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Futebol feminino: no campo dos exclu�dos

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FERNANDA MEDEIROS Elas são pessoas simples, em sua maioria estudantes, com idades de 15 até 38 anos, algumas são casadas, donas de casa e têm filhos. Nutrem uma paixão em comum: o futebol. São as garotas que praticam esta modalidade esportiva, nos vários times femininos que existem no Estado. Elas lutam para ficar em evidência e ter as mesmas oportunidades que os homens. ?O que nos falta é apoio e realização de campeonatos desta modalidade?, lamenta a jogadora Luciana, 25, volante do time do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), um dos finalistas da I Copa Seel de Futebol Feminino. ?Quando há as competições, sobretudo fora do Estado, não temos condições de participar, pois falta patrocínio?, emenda a atleta. Segundo ela, além desse problema, o futebol enfrenta outro pior: o preconceito. ?Esse emperra demais o desenvolvimento da modalidade?, opina, acrescentando que o preconceito vem dos vizinhos, amigos e colegas de trabalho. ?Muitas dessas pessoas ainda vivem na época em que futebol era apenas esporte para homem. Mas graças a Deus, temos o maior apoio: o da nossa família?, afirma Luciana, que há dez anos pratica futebol e faz o curso de técnica em enfermagem. Para praticar o futebol feminino em Alagoas, limite de idade não é problema. ?Temos atletas de 16 até 32 anos. Apenas quando há disputa de infantil, juvenil ou profissional elas se dividem e jogam cada uma em sua categoria?, explica o treinador do União Futebol Clube, Adeilson Cassimiro. O time é do Tabuleiro, mas possui jogadoras de bairros adjacentes e foi fundado há dois anos. Marta Adeilson também lamenta a falta de patrocínio e incentivo para a prática do futebol feminino. ?Esperamos que com o sucesso da Marta, meia-atacante da Seleção Brasileira, a modalidade se desenvolva em Alagoas. Se tivéssemos apoio, muitas Martas surgiriam em nossos gramados, pois temos excelentes jogadoras espalhadas pelo Estado?, afirma. Assim como Luciana, a colega de clube, a atacante Maria Verônica, a Quinha, 27, considerada a melhor jogadora do Cesmac, reclama da falta de incentivos para o futebol feminino. ?Se tivéssemos uma competição, pelo menos três vezes ao ano, teríamos oportunidade de crescer. Infelizmente não temos?, disse a atleta, que estuda administração de empresas no Cesmac e trabalha com assessoria de propaganda. Luciana e Quinha já jogaram juntas no Dínamo, comandado na época pelo ex-jogador Jorginho Siri. ?Fomos campeãs do Estado?, recordam. Na opinião delas, além da realização de torneios femininos no Estado, deveria haver a convocação de uma seleção alagoana de futebol feminino, com jogadoras dos clubes da terra. ?Com essa seleção poderíamos disputar torneios fora do Estado?, observa Quinha, artilheira do Cesmac, com cinco gols assinalados.

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