Esportes
Pan-americano: um recorde de medalhas
São Paulo - Um ano e meio após o funcionamento da lei Agnelo-Piva, que destina 2% das arrecadações das loterias federais para o esporte - em 2002, R$ 19 milhões foram divididos entre as confederações-, o Brasil teve no Pan de Santo Domingo seu primeiro grande teste. E pode-se dizer que foi bem: obteve a melhor campanha na história da competição, totalizando um recorde de 122 medalhas (28 de ouro, 40 de prata, 54 de bronze). Além de obter em números absolutos sua melhor participação, nunca tantas modalidades haviam gerado medalhas para o Brasil: em 30 das 37 competições de que fez parte, o país teve um representante no pódio. Mais: cinco modalidades (luta, pentatlo moderno, taekwondo, futebol e saltos ornamentais) subiram ao pódio em Santo Domingo-2003 e não o haviam feito em Winnipeg-1999. Diversos esportes apresentaram uma evolução notável - e indissociável do aumento no volume de verbas com que passaram a contar. O judô, castigado à época dos Mamede pela impossibilidade de receber quaisquer recursos públicos devido a irregularidades junto ao TCU, ganhou em 2002 quase R$ 1 milhão e, no primeiro semestre de 2003, teve judocas participando de etapas do Circuito Europeu, fazendo estágio de treinamentos em Paris e recebendo potências para treinos em SP. Resultado? Após um ouro em 1999, a modalidade colheu cinco em 2003. Os saltos ornamentais são outro caso gritante de melhora. No Pan deste ano, Juliana Veloso ganhou duas medalhas (uma prata e um bronze), Cassius Duran amealhou outra. Detalhe: o Brasil nunca havia subido ao pódio na modalidade. A ginástica, menina dos olhos do COB, também teve resultados ótimos no Pan. Como não associar as dez medalhas obtidas no Pan à criação de uma equipe olímpica permanente em Curitiba, com técnicos ucranianos, alimentação balanceada e estudos subsidiados? Os resultados apareceram principalmente no masculino, que não subiu ao pódio em 99 e, em 2003, ganhou 5 medalhas. O Pan serviu de laboratório não apenas a atletas e técnicos rumo à Olimpíada. Foi utilizado também pelo COB que, levando em consideração os resultados do Pan e outros critérios, mudou um pouco a divisão do bolo de recursos públicos repassados às confederações. Levantamento de peso, esgrima, beisebol/softbol, taekwondo e tiro com arco perderam dinheiro -nenhuma delas teve um desempenho notável em Santo Domingo. Por outro lado, judô, ginástica, handebol (medalhista de ouro tanto no masculino quanto no feminino), canoagem (chegou ao seu primeiro ouro em Pan-Americanos em 2003), tênis de mesa (que melhorou seu desempenho e ainda mostrou novas revelações, como Gustavo Tsuboi) e ciclismo (o único que não teve uma melhora no desempenho comparativo entre os dois últimos Pans) passaram a receber mais dinheiro a partir de outubro.