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Solu��o para o CRB: planejar e executar

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JOÃO JOSÉ Planejar é uma palavra tão significativa, que pode ser colocada em diversas estratégias de ação, como por exemplo, de um trabalho de soluções imediatas, de traçar planos também para o futuro ou até de tentar fazer um melhor desempenho administrativo para não repetir fracassos. Essa mesma palavra tem sido repetida pelo CRB a cada ano que passa e nunca foi priorizada como deveria ser, principalmente quando vai disputar uma competição da mais alta importância e responsabilidade, como é o Campeonato Brasileiro da Série B, considerado o segundo grupo de elite do futebol nacional. Nos desabafos naturais, sempre após uma vitória importante, como foi na goleada sobre o América-RN, por 3x0, resultado que salvou o CRB do rebaixamento para a Série C (3a Divisão), o dirigente Gustavo Feijó chegou a fazer um apelo dramático, tentando sensibilizar os conselheiros a planejar um trabalho de reestruturação do clube a partir de agora. ?Do jeito que está, é muito difícil e até impossível administrar o CRB. O Conselho tem de ter atitude e tomar providências para eliminar os problemas cruciais que têm atormentado os administradores do clube nos últimos anos?, disse Gustavo, que é empresário profissional e entrou no CRB desde o ano passado para comandar o futebol, a convite do presidente José Cabral. O que ele quis dizer não é nada diferente do que todo mundo já sabe. O clube vem se arrastando ao longo de muitos anos com dívidas trabalhistas que aumentam a cada dia que passa, em vista de juros e correção monetária. O montante devido é superior a R$ 500 mil só com funcionários que foram demitidos e nada receberam, entregando os casos para a Justiça do Trabalho processar o clube. Ainda tem a dívida para com o INSS, que em algumas oportunidades chegou a acionar o CRB para pagar parcelas em atraso de um acordo. Outras dívidas com fornecedores também existem e nada de solução. Todas essas dívidas deixam comprometido o patrimônio do clube. Mais recentemente, o Estádio da Pajuçara chegou a entrar em leilão, por conta de uma dívida cobrada pelos Correios. Graças ao setor jurídico do clube, através do advogado Luis Walter, que tem sempre sido o ?bombeiro? para apagar os incêndios e acertar os acordos, o clube se livrou de mais um problema. Pelo menos, por enquanto. Planejamento estratégico Ano passado, preocupado com a situação crítica do clube, envolvido num leque de problemas na Justiça com comprometimento ao patrimônio do clube, o conselheiro Marinho Gusmão chegou a apresentar uma proposta para a reestruturação do CRB, denominando o trabalho de ?Planejamento Estratégico?. Uma das idéias era juntar 40 conselheiros para discutir os problemas do CRB, recebendo orientação de um consultor contratado. ?Precisamos saber o que o CRB é hoje e o caminho onde deve seguir. Com um documento pronto, vamos pensar na reestrutura do clube a curto, médio e longo prazos. Vamos poder saber o que será melhor para o CRB com a colaboração de todos os alvirrubros, pois sem trabalho não chegaremos a lugar nenhum?, disse na época Marinho Gusmão. Por incrível que possa parecer, nada disso foi levado em consideração. Aliás, a idéia do conselheiro nem chegou a ser discutida, apesar da apresentação de um relatório muito bem detalhado sobre as perspectivas de solução para tirar o clube do caos. Nos próximos dias, Gustavo Feijó deve se reunir com o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Fernandes, além de outros mais próximos ao clube e interessados nas soluções dos problemas. O dirigente garantiu que vai condicionar sua permanência no CRB, se assim os conselheiros quiserem, se houver um plano de ação imediato para a reestruturação do CRB em todos os níveis. Ele citou, por exemplo, além das dívidas trabalhistas, a necessidade de maior apoio para as divisões de base. ?O futebol brasileiro está falido, com os clubes endividados, tudo por conta de altos investimentos com jogadores estrelas e que não podem pagar. A solução é a formação de jovens talentos e o CRB tem condições de apostar neste projeto de priorizar a prata da casa?, afirmou Gustavo. Por absoluta falta de planejamento, o CRB correu sério risco de ser rebaixado para a Série C do Brasileiro, a famigerada Terceira Divisão. O time foi formado de última hora, com a chegada de reforços ?capacitados? para uma competição do nível da Série B, porque o grupo que disputou o Estadual era considerado apenas ?razoável?. Foi a 11a participação do CRB no Brasileiro da Série B, permanecendo sem problemas de cair para a Terceirona até o torneio deste ano. Tanto que chegou a escapar da degola na última rodada, conseguindo derrotar o América-RN com o maior apoio dado por sua torcida ? mais de 16 mil pessoas entre pagantes e caronas ? durante todo o Nacional. O alento do CRB, 15o colocado, foi ter ficado na frente de clubes considerados mais poderosos financeiramente, no caso São Raimundo, Sport Recife e Vila Nova, além dos rebaixados América-RN, América-MG, Remo, Joinville, Mogi Mirim e Londrina, também tradicionais em Brasileiros. É bom lembrar que em 2005 o regulamento da Série B também indica o rebaixamento de seis clubes para a Série C. Sem desmerecer os demais integrantes da direção alvirrubra, louve-se o esforço do dirigente Gustavo Feijó, responsável por colocar os salários em dia para evitar um possível protesto e insatisfação do grupo na reta final e decisiva da competição. Sem receita extra ? só R$ 5 mil de ajuda de uma empresa ? e colaboração de alguns amigos, Gustavo pôde completar as folhas de pagamento, só dos jogadores e comissão técnica. As rendas no Brasileiro, segundo a direção, não foram suficientes para ajudar nas despesas, inclusive com descontos na ?boca do caixa? para pagamento de ações trabalhistas. Já os funcionários da parte administrativa continuam sofrendo com salários em atraso, porque Feijó, segundo ele no acordo feito com o clube, só se responsabiliza com o futebol. ?Ainda assim, temos resolvido parte destes problemas, porque sentimos a aflição dos mais necessitados?, garante. Terminada a participação do Galo no Brasileiro, outro problema de solução imediata: a rescisão dos contratos dos jogadores de outros estados, ou seja, a maioria do grupo. O montante financeiro conseguido para os acordos financeiros e passagens aéreas foi através de recursos do próprio Gustavo, da empresa HP, do empresário Heleno e sócio de Feijó, e mais uma quota ? R$ 68 mil, da FBA - Futebol Brasil Associado - que distribui verba de patrocínio para os 24 clubes participantes da Série B. Ainda faltam duas quotas e o CRB não sabe quando vai receber. Desta vez, os jogadores de outros estados receberam o dinheiro conforme o acordo, ao contrário de outras temporadas quando o clube não cumpriu o pagamento e hoje alguns processos estão na Justiça do Trabalho. Também o técnico Heron Ferreira e o preparador físico Rodolfo Maia definiram suas situações. Para a próxima temporada, com duas competições programadas, o Estadual no início do ano, e depois o Brasileiro da Série B, o CRB já tem uma base com jogadores que ficaram e mais alguns que foram emprestados. A base tem o goleiro Jair, o zagueiro Leandro Oliveira, o meia-lateral Túlio, os volantes Ânderson e Alex, o meia-atacante Wagner Wesley e o atacante Leandrinho. Dos que estão emprestados, o único que não deve voltar é Marcinho, que tem contratado com o Santos (SP) até dezembro. Mesmo que o Santos não compre o meia ao final do empréstimo, Gustavo Feijó garante que a negociação será para outro clube. Jogadores que estão se destacando nos juniores também serão convocados de acordo com as observações do novo treinador que será contratado.

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