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Amador, p�lo aqu�tico do Brasil vive na encruzilhada

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ABIDES DE OLIVEIRA Carlos Eduardo Carvalho, 45, tem sua vida ligada ao pólo aquático. São 32 anos dedicados ao esporte, 17 deles como jogador da seleção brasileira e outros cinco como técnico da mesma equipe. Carlos Eduardo era capitão do Brasil nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, última vez que o país disputou uma Olimpíada na modalidade. Atualmente, comanda o time do Fluminense-RJ e a seleção brasileira masculina. O treinador esteve em Maceió para ministrar um curso de iniciação ao pólo e concedeu a seguinte entrevista à GAZETA: O que aconteceu com o Brasil para ficar 20 anos sem participar de uma Olimpíada? Carlos Eduardo ? Primeiro, os critérios de classificação são rígidos. A maioria dos esportes, como o futebol, por exemplo, oferece vaga para a Olimpíada por continente. No pólo aquático é diferente, se você não garante classificação no Mundial ou na Liga, terá que ser campeão dos Jogos Pan-Americanos (o Brasil perdeu o ouro para os EUA no Pan de 2003). Depois disso, só o Pré-Olímpico, que tem a presença de equipes fortes, como a Croácia (campeã européia). É um torneio difícil para o nosso pólo, que ainda está se desenvolvendo. Segundo, durante esses 20 anos, muitas coisas aconteceram, como desorganização e falta de estrutura dos clubes. Mas isto vem sendo revertido aos poucos pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) e federações. Mas os clubes vêm fazendo sua parte? Os clubes do Rio de Janeiro e São Paulo têm dado, sim, mais apoio às suas equipes, que são a base da seleção brasileira. Isto vem contribuindo para que o pólo aquático venha a obter resultados melhores. Qual a meta para os próximos anos? Atualmente estamos realizando um trabalho voltado para os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. A meta é ser campeão e classificar o Brasil para a Olimpíada de 2008. Os EUA é o adversário a ser batido, hoje, na América? Como está o Brasil em relação aos norte-americanos? Depende muito do que será feito. Em 2001, fomos disputar as eliminatórias para o Mundial na República Dominicana. Ficamos em segundo, perdendo a final por 7 a 5 para os EUA. Dois anos depois, a força e qualidade do time dos EUA cresceram e nós ficamos na mesma. Por quê? Eles têm mais estrutura, reforço financeiro e são a única seleção permanente do mundo. Por isso, eles ultrapassaram a gente. No Pan de 2003, perdemos a final por 13 a 9, quatro gols de diferença. O que mostra a realidade: os EUA estão a três, quatro degraus do Brasil. Então seria importante uma seleção permanente para se igualar aos EUA? Estamos em processo de criar a seleção permanente. Acredito que a partir de janeiro de 2005. Um dos maiores jogadores e atacantes do mundo, o italiano Leonardo Sottani, está se naturalizando brasileiro. Ele será uma peça importante na equipe. Acho que se o Brasil fizer uma seleção permanente, trabalhar sério, disputará a vaga, no Pan do Rio, com os EUA e terá tudo para chegar às Olimpíadas. Como está o pólo aquático do Brasil em relação à elite mundial do esporte? Vamos agora para a quarta edição da Liga Mundial. Nas três primeiras participaram os sete melhores do mundo e o Brasil. Por que isto aconteceu? A Fina (Federação Internacional de Esportes Aquáticos) avaliou que, entre os países emergentes, o Brasil foi o que mais evoluiu, tanto na organização, como na técnica. O pólo do Brasil é um esporte profissional? Hoje o esporte em geral é profissional. A Fina declarou que o pólo aquático amador do Brasil chegou a seu limite máximo. Agora o pólo está numa encruzilhada: ou se torna profissional, dentro de uma realidade brasileira, ou ficará estagnado. A CBDA pretende que a seleção permanente seja profissional, mas será necessário recurso para que isto aconteça. Não dá para um jogador trabalhar, estudar e depois treinar. Jogadores x trabalho, isto prejudica? Sem dúvida. Um exemplo é a estrutura na Espanha. A preparação é a mesma do Brasil, mas a diferença é que todos vivem do pólo aquático. Aqui, os atletas não têm descanso, eles estudam, trabalham e treinam. O treino é a última tarefa do dia, quando eles já estão cansados. Eu tenho atleta médico, economista. Isto é um amadorismo? Total. E é com isto que a CBDA está querendo acabar. Não nos clubes, pois ela não gerencia, mas na seleção permanente. Dá condições a 20 atletas, que serão pré-selecionados. Se isto acontecer, não tenho dúvida de uma nova evolução do pólo brasileiro.

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