Esportes
Libertadores: premia��o empobrece clubes
São Paulo - O jogador brasileiro está indo embora. Para a Europa, Ásia e até Oriente Médio. Nossa economia está enfraquecida, a extinção do passe facilitou a fuga, mas é fato também que os nossos dirigentes são pouco criativos e exigentes. O que fazer para melhorar a situação? Uma das saídas seria negociar melhores contratos com as TVs e exigir mais das confederações. Pegue-se o exemplo da Europa: lá, os clubes não se vendem a troco de bananas. A findada Euro-2004 e a Liga dos Campeões em curso renderam ou rendem muito para seleções e clubes. Na Euro, a campeã Grécia embolsou cerca de 22,5 milhões de dólares. Na Liga, o campeão vai amealhar 20,5 milhões de dólares, além do dinheiro da televisão, distribuído de acordo com a importância das equipes. Na temporada passada, por exemplo, o Porto recebeu 23,7 milhões de dólares da TV. Ou seja: o campeão pode arrecadar até 50 milhões de dólares entre a premiação e o dinheiro da TV. Migalhas Enquanto isso, os clubes sul-americanos dividem migalhas. Na última Libertadores, o Once Caldas ganhou da Conmebol míseros 1,9 milhão de dólares por ter sido campeão. O São Paulo, time brasileiro com melhor desempenho ? parou nas semifinais ?, ficou com 1 milhão de dólares. Se o Tricolor tivesse participado da Liga dos Campeões e fizesse a mesma campanha, teria levado da Uefa 12,5 milhões de dólares ? isso sem contar vitórias e empates somados ao longo da competição, que também são premiados. O dinheiro da TV? Não há nas competições promovidas pela Conmebol, que utiliza parte da verba da venda dos direitos de transmissão para premiar os clubes. ?A CBF poderia nos ajudar a pressionar a Conmebol para que ela melhorasse os prêmios?, afirma o vice-presidente do Santos, Norberto Moreira da Silva: ?Sozinhos, não temos força para pressionar.? No Brasil a situação também é dramática. A CBF não dá nenhum centavo para os participantes do Campeonato Brasileiro. Dinheiro, só mesmo o da televisão. A Rede Globo, que detém os direitos de transmissão, negocia diretamente com os clubes. O bolo é fatiado de acordo com o desempenho dos times no Ibope. Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Flamengo e Vasco, os times ?bons de tevê?, recebem da emissora 14 milhões de reais, ou seja, cerca de 4,6 milhões de dólares. ?A partir de 2006 a situação vai mudar, pois encerra-se o atual contrato?, afirma Jesus Lopes, diretor de Planejamento e Desenvolvimento do São Paulo. Mas um dirigente de um importante clube brasileiro, que pediu anonimato, acha difícil: ?Infelizmente, no Clube dos 13, é um querendo comer o outro, não há união?.