Esportes
Brasileiros que correm o mundo s�o persistentes
?Corpo mole?, uma expressão muito conhecida pelo torcedor brasileiro, não pode ser aplicada aos chamados ciganos do futebol. Pelo contrário, persistência é a palavra-chave para quem corre o mundo em busca de oportunidades. Muitos dos jogadores que voltaram ao Brasil este ano, depois de passagens frustradas no exterior, já estão novamente na estrada. Renato Dracena, irmão do zagueiro Edu Dracena (Cruzeiro e com passagens pela seleção brasileira), é um bom exemplo. Começou o ano no Teuta, um time de futebol da 1ª Divisão da Albânia. Em março deixou o clube e voltou ao Brasil. No início de julho se apresentou a um time da 3ª Divisão italiana, onde está até hoje. ?Eu nem sei o nome do time, mas parece que ele está bem?, contou João Luís de Souza, o ?seu Adão?, pai de Renato. A aventura de Renato Dracena começou em outubro de 2002, quando foi visitar o irmão Edu Dracena, na época no Olympiakos, da Grécia. Literalmente, pretendia fazer um ?reconhecimento do gramado?. Em janeiro do ano passado, decidiu ir para a Albânia, com salário de US$ 3 mil por mês e promessas de bons prêmios. ?O ?bicho? (prêmios por vitórias) era alto, mas se o time perdia, eles descontavam do salário?, explica seu Adão. ?No final das contas, a gente ficava devendo?. Exceto os jogadores ?de ponta?, ninguém vai para o exterior para resolver a vida, acredita Carlos Garrit, coordenador-técnico do CFZ, o time do Zico. ?Se o salário aqui é de R$ 2 mil, ele aceita ganhar 2 mil dólares lá fora. Quando não dá certo em um lugar, ele tenta em outro. É assim que funciona?. Garrit sabe o que diz. Pelo menos três ciganos que rodaram o mundo estão atualmente no CFZ, do Rio. O primeiro a retornar foi Arthur Teixeira Viegas, o Arthur, liberado pelo Universidad Católica, do Equador, e desde julho atleta do CFZ. Antes de tentar a sorte no futebol equatoriano, Arthur perambulou por vários clubes de segunda e terceira divisões do futebol alemão e inglês. O zagueiro Leonardo, também do CFZ, tem duas tentativas radicais na bagagem: primeiro na Indonésia e depois na Índia, de onde retornou no mês passado. Ademar, seu colega de zaga no mesmo CFZ, também traz no currículo uma temporada no futebol húngaro, depois de uma breve passagem pelo futebol japonês.(TN)