Esportes
Pel� diz que lei com seu nome � capenga
Em um evento de lançamento de uma grama sintética, que usará sua imagem na divulgação, Pelé teve um contratempo, ontem, ao ser confrontado pela imprensa sobre os efeitos da lei implementada no esporte que carrega o seu nome. Promulgada na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, a Lei Pelé, entre diretrizes menos polêmicas, alterou a forma como os jogadores de futebol são negociados. Na visão dos clubes, a medida é encarada como vilã. Com a bandeira de oferecer maior liberdade trabalhista aos atletas, a lei acabou transferindo o poder das equipes para as mãos dos empresários. Isso é o que pensam os clubes, que vêem a receita de negociações de jogadores comprometida. Na análise do próprio Pelé, ex-ministro do Esporte, a lei acabou não servindo o futebol brasileiro como deveria porque pegou leve demais com a cúpula que o dirige. ?A Lei Pelé foi um grande avanço, mas acabou saindo capenga. O ?lobby? dos clubes impediu que conseguíssemos aprovar a responsabilidade administrativa dos dirigentes, a prestação pública de contas. Por isso não fiquei satisfeito?, afirmou. Diante das acusações de que a lei que carrega o seu nome acabou prejudicando os grandes clubes brasileiros, Pelé, em tom de desabafo, afirma que são os dirigentes que devem ser acuados e cobrados pelos transtornos administrativos do futebol. ?As pessoas discutem a Lei Pelé. Mas por que ninguém vai aos clubes? Por que não vão perguntar lá no Flamengo cadê os US$ 80 milhões da ISL? Por que não vão no Vasco e perguntam onde estão os US$ 70 milhões do National Bank? Por que não vão ao Corinthians e perguntam cadê o dinheiro da Hicks??, retrucou. Depois do breve momento de desabafo, Pelé ainda afirmou trabalhar ativamente nos bastidores do futebol para trazer a Copa do Mundo de 2014 para o Brasil. Se o rodízio de continentes promovido pela Fifa vingar, o país deve ficar com a escolha da América do Sul para o Mundial daqui a dez anos.