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Goleiro falha e massagista tira bola do gol

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FERNANDA MEDEIROS Imagine dois clubes de grande rivalidade se enfrentando em um estádio lotado. Jogo empatado e uma das equipes com a grande chance de conseguir a vitória, através de um gol de um de seus principais artilheiros, que fica cara a cara com o goleiro. A festa seria total. Agora imagine a mesma situação de forma diferente. De repente surge uma figura estranha ao campo e na hora H, quando o artilheiro vai marcar o gol e correr para o abraço, ela parte por detrás da trave e chuta a bola para fora, impedindo-a de cair no fundo da rede. E o jogo termina empatado. Imaginou? Pois é. Essa inusitada história aconteceu em Maceió, em abril de 1976. Estádio Rei Pelé lotado, cerca de 30 mil torcedores ? naquela época o torcedor ia mesmo ao estádio assistir a grandes jogos e a capacidade de público do Trapichão também chegava a esse número. O jogo? Não poderia ser outro: o Clássico das Multidões CSA x CRB. ?Era uma partida válida pelo Campeonato Alagoano. Estava empatada e o CRB precisava da vitória para passar ao quadrangular?, recorda Lauthenay Perdigão. Três personagens participaram diretamente dessa história: o árbitro da partida, Pedro Rufino; o ponta-esquerda Silva, do CRB; e o massagista Castanha, do CSA. Em determinado tempo de jogo, o lateral-direito Espinosa (CRB) cobrou escanteio. Pularam dentro da área o goleiro Paulo Sérgio (CSA), o centroavante Joãozinho Paulista (CRB) e o zagueiro Zé Preta (CSA). A bola fez a trajetória e o goleiro saiu batido. ?Daí, o Silva veio com grande categoria, conseguiu driblar o Paulo Sérgio e chutou. Quando a bola ia para o nosso gol eu estava por trás da trave e entrei em campo. Chutei a bola e a desviei das redes?, lembra Cícero Lopes de Araújo, o Castanha, massagista do time azulino. ?Eu senti uma raiva danada. Ainda parti para dar nele, mas ele correu e entrou no vestiário e todo o banco do CSA veio em cima de mim e me segurou?, conta Averaldo Dantas da Silva, o Silva, um dos maiores ponteiros do futebol alagoano. ?A torcida regatiana ficou atônita, só faltou entrar em campo para dar no Castanha. Foi a maior confusão?, emenda Pedro Rufino, o árbitro da partida. Diante de tal situação, Rufino se viu em maus lençóis. ?Fiz o que determina a lei do futebol. Dei bola ao chão, no mesmo local onde ela teve contato com o massagista. Não tinha outra opção. Não poderia dar o gol porque ele não aconteceu?, justifica. Então quando a bola tocou o solo, o goleiro Paulo Sérgio foi nela. Segundo Rufino, um lance considerado legal. ?O goleiro poderia ter feito isso porque a bola já estava em jogo. Ele pegou a bola dentro da área. E para ser sincero, eu senti um grande alívio, pois vi que o jogo tinha continuado normalmente, apesar de o inferno ter se instalado em todo o estádio, com a torcida inflamada?, revela o ex-árbitro.

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