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Nº 5710
Esportes

Bilh�es mudam as tradi��es do futebol

São Paulo - Nos últimos 30 anos, o futebol deixou de  ser apenas um jogo para se  tornar um grande negócio que movimenta bilhões de dólares por ano. Os jogadores mais badalados, que eram negociados pelo preço de carros populares, hoje fazem contratos eq

Por | Edição do dia 05/04/2002 - Matéria atualizada em 05/04/2002 às 00h00

São Paulo - Nos últimos 30 anos, o futebol deixou de  ser apenas um jogo para se  tornar um grande negócio que movimenta bilhões de dólares por ano. Os jogadores mais badalados, que eram negociados pelo preço de carros populares, hoje fazem contratos equivalentes ao preço das mansões de Beverly Hills. Essa mudança interferiu nos aspectos mais simples do futebol, como o “pós-gol, para alguns jogadores o momento mais emocionante da partida”. Por várias razões, a comemoração do gol de hoje é bem diferente daquela dos anos 60 e 70. Atualmente, o artilheiro usa o gol para fazer o marketing pessoal, utilizando camisetas por baixo da camisa oficial com mensagens cristãs ou de paz. Outros aproveitam os holofotes para fazer a propaganda de uma determinada empresa e engordar o caixa. Antigamente, era mais comum o abraço entre os jogadores. Hoje, a pedido de alguns patrocinadores de clubes, os craques optam por comemorar individualmente, para que o logotipo da empresa tenha mais visibilidade. “O marketing tomou conta do futebol e os contratantes preferem que o atleta comemore sozinho para que a marca apareça mais”, opina Jairzinho, artilheiro da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970. Naquela época, por exemplo, os atletas se atiravam no chão e pulavam um sobre o outro. Mesmo que houvesse patrocinadores, quase ninguém poderia vi-sualizar a marca. Na semana passada, a diretoria do Cruzeiro anunciou aos jogadores a proibição de tirar a camisa na comemoração do gol. Na terça-feira, foi a vez de os dirigentes do Palmeiras adotarem a mesma medida. Ídolo do Botafogo, Jairzinho inventou um tipo de comemoração que fez sucesso e passou a ser imitado por muitos. Após marcar um gol no terceiro jogo do Brasil no Mundial do México contra a Romênia, ele se ajoelhou e fez o sinal da cruz. A imagem, captada pelas câmeras de televisão, é exibida até hoje. “Na explosão da comemoração, veio à minha cabeça a imagem de Deus. Queria agradecer pela oportunidade que me deu de voltar a jogar futebol”. O craque lembrou-se, na ocasião, da fratura sofrida no pé esquerdo, em 1966, que quase encerrou sua carreira precocemente. Na visão de ídolos do passado e do momento, as sucessivas transferências de um clube para outro diminuem o ciclo de amizade e prejudicam o relacionamento no grupo. “Talvez seja uma geração mais individual por causa do menor convívio”, observa Sócrates. O meia Alex, do Palmeiras, concorda com o corintiano. Acredita que ainda existe bastante amizade no meio do futebol, mas lembra que as constantes mudanças atrapalham o entrosamento de um elenco. Artilheiro palmeirense da década de 70, César Maluco inovou ao dividir a vibração com os torcedores, correndo até o alambrado. Mas, quando se fala em símbolo de gol, a primeira imagem a vir à mente é a do maior astro de todos os tempos, Pelé. A mais célebre de todas as comemorações do futebol mundial é sua: o soco no ar. Santos O presidente do Santos, Marcelo Teixeira tem em mãos uma proposta de US$ 7 milhões pelo meia Diego. O dinheiro seria a solução para muitas das dívidas do clube. Mas o negócio não pode ser fechado porque o “Peixe” está proibido pela Fifa de negociar jogadores para o exterior, devido ao calote com a Inter de Milão na compra do meia Caio. Djair Silvério da Cunha, pai, procurador e dono de 40% do passe do jogador - os outros 60% são do Peixe - confirmou ontem o interesse do clube italiano. Segundo ele, o Santos está disposto a aceitar a proposta pelo jogador, de apenas 17 anos. “Hoje, no momento, seria um bom negócio. Até pelas dificuldades vividas nos mercados nacional e internacional. Mas tenho preferido acompanhar de longe e quem estará avaliando isso é a diretoria do Santos”, declarou o pai de Diego, ressaltando ainda que as negociações ganharam fôlego nos últimos dias. A negociação com o Milan coincide com a contratação recente do advogado gaúcho Paulo Rogério Amoreti de Sousa.

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