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CRB descarta venda de im�veis para pagar d�vidas
JOÃO JOSÉ Quando o assunto no CRB é negociar imóveis para pagar dívidas, os conselheiros mais antigos e no momento mais próximos e conscientes da atual situação do clube, simplesmente desconversam. Diante de qualquer indagação sobre uma possível venda de pelo menos um imóvel, alguns conselheiros são contrários, embora outros sejam favoráveis se a negociação for para o bem do CRB, inclusive com a máxima transparência possível, evitando suspeita de ?interesses? por causa própria. O presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Barbosa Fernandes, um veterano conhecedor profundo dos problemas mais cruciais do CRB, não parece favorável ao clube se desfazer do patrimônio para eliminar dívidas contraídas ao longo de pelo menos os últimos dez anos. ?O que o CRB precisa é de um projeto amplo com alternativa capaz de acabar com os problemas. Com o trabalho de cada um de nós, os que amam verdadeiramente o CRB, poderíamos encontrar uma saída?, afirmou Fernandes, sem, no entanto, entrar em detalhes sobre as alternativas e, muito menos, admitir a possibilidade de venda de imóveis. Sugestões Desde o ano passado se vem comentando dentro do clube, que a cada dia a ?bola de neve? das dívidas vai crescendo e nenhuma atitude concreta acontece. Algumas sugestões foram colocadas no papel para análise do Conselho Deliberativo e até hoje não houve uma iniciativa. A principal sugestão foi a formação de uma comissão para fazer a avaliação de um dos imóveis ? a sede do clube, hoje desativada ? para que o clube pudesse acertar as contas com credores e, também, ser beneficiado financeiramente, ou seja, no popular, ?recebendo o troco?. Ninguém se interessou em colocar o projeto adiante e pelo visto não haverá solução, pelo menos por enquanto. Tudo, portanto, continuando como está: dívidas e mais dívidas. O presidente licenciado, José Cabral de Barros, e o em exercício, Rafael Torres, opinam favoravelmente a qualquer decisão tomada pelo Conselho Deliberativo, contanto que seja para resolver dívidas intermináveis, principalmente com ações trabalhistas e outras pendências consideradas emergenciais. ?Vamos acatar seja qual for a decisão do Conselho, mas no momento não vejo outra saída que não seja negociar um dos imóveis. Do jeito que o CRB se encontra, não há a mínima condição para administração. Ficará difícil até para quem assumir a presidência do clube, se é que alguém tenha coragem de aceitar o cargo?, detonou Rafael. ?Encontrar meios para a reestruturação do CRB em todos os níveis, é uma prioridade. Acho que o Conselho deve tomar uma atitude, sensata e até corajosa, para tentar resolver os problemas financeiros. Entendo perfeitamente que a maioria dos conselheiros não quer se desfazer de um imóvel que está na história do clube, mas há a urgente necessidade de uma tomada de providências?, afirmou Cabral. Não há dúvida, portanto, que o CRB vai ter de procurar outras alternativas, porque venda de imóvel está totalmente descartada, se depender dos ?caciques? do clube. A tendência pode ser, tomara que não, o CRB continuar mergulhado em crise com dívidas que não acabam mais. Sem receita de patrocínio ? só recebe uma ajuda de R$ 5 mil de uma empresa ? e sem lucro nas arrecadações dos jogos, pode ser difícil o trabalho da nova diretoria em 2005. Nenhuma das rendas no Brasileiro, segundo o dirigente Gustavo Feijó, que guardou todos os borderôs, não houve praticamente um lucro aceitável. Para se ter uma idéia disso, basta dizer que no último jogo, diante do América-RN, de uma renda de pouco mais de R$ 32 mil, o CRB só recebeu 300 reais. As despesas do próprio jogo e mais desconto de acordos de dívidas trabalhistas e outros credores, levaram toda a arrecadação.