Esportes
Funcion�rios pedem socorro a CRB e CSA
FERNANDA MEDEIROS O Natal e as festas de fim de ano para os funcionários do CSA e CRB não devem ser nada agradáveis. Com os salários atrasados, eles lamentam a situação de penúria e fazem um apelo aos dirigentes dos dois maiores clubes do futebol alagoano: querem dinheiro para pagar as dívidas e as despesas mensais como água, energia, telefone, alimentação, entre outros gastos do dia-a-dia. E, se sobrar algum trocado, eles querem passar o Natal ao lado da família, com direito ao menos a uma ceia natalina. Mas se não há dinheiro para as despesas diárias e mensais, imagine para o peru e a ceia de Natal. Essas ?mordomias? eles terão de esquecer, pois estão totalmente descartadas. A não ser que até antes das festas de fim de ano os recursos apareçam na Pajuçara e no Mutange. ?Será um Natal pobre. Estamos sem um tostão no bolso. As dívidas estão acumuladas e nenhum dirigente aparece para dar satisfação. Estamos há cinco meses sem ver a cor do salário?, reclama o treinador do juvenil e do infantil do CRB, Guilherme Farias. ?Os dirigentes são uns irresponsáveis, pois ficam jogando o problema de um lado para o outro. O presidente do Conselho Deliberativo (Roberto Fernandes) disse que essa questão é com o presidente do CRB, José Cabral, só que ele não aparece no clube?, completa. Contas atrasadas Guilherme, indignado com essa situação, mostrou à reportagem da GAZETA DE ALAGOAS o amontoado de contas e carnês para pagar. ?Está tudo atrasado: luz, telefone, cartão de crédito, prestações no comércio, plano de saúde?, revela, acrescentando que fora os cinco meses referentes a este ano, ainda tem mais quatro meses do ano passado em atraso. ?Também temos o 13o salário, que nunca recebemos, e as férias?, disse o treinador, que trabalha no CRB há 11 anos. ?Vim para cá em 1984, saí em 1989 e voltei em 1993. Hoje estou nessa situação. Não estou passando fome porque minha mãe está ajudando, fazendo a feira?, diz Guilherme, que é solteiro e reside com a mãe e uma irmã. Situação pior vive o roupeiro das categorias de base do Galo da Pajuçara, Adelmo do Nascimento, já que é casado e pai de dois filhos. Ele afirma que só não está passando fome por- que a esposa trabalha e ajuda nas despesas. Assim como Guilherme, ele não recebe salários há cinco meses. Pedreiro Para amenizar o sofrimento, Adelmo está fazendo bicos. Arranjou um serviço de pedreiro para ganhar ?um dinheirinho? e poder compensar a falta do salário no bolso. ?Mas é apenas um bico, não dá para nada?, observa ele, que está no clube há dois anos e, segundo informou, recebe salário de R$ 240. ?Eu recebia R$ 300, mas foi diminuído?, afirma. Além da ajuda da mãe, o treinador Guilherme Farias diz que recebe ajuda de pais de atletas do infantil e juvenil do CRB. ?De vez em quando eles me dão 10, 20, 30 e até 100 reais para ajudar?, revela. O preparador de goleiros Adriano e o preparador físico Carlos Jorge também estão sem receber salários há cinco meses. ?A folha dos funcionários das categorias de base ? um total de quatro pessoas ? não chega a dois mil reais e os dirigentes dizem que não têm dinheiro para pagar?, informa Guilherme.