Esportes
A rainha das piscinas
ABIDES DE OLIVEIRA A pernambucana Joanna Maranhão, 17, é atualmente o grande nome da natação feminina brasileira. A nadadora ganhou as machetes da imprensa nacional ao chegar às finais olímpicas dos 400m medley, em que terminou no 5o lugar, e dos 4x200m livre (6o lugar), nos Jogos de Atenas, em agosto. Esses resultados lhe valeram o reconhecimento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que na sexta-feira concedeu um prêmio em dinheiro para ela e outros 41 atletas olímpicos do país. Atualmente, Joanna se prepara para o Campeonato Mundial de Piscina Curta, que acontece no próximo mês em Indianápolis-EUA. A atleta concedeu a seguinte entrevista à GAZETA DE ALAGOAS. Como é ser o principal nome da natação brasileira na atualidade? Não me considero o maior nome da natação brasileira da atualidade, hoje temos muitas atletas em boa fase, crescendo. Você chegou a duas finais olímpicas, qual foi a emoção? É difícil falar de uma emoção dessas, sempre que me fazem essa pergunta não sei o que dizer, a única certeza que tenho é de um monte de boas sensações e bons fluidos juntos. Você esperava ir tão longe na sua carreira? De forma alguma, muitas vezes me pego pensando se mereço tudo que passei, é incrível. Como é o ritmo de treinos? Tem espaço para a diversão? Até a Olimpíada de Atenas ficava difícil sair ou ter vida social, pois eu treinava cerca de cinco horas por dia. É difícil ser uma atleta de ponta no Brasil? E o assédio das pessoas? Difícil porque aqui você tem que estar bem em todas as ocasiões. E em relação ao assédio é tudo positivo, pois é a valorização de mais um esporte, diferente do futebol. No último Troféu José Finkel (Brasileiro de Piscina Curta), no início deste mês, você chegou a bater dois recordes sul-americanos (200m costas e 800m livre) e um brasileiro (400m medley), isto era esperando, após o cansaço das Olimpíadas? Também foi uma grata surpresa o Finkel, confesso que já ia ao treino sem a mesma disposição, cansadona mesmo, mas tive de agüentar pra cumprir o calendário. E o Mundial de Piscina Curta, em outubro? Dá para esperar por alguma medalha? Medalha é algo totalmente irreal, após o Finkel tirei uma semana de descanso, então devo chegar lá um pouco fora de forma. Tem algum plano para deixar Recife e passar a treinar em algum grande centro brasileiro? Centro brasileiro não, se eu sair vai ser para fora do país. Estados Unidos? Sim. Existe uma proposta, mas ainda estou negociando. Qual a sua maior adversária, atualmente, nas piscinas do país? Sem dúvida a Georgina Bardach (nadadora argentina, bronze em Atenas nos 400m medley). Ela sempre vem ao Brasil, então, praticamente toda competição a gente disputa junto. Qual a meta da atleta Joanna Maranhão até as Olimpíadas de Pequim-2008? Não penso a longo prazo algo ligado à natação, que é um esporte tão injusto e pouco linear, não posso fazer previsão alguma. E os Jogos Pan-Americanos do Rio, qual a expectativa? Também falta muito tempo, deixa rolar. Sonha com medalhas no Pan e na próxima Olimpíada? De novo? (risos) Não vou falar de futuro. Para você, como está a natação do Nordeste atualmente? Ainda é inferior ao restante do país? É inferior por falta de um ou alguns clubes, realmente fortes que possam brigar em competições nacionais. No Recife (cidade onde mora), vejo muitos atletas dizendo que a principal competição é o Norte/Nordeste. Não quero desmerecer o Norte/Nordeste, eu comecei aí! E me orgulho muito disso, mas somos pouco ambiciosos. Também tem o fato de ter paciência para se lapidar talentos jovens na hora certa. Temos vários atletas do Norte/Nordeste com potencial e daí quando chegam ao infantil, ou param de nadar ou param de dar resultado. Isso deve ser revisto. Apesar de estar no Recife, longe dos chamados grandes centros do país, é possível se preparar e chegar bem a competições nacionais e internacionais? É possível se você tiver muita força de vontade. Estou longe de tudo, sozinha na piscina, ?one by one?, como dizem os norte-americanos. É difícil manter um bom condicionamento dessa forma, pelo menos pra mim. Treinar sozinha vem sendo muito complicado, fico sem referência. Se bem que me dei superbem este ano dessa forma.