes acontecia de a gente pegar a comissão técnica para pescar, e ele (Ramon) não ia de jeito nenhum. Preferia estudar. Quando ele nos procurava, não achava ninguém. Mas isso na folga, claro”, relembra Clóvis.
Ao fim da temporada, Ramon voltou ao Anápolis para a disputa da primeira divisão do Goiano. Porém, desta vez, o jovem técnico conheceu a dança das cadeiras que os treinadores sofrem. Após cinco jogos no comando, com duas vitórias, dois empates e uma derrota, ele foi mandado embora. O time ainda tinha chances de se classificar para a próxima fase, mas o imediatismo do futebol brasileiro falou mais alto.
Após deixar o Anápolis, foi contratado para treinar o Guarani-MG no Mineiro de 2016. Lá, Ramon fez apenas quatro jogos, com duas vitórias, um empate e uma derrota, mas não foi suficiente para evitar que o time de Divinópolis amargasse o rebaixamento para a segunda divisão estadual.
DESAFIO
Então, no mesmo ano, surgiu o maior desafio de sua curta carreira de treinador até o momento. Com moral no Joinville, após boas campanhas como auxiliar, foi contratado pelo JEC para tentar salvar o time do rebaixamento para a Série C.
Pelo time catarinense, Ramon teve desempenho razoável. Pegou o time em 19º lugar, sete pontos atrás do primeiro time fora do Z4. Ramon conseguiu um aproveitamento de 44%. Em 12 partidas sob o seu comando, o JEC conseguiu quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas. No entanto, não foi suficiente para livrar o clube do rebaixamento. Ramon deixou o Joinville na 17ª colocação, apenas um ponto atrás do Oeste, que escapou do rebaixamento.
Em 2017 teve uma passagem relâmpago pelo Anápolis, fazendo somente quatro jogos. Em 2018 recebeu convite para treinar a Tombense-MG e se destacou. Pelo time mineiro, Ramon fez 26 jogos, com oito vitórias, sete empates e 11 derrotas. Foi elogiado pelo presidente do clube, Lane Gaviolle, por seu profissionalismo.
“Tem hora que tem que tirar ele. Ele sai do jogo, já senta no ônibus e vai estudar. Tem que falar: ‘Ramon, vamos tomar uma cerveja, vamos jantar’”, afirma o presidente.
“RAMONISMO”
Já em 2019, Ramon voltou a ser auxiliar técnico fixo do Vasco, onde é ídolo, e trabalhou com Alberto Valentim e Vanderlei Luxemburgo. Em 2020, com a saída de Abel Braga, veio a primeira chance de comandar um grande clube do futebol brasileiro. Ramon foi efetivado no Gigante da Colina e teve um início de trabalho meteórico. Cinco vitórias nos primeiros cinco jogos, liderança do Brasileirão e o apelido de “Ramonismo” tomou conta do Vasco.
Porém, a má fase e a oscilação de um time muito jovem chegaram e, como sempre acontece no futebol brasileiro, a culpa cai no colo do técnico. Ramon foi demitido do após duas goleadas seguidas pelo Brasileiro. Ele deixou o Vasco com um aproveitamento de 56,25% e oito vitórias em 16 jogos.
Agora no CRB, Ramon terá sua chance de se manter na primeira prateleira de técnicos do futebol brasileiro. Mesmo não falando em acesso em sua apresentação, ele pode fazer história no Galo se levar o time novamente à Série A do Brasileiro, após um hiato de 35 anos sem disputar a primeira divisão.
* Sob supervisão da editoria de Esportes.