Esportes
Marta afirma que seu destino � jogar futebol
FERNANDA MEDEIROS Grande heroína da estréia do Brasil no futebol feminino em Atenas, a meia alagoana Marta Vieira da Silva, autora do único gol da vitória da Seleção Brasileira sobre a Austrália, é hoje uma das personagens importantes do futebol feminino brasileiro. E pode fazer história nesses Jogos Olímpicos. Nascida em Dois Riachos, município com cerca de 12 mil habitantes, localizado a 186 km da capital Maceió, Marta veio de uma família simples e o gosto pelo futebol começou logo cedo, quando ela tinha sete anos de idade. ?Bom, a minha história não é muito diferente da história das minhas companheiras. Comecei a jogar bola aos sete anos, jogava futebol na rua com os meninos e meus primos, só eu de mulher?, recorda. Mas a família da jogadora, única representante de Alagoas nos Jogos Olímpicos em Atenas, não gostava muito da idéia de vê-la jogar bola. ?Como sempre tem alguém na família que discorda do que a gente faz. E no meu caso, era meu irmão mais velho que pegava muito no meu pé. No entanto, estou aqui realizando meu sonho e pretendo seguir em frente?, avisa. E ela tem razão, pois, certamente, se não lutasse por seu objetivo, estaria desperdiçando o talento que tem nos gramados. Marta conta que disputava campeonatos de futsal no colégio onde estudou até a 5a série do Ensino Fundamental. ?Joguei pelo colégio e, muitas vezes, no meio de homens, com apenas 12 e 13 anos de idade, no time que se chama até hoje CSA (em homenagem ao CSA, clube do Mutange), só que do município de Dois Riachos. Aos 14 anos, fui para o Rio de Janeiro, através de um amigo chamado Marcão, que trabalhava na AABB e sempre me via jogar?, revela. E foi justamente quando esse amigo de Marta resolveu voltar para o Rio de Janeiro que a convidou para fazer um teste no Vasco. ?Não pensei duas vezes e falei que iria, sim. Treinei no máximo duas ou três vezes com eles, que gostaram muito de mim. Daí, passei a jogar no Vasco. Depois fui para o Campeonato Brasileiro Sub-19, em 2001, quando o time foi campeão e eu fui artilheira e revelação da competição?, recorda. A partir daí começava a trajetória da menina alagoana que tantas vezes dizia à mãe, Tereza Vieira de Sá, que ia para o colégio, mas voltava para casa toda suja de terra, pois tinha ido jogar bola. ?Meu desejo sempre foi jogar bola. Meu destino é esse?, afirma. Depois do Vasco, Marta, hoje com 18 anos, foi para a Seleção Brasileira Sub-19, em 2002, onde participou da Copa do Mundo, conquistando o 4o lugar. ?Nesse ano eu ganhei a bola de prata. Poderia ter sido melhor, mas não deu e tudo bem?, observa. Daí por diante, ela foi para a Seleção Brasileira adulta, onde foi campeã sul-americana e depois foi para o Pan-americano, em Santo Domingo, conquistando o ouro. ?Hoje estou aqui (em Atenas), tentando um ouro jamais alcançado, mas todas nós estamos com muita esperança de conquistar essa medalha?, finaliza a jogadora que atualmente joga no Umea IK, clube da Suécia.