Esportes
Dirigente teme fracasso do CRB se n�o tiver apoio
JOÃO JOSÉ EDITOR/ESPORTES O empresário Gustavo Feijó, que aceitou o convite para ser vice-presidente de futebol e já está no exercício da função há mais de dois meses, não vê perspectivas de sucesso do CRB no Brasileiro da Série B, caso não haja uma mudança de atitude dos ?verdadeiros alvirrubros? com relação ao apoio à diretoria executiva. Ele garantiu que não passa por sua cabeça a idéia de ?largar?, porque assumiu um compromisso com o presidente José Cabral em ajudar o clube, mas já chegou à conclusão de que a administração do futebol do CRB está praticamente impossível. No ano passado, Gustavo colaborou com o CRB, mas sem cargo e sem os poderes que tem agora. Hoje, por conta de um contrato, até agora ?de boca?, com uma empresa paulista dele e de outro empresário, Feijó é o ?manda chuva? do futebol alvirrubro, tendo a seu lado o diretor Eduardo Toledo. Aliás, o setor de futebol é resumido a esses dois dirigentes, que têm reclamado da falta de apoio para garantir o CRB numa posição de destaque no Brasileiro deste ano. Até agora só foram dois jogos, mas o dirigente Gustavo Feijó já está sentindo na pele as dificuldades que terá para administrar o futebol do CRB na parte financeira. ?Quando aceitei o cargo de vice de futebol houve a garantia de que haveria ajuda dos conselheiros e até agora nada. Até mesmo o contrato com uma empresa para ficar responsável pelo futebol, não foi assinado em vista de alguns problemas internos e jurídicos, ainda não resolvidos pelos conselheiros. Assim, fica difícil de levar o clube ao lugar que todos nós desejamos?, salientou Feijó. Rebaixamento O planejamento do dirigente desde que assumiu a diretoria é de classificar o CRB entre os oito, passando para a segunda fase do torneio, justamente quando estava no momento de entusiasmo, em vista das promessas e fortes parcerias. Entretanto, agora, Gustavo já sem a confiança de antes, fala em trabalhar primeiro para o CRB não ser rebaixado - este ano descerão seis para a terceira divisão -, o que seria uma catástrofe para o futebol de Akagoas. ?Se continuar como está, com falta de recursos para melhorar o grupo, o rebaixamento é inevitável?, prevê o dirigente. A preocupação do setor de futebol é ter recursos não só para as despesas emergências, como pagamento da folha, passagens aéreas, regularizações, alimentação e medicamento, mas principalmente para fortalecer o grupo de jogadores com mais quatro reforços daqueles considerados ?acima da média?. Até agora, o Galo só trouxe um jogador deste nível, Roberto Santos, que já provou ser um goleador. Nos cálculos que fez por baixo, o dirigente ressaltou que o futebol do CRB precisaria de R$ 160 mil/mês para cobrir todas as despesas. O cálculo financeiro só para o grupo de jogadores com capacidade de evitar o rebaixamento do CRB, é de R$ 90 mil e mais R$ 24 mil para comissão técnica. O restante é para outras despesas acima relacionadas. O dirigente explicou que as receitas são muito abaixo para o clube disputar uma competição importante e difícil como o Brasileiro da Série B. De patrocínio na camisa, oficialmente apenas a Cristal, que paga cerca de R$ 5 mil/mês. A Unimed, que pagava a pechincha de R$ 4,5 mil, não renovou ainda. O governo do Estado tem promessa de ajudar, mas sem um montante definido até o momento. Como integrante da Série B, o CRB tem direito a uma quota mensal de R$ 69 mil da CBF, mas a diretoria alvirrubra não tem idéia quando receberá a primeira parcela. Com relação às arrecadações, o CRB continua ?penando? com as ações trabalhistas. Para se ter uma idéia, da renda de R$ 30 mil do jogo com o Coruripe, o CRB só levou R$ 350. ?Como é que podemos administrar deste jeito? A resposta é muito fácil para qualquer pessoa. Gostaríamos de ter uma verba concreta, mesmo que não chegasse ao valor total que desejamos, pois com a nossa ajuda poderíamos planejar sem as dificuldades do momento. Nós estamos pedindo o apoio com a certeza de que seremos atendidos, inclusive garantindo apresentar um relatório sobre despesas e receitas para conhecimento do público em geral?, concluiu.