Esportes
Adriano se candidata a melhor do mundo em 2005
São Paulo - Fim de ano é época de retrospectiva, e o atacante Adriano tem direito a uma particular em 2004. Foi dos pés dele que o Brasil, com seu time B, bateu a favorita Argentina na final Copa América. Uma semana depois sofreu a morte de seu pai. Depois voltou à Itália e brilhou na Inter de Milão, sendo o goleador da península. Mas agora também é tempo de planos. E se Adriano repetir o desempenho em 2005 é candidato a igualar o feito de Ronaldinho e estar entre os três melhores do mundo. O próprio Thierry Henry, bi vice do mundo, diz que Adriano é favorito para estar na cerimônia de Zurique no final do próximo ano. Pelo sucesso e o estilo aguerrido ganhou o apelido de ?Il Imperatore?, em referência ao mandatário romano. ?O ano foi ótimo. Teve o jogo de minha vida, a vitória sobre a Argentina. Nunca vou esquecer. A coisa triste foi perder meu pai. Por isso, daria nota oito para 2004?. Fora isso, recusou uma oferta de 70 milhões de euros feita pelo Chelsea. Nada mal para uma garoto que saiu da Vila Cruzeiro, uma dos lugares mais pobres do subúrbio carioca. ?Não passei fome, mas repetia vários dias aquele arroz com salsicha?, conta o jogador que agora tem à disposição toda a gastronomia da Lombardia. Desde os oito anos a avó o acompanhava no trajeto entre a favela e a sede flamenguista da Gávea. Dois ônibus, de graça, afinal, era uma aposentada e um garoto. ?Se eu deixasse, ela vinha comigo de carro até nos treinamentos da Inter?, brinca com a senhora que passa dois meses do ano em Milão com o neto. O passado pobre de Adriano foi tema de várias matérias na Itália. Seu empresário, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, até organizou a subida da favela por parte de uma equipe de TV. ?Para eles, chama muita atenção o quanto foi difícil para eu chegar onde cheguei e tudo o que passei na vida?, diz o atacante de 22 anos. ?Lá é perigoso para quem não conhece. O pessoal do bairro se sente seguro?, diz Adriano, que afirma ter ficado preocupado que surja uma onda de seqüestro de parentes de boleiros após o caso de Robinho.