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Pernambuco segue afastado da elite do futebol

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Rio de Janeiro - Em 23 de outubro, quando o Náutico foi eliminado da Série B após perder para o Marília, a sirene instalada na sede do Sport soou para festejar a derrocada do adversário local. Tradicionalmente, o item só é acionado para comemorar as vitórias rubro-negras. Àquela altura, dos times pernambucanos, apenas o Santa Cruz mantinha vivo o sonho de disputar a elite do futebol brasileiro em 2005. Passaram-se sete dias e o clube coral também pulou fora da disputa após o empate com o Brasiliense. Desta vez, no entanto, a Ilha do Retiro continuou muda. Talvez por constatar inconscientemente que, rivalidades à parte, pelo quarto ano consecutivo Pernambuco não terá representantes na Primeira Divisão. Em 2001, quando Sport e Santa Cruz foram rebaixados à Segunda Divisão, houve comoção nacional. Afinal, pela primeira vez na história, nenhum clube do Estado participaria da elite do futebol brasileiro. Porém, os sucessivos fracassos na Série B começam a tornar a situação normal e corriqueira. Na visão do presidente do Santa, José Neves, há um benefício regional no fato de todos os clubes de Pernambuco estarem no mesmo nível. ?Existe um problema em subir apenas um time do Estado para a elite e ficarem dois: um desnível no cenário regional. Assim como aconteceu nos anos 90, quando o Sport ganhou a maioria dos estaduais. Nós e o Náutico estávamos na Série B e eles (Sport) na Série A. Existe essa diferença porque o investimento é muito maior em um time que está na elite?, declarou o dirigente. Desde a primeira edição do Campeonato Brasileiro, em 1971, Náutico, Sport e Santa Cruz colecionaram campanhas memoráveis e outras lamentáveis na Série A. Contudo, protagonistas ou meros participantes, os pernambucanos sempre estiveram presentes. Santa Cruz Em 1975, o Santa Cruz quase se transformou no primeiro nordestino a vencer o Campeonato Brasileiro (fato que só ocorreria 12 anos depois por intermédio do arqui-rival Sport). Após uma trajetória fantástica nas fases iniciais, o time tricolor chegou às semifinais contra o Cruzeiro. Apesar dos dois gols de Fumanchu, um dos maiores jogadores da história do clube, e do estádio José do Rego Maciel abarrotado, os mineiros saíram vencedores por 3 a 2. Mesmo com o revés, o quarto lugar daquele ano segue como a principal campanha coral na história do certame nacional. Três anos depois, o Santa também fez bonito e chegou às quartas-de-final, mas acabou eliminado pelo Internacional. Depois da notável década de 70, contudo, o rendimento tricolor caiu bruscamente. Entre 1980 e 2000, por exemplo, o tricolor de Recife só participou da Série A em nove oportunidades. A alternância em meio às divisões lhe deu a fama de ?clube gangorra?. A última participação na elite aconteceu em 2001, quando terminou na 25ª colocação entre os 28 participantes. De lá para cá, o Santa Cruz sempre entrou no G-8 da segunda divisão, mas vem ficando pelo caminho. Nesta temporada, a equipe esbarrou na irregularidade e, assim como o Náutico, tombou no quadrangular semifinal. Para o presidente José Neves, essa falha nos momentos decisivos pode estar relacionada aos anos afastado da divisão de elite. ?A ausência do Santa Cruz na Série A, de 2001 para cá, traz um certo trauma. Estamos há dois anos nos recuperando, sem cometer loucuras. Até o Pernambucano de 2005 vamos manter assim, mas para a Série B do ano que vem ousaremos mais?, disse.

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