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Brasileiros s�o alvo de racismo na Espanha

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São Paulo - Na terça-feira, no empate em 1 a 1 entre Real Madrid e Bayer Leverkusen, o estádio Santiago Bernabeu, em Madri, foi palco da segunda manifestação de racismo no futebol em uma semana. Os brasileiros Roque Júnior e Juan, ambos do Bayer, receberam os mesmos tipos de insulto de que foram alvos os jogadores negros da seleção inglesa uma semana antes. Além da reação politicamente correta de condenação dos atos, setores da sociedade espanhola enxergam na divulgação das lamentáveis cenas um duplo complô inglês: contra a candidatura da cidade para organizar as Olimpíadas de 2012 (Madri é uma das rivais de Londres) e contra a seleção espanhola nas eliminatórias da Copa do Mundo (a Espanha está no mesmo grupo da Inglaterra). O diário espanhol ?As? se mostrou ?surpreso? com a repercussão do incidente. De acordo com a publicação, investigações feitas pelo Real Madrid encontraram uma câmera de outra emissora inglesa, a ?Sky Sports?, a poucos metros do setor ocupado pela torcida ?Ultra Sur?, que recebe respaldo de parte dos dirigentes merengues. Toda vez que Roque Júnior e Lúcio pegavam na bola eram chamados de ?mono? (macaco, em espanhol). Além disso, manifestações nazistas por parte da facção foram flagradas pelas câmeras de televisão. O ?As? ouviu um dirigente do clube espanhol não-identificado para escrever que a ?Sky Sports? usou a colocação de suas câmeras de forma proposital. ?Está claro que foi premeditado. Eles manipularam a informação e tentaram convencer todos de que muitos torcedores de nossa equipe proferiram gritos racistas contra estes jogadores?, disse a fonte do jornal. Já o ?El País?, maior e mais respeitado periódico espanhol, destacou o fato de o árbitro Allain Hamer, de Luxemburgo, que apitou Real x Bayer, não ter incluído o incidente na súmula e tratou as manifestações captadas pela emissora de televisão inglesa ?BBC? como ?supostas cenas de racismo?. O Real emitiu um comunicado oficial repudiando as manifestações na partida. Mas mesmo nele, há uma clara tendência a contemporizar o acontecido. ?O Real Madrid assegura que, se ocorreram incidentes de fundo racista, foram tão minoritários que não prejudicou nada do que acontecia em campo?. Não é o que relata Roque Júnior. Em entrevista à ?Sportv? ontem, o jogador afirmou que ?logo que a gente entrou em campo vi que eles já começaram a fazer esse tipo de manifestação. Já não cabe mais isso na vida normal de qualquer pessoa e muito menos no esporte. Passaram as imagens na TV. Acho que cabe uma atitude da Fifa sobre esse assunto. Não pode passar em branco, porque não é a primeira vez. Acho que a Fifa tem que fazer alguma coisa?, completou. A polêmica sobre o racismo na Europa começou há cerca de um mês, quando o técnico da seleção espanhola, Luis Aragonés, disse em treinamento para o atacante Reyes que ele era ?melhor do que aquele negro de m...?, em referência ao francês Thierry Henry, companheiro do jogador espanhol no Arsenal, da Inglaterra. As palavras também foram captadas por emissoras de televisão.

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