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Ricardo Gomes deixa a Sele��o Sub-23

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São Paulo ? Sem a vaga nos Jogos Olímpicos de Atenas, o treinador Ricardo Gomes ficou sem função dentro dos quadros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, aguardou seu desembarque no Rio de Janeiro, ontem, para dar a notícia pessoalmente, evitando assim, mandálo embora por telefone. Durante a reunião de cerca de duas horas, ontem à tarde, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, zona oeste, entre Teixeira, o técnico da seleção principal, Carlos Alberto Parreira, o coordenador-técnico Zagallo, e o supervisor Américo Faria, o ex-treinador da sub-23 foi isento de culpa por todos e ainda teve o seu trabalho elogiado. O grande problema foi que não existe um lugar para ?encaixá-lo?. ?Desde que cheguei aqui existiam dois projetos: um da Copa do Mundo de 2006 e o outro das Olimpíadas. O Ricardo (Gomes) estava envolvido no projeto olímpico que acabou. ?Agora, o que o presidente vai fazer com ele, eu não sei?, despistou Parreira. Em seguida, o técnico da seleção principal teceu os mais diversos elogios ao ex-treinador da sub-23. ?O Ricardo (Gomes) tentou e não teve culpa no processo. Ele é jovem, tem apenas 39 anos, e está no comando da seleção por merecimento?, frisou Parreira. ?Acho que isso não será uma mancha em sua carreira, apenas um obstáculo a ser superado. Tem tudo para dar a volta por cima?. Parreira disse acreditar que a situação poderia ser ainda pior, caso estivesse no comando do time durante o Pré-Olímpico e também fosse eliminado. Para o técnico da seleção principal, desde que o profissional seja de qualidade, como Gomes, não haveria motivos para mudar a filosofia de trabalho. ?Ser técnico no Brasil é muito desgastante. A cobrança é muito grande?, disse Parreira. Ao contrário do dia 16, data de sua posse, quando fez pesadas críticas ao desempenho da seleção no Pré-Olímpico do Chile, o presidente da CBF preferiu o silêncio, ontem, e se limitou a publicar uma declaração no site oficial da entidade. O dirigente enfatizou que o desempenho da equipe na competição ficou ?muito aquém do esperado? e que ?a não classificação para as Olimpíadas de Atenas frustrou todos?. Desde que assumiu a seleção em dezembro de 2002, Gomes comandou o time por 20 partidas. No total conquistou doze vitórias, quatro empates e foi derrotado por quatro vezes. A única chance de ele permanecer no cargo seria a criação, pela Fifa, do Mundial Sub-23, caso o futebol não participe mais dos Jogos Olímpicos. Indefinições As contestadas estratégias do treinador Ricardo Gomes marcaram a fracassada campanha do Brasil no Pré-Olímpico do Chile e chegaram ao auge na derrota de domingo para o Paraguai. Em busca do empate que classificaria a equipe, ele fez sua substituição mais inusitada no torneio, ao tirar o atacante Marcel para colocar o zagueiro Adaílton. ?A responsabilidade pelo que aconteceu é toda minha?, resumiu. Durante a competição, Gomes fez seguidas mudanças na equipe titular e recebeu críticas até de colegas como Emerson Leão, do Santos. Ele telefonou para Alex e sugeriu que o zagueiro pedisse ao técnico para trocar de posição com Edu Dracena, passando a atuar como no Santos. A seleção nunca teve tantos torcedores ao seu lado no estádio no Pré-Olímpico como domingo. Mas o desempenho pífio no primeiro tempo fez a torcida perder a paciência. O time foi vaiado antes de ir para o vestiário no intervalo. A irritação também tomou conta da comissão técnica. Além da alteração inusitada, Gomes tentou outra substituição na volta do intervalo - Dagoberto no lugar de Paulo Almeida. Bastante emocionado, Ricardo Gomes chorou e pediu perdão aos brasileiros. Ricardo Gomes esperava que, depois de dezesseis anos, enfim fosse disputar uma Olimpíada. Porém a derrota para o Paraguai, domingo, por 1 x 0, frustrou o plano do treinador. O fracasso no Pré-Olímpico não preocupa o grupo do Brasil, que antes do torneio realizado no Chile era considerado talentoso e promissor. O fato de não ter conseguido uma vaga em Atenas incomoda, porém os jogadores acreditam que não ficarão marcados negativamente. O discurso foi repetido por todos os atletas que concederam entrevistas após a derrota para o Paraguai, por 1 x 0. ?A vida continua. Perdemos a classificação, mas ainda seremos úteis e daremos muitas alegrias à torcida brasileira?, disse Diego.

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