Esportes
Longe do para�so
ABIDES DE OLIVEIRA No dia 28 de janeiro de 2005 estará completando 18 anos da última partida de um time alagoano em Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Nesta data, em 1987, o CSA enfrentou o Internacional-SP, em Limeira, jogo de despedida do clube no Nacional de 1986, que só acabou no ano seguinte, o qual perdeu por 2 a 0. Em Maceió, a última atuação de um clube de Alagoas no Brasileiro da Primeira Divisão ocorreu no dia 25 de janeiro de 1987, no Estádio Rei Pelé, quando o CSA foi derrotado pelo Cruzeiro por 1 a 0. O CRB chegou a participar do Campeonato Nacional de 1986, mas em um torneio de acesso à divisão de elite, com 36 clubes, no qual apenas os campeões dos quatro grupos existentes garantiam vaga para a segunda fase da Primeira Divisão. O Galo acabou eliminado. Enquanto o time azulino participou do torneio principal, que reuniu 44 clubes. O CSA conseguiu chegar à segunda fase do Brasileiro, mas não foi adiante na competição. O clube ficou em 26º lugar, com sete vitórias, dez empates e nove derrotas. Já o CRB terminou em 51º lugar (entre os 80 times ? 36 do torneio de acesso e 44 do principal), com três vitórias, dois empates e três derrotas. Depois da edição de 1986, nunca mais o futebol alagoano voltou a disputar o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. São 18 anos sem a presença de Alagoas na elite nacional. A decadência alagoana, a partir de 1987, foi tão grande, que em 1988, CSA e CRB sequer se fizeram presentes no Nacional. O Estado se restringiu à Terceira Divisão com o Capelense. Além de CSA e CRB, o ASA foi outro time de Alagoas que disputou a Primeirona. Na edição de 1979, quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) inflacionou a competição com 94 equipes (recorde em Brasileiros). O alvinegro arapiraquense terminou o único nacional que participou em 51º lugar com seis vitórias, três empates e sete derrotas. Atualmente na Série B do Brasileiro, o CRB, que não participa do Nacional da Primeira Divisão desde 1984, é o time alagoano com mais chance de um dia voltar à elite nacional. O presidente do Conselho Deliberativo do Galo, Roberto Fernandes, afirma que a diretoria do clube pretende montar uma boa estrutura para 2005. ?A meta é subir para a Série A?, declara. Situação difícil Para Joãozinho Paulista, ídolo do CRB nas décadas de 70 e 80, o retorno de Alagoas à Primeira Divisão está muito longe de acontecer. ?Os clubes têm que se estruturar melhor?, completa. Naquela época, afirma Joãozinho Paulista, eram contratados pelos clubes alagoanos jogadores bons. ?Uma das coisas que falta é competência nas contratações. Hoje, um time chega a utilizar mais de 50 jogadores numa só competição. É muito jogador e pouca qualidade?, comenta. Lauthenay Perdigão, diretor do Museu dos Esportes, lembra que no início a Primeira Divisão era disputada pelos campeões estaduais. ?Atualmente, se formos analisar, os melhores públicos são registrados nos clássicos estaduais. Mesmo assim, os campeonatos locais são desvalorizados pela CBF?, critica. O presidente do CSA, Ricardo Coelho, diz que após a reformulação do Brasileirão, em 93, a CBF só privilegiou os grandes clubes do país. ?A entidade não valorizou os clubes pequenos, deixando-os nas divisões de acesso?. Coelho lembra que a Copa João Havelange, em 2000 (organizada pelo Clube dos 13), foi uma oportunidade de CSA e CRB subirem para a Primeira Divisão. ?Infelizmente os times alagoanos não souberam aproveitar a oportunidade?. Outro fator, segundo o dirigente, é que o futebol atingiu um alto nível profissional. ?Isto requer mais recursos. O que para os times alagoanos é difícil, pois nossa realidade é diferente dos grandes centros?, completa Coelho. Roberto Fernandes afirma que o financeiro ainda é o principal problema. ?Alagoas não tem potencialidade para gerar renda para seus clubes. Infelizmente vivemos esta situação?.