Esportes
Quando a dor n�o � o limite no esporte
ABIDES DE OLIVEIRA Conviver com a dor é um fato comum para o atleta, porém não é mais um limite. Sofrer contusão também passou a ser um fato comum e muitas vezes deixa de ser empecilho para praticar um esporte. Muitos atletas, profissionais ou não, convivem com uma lesão sem solução, mas mesmo sabendo dos riscos não abrem mão de competir e manter-se em atividade. ?Vivemos um momento em que o homem ultrapassa todos os seus limites. Mas ele precisa ter a percepção de que não é o todo de um poder, com relação ao seu corpo. Esse corpo também necessita de reparos e não suporta, muitas vezes, aquela vontade grande de superação. Isso tem que ter uma sintonia. O atleta, a partir da informação médica, deve perceber a hora de recuar e parar, pois poderá colocar sua vida em risco e sofrer limitações definitivas?, avalia a médica Roseane Ferraz, especialista em medicina esportiva. O técnico de natação Luís Júnior afirma ser comum atletas conviverem com uma lesão e mesmo assim permanecerem em atividade. ?Se existisse competição voltada para eles, o número de inscritos seria grande?, brinca. Ele diz que é importante o atleta ter consciência de sua situação física. ?Com lesão não se brinca, é preciso estar atento para buscar ajuda médica?, alerta Júnior. Crônica Giuliano Raposo Rodrigues, 32, sofre de dores crônicas nos joelhos. Ex-jogador de voleibol, o problema surgiu há três anos, quando decidiu disputar a Meia Maratona do Rio de Janeiro. ?Quando corria, as dores eram insuportáveis. Queria intensificar o treinamento, administrar a dor, mas não conseguia?, relembra. Após procurar ajuda médica, as dores nos joelhos tiveram dois diagnósticos: crodomalacia (desgaste da cartilagem que fica por trás da patela) e síndrome dolorosa fêmoro patelar. ?No primeiro, recomendaram hidroterapia. Já no segundo, fortalecimento para as coxas. Infelizmente nenhum dos tratamentos surtiu efeito?, diz Giuliano. O atleta acredita que tenha herdado a doença da época do voleibol ? parou de jogar há quase 10 anos. A solução, diz ele, foi encontrada na natação. ?Me encontrei nesse esporte, que não causa dor e impacto nos joelhos?, completa.