Esportes
Ronaldo dispensa coroa de rei do futebol nacional
Outrora amigos, eles estiveram muito próximos de formar uma das mais poderosas duplas de ataque do Brasil numa Copa do Mundo. Hoje desafetos, Ronaldo e Romário trocam farpas e usam meios diferentes para se colocar abaixo apenas de Pelé na história da seleção brasileira. Enquanto o herói do tetra afirma para quem quiser ouvir que, após a geração da Copa de 70, foi o melhor do país, o ?Fenômeno? apela às estatísticas para se colocar à frente ao menos de Romário, a quem julga pretensioso, na história da seleção. ?Acho que o jogador se auto-intitular como o melhor é pretensão demais. Nem tenho esse costume?, afirmou o astro do Real Madrid, da Espanha. ?Os números estão aí para quem quiser analisar, quem quiser comentar. Não quero ser o Pelé, quero ser o Ronaldo. Não tenho pretensão nenhuma em ser o melhor da história?, completou o atacante em entrevista na concentração do Brasil em Maceió, onde enfrenta a Colômbia, hoje pelas eliminatórias. Ao anunciar sua despedida internacional, no fim do mês passado, Romário foi enfático ao se declarar o segundo melhor brasileiro de todos os tempos. Mas o atacante do Fluminense, em franca decadência, já havia ido mais longe. Em fevereiro, afirmou à TV Bandeirantes que, ao lado do ?Rei? e de Maradona, ele estava no pódio na história da bola. O ocaso de Romário, 38, faz com que Ronaldo não entre com tudo na discussão. O pentacampeão vê nos gols que já fez e que ainda pretende marcar com a camisa do Brasil a resposta ao antecessor, que considera Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona, superior ao ex-?peixe?. ?Nunca tive esse objetivo de passar o Pelé (em gols pela seleção)?, afirmou Ronaldo, apesar de ter colocado tal meta no início das eliminatórias, em setembro de 2003, ?mas posso entrar para a história da seleção brasileira como o maior artilheiro. Não é fácil, são números difíceis de alcançar, mas tenho toda a possibilidade de chegar?, completou o ?Fenômeno?. Bifurcação Romário faz questão de frisar que, pessoalmente, não tem nada contra Ronaldo, mas declarou em fevereiro, também à TV Bandeirantes, que o ex-parceiro poderia tê-lo ajudado a permanecer no grupo que disputou a Copa do Mundo de 1998, na França. Uma lesão muscular provocou o corte do tetracampeão. Até então, o atacante do Fluminense, então no Flamengo, não escondia o ânimo em fazer dupla com Ronaldo, que, com 17 anos, foi reserva na campanha do título mundial nos Estados Unidos, em 1984. O início da carreira de ambos também guarda muitas semelhanças. Garotos vindos do subúrbio carioca, Romário e Ronaldo despertaram cedo para o estrelato, e logo deixaram o Brasil rumo ao futebol europeu.