Esportes
Jogadores atuam com fome; alimenta��o s� ap�s a partida
Outro episódio que deixou estarrecida a imprensa esportiva foi um fato ocorrido na estréia do time no campeonato contra o Penedense, em Penedo. ?Os jogadores do time profissional só almoçaram depois da partida e, mesmo assim, arroz com carne. Em outro jogo no interior, a equipe júnior dividiu as marmitas de quentinhas com o time profissional. Isso não existe?, revelou um atleta das divisões de base do clube que não quis se identificar. O relato do jogador aconteceu após o massacre que o time sofreu do Corinthians por 19x0 na preliminar. ?Chegou a faltar até água para os jogadores tomarem em Arapiraca?, denunciou o goleiro do time profissional, Henrique, após o jogo em que levou sete gols. ?Mas a culpa não é da minha defesa. Todos fazem o que podem?, justifica. Outra coisa inusitada no Dimensão é que quem responde pelo comando técnico da equipe de juniores é o próprio presidente do clube, Claudemilson Fernandes. ?Ele é quem dirige o nosso time, porque não tem técnico?, revelou o atleta Makskiel, 17 anos, que mora em Rio Largo. Mas os problemas do Dimensão tiveram início muito antes de o campeonato começar. A equipe não tinha campo para treinar e vivia de favores para arrumar um local para fazer a pré-temporada. Promovido A mais impressionante de todas as histórias, porém, é que o Dimensão Saúde, com o Penedense, subiu à primeira divisão do estadual ano passado. E o mais impressionante ainda e que a equipe deixou de fora da primeira divisão o CSA, clube com mais de 90 anos de história no futebol alagoano, maior torcida e o maior número de títulos, 36. ?A equipe não tem lugar certo para treinar, às vezes é na Pedreira Monteiro ou num campo em Rio Largo?, disse um jogador, sem também querer se identificar. Comparações O maior agravante do Dimensão não é tanto as derrotas em si, mas a falta de estrutura mínima para manter um clube na primeira divisão. O aspecto no semblante dos jogadores lembra o mais pobre e miserável time de ?peladas? de qualquer bairro de periferia de Maceió. Após o jogo contra o Corinthians, a maioria dos atletas estava encostada no ônibus extremamente abatida, mas sem nenhum pudor em revelar as peripécias que vêm passando. ?O que diferencia o Ibis do Dimensão Saúde é que o time alagoano tem chamado a atenção de todos pela total falta de estrutura. O Ibis, pelo menos, já tem uma estrutura mínima para disputar o campeonato pernambucano. O Dimensão, não?, destaca o jornalista Bartolomeu Dresch. A observação do jornalista é pertinente. O Ibis ainda ostenta a fama de pior do Brasil, mas tem sede com endereço fixo e telefone. Não dispõe de estádio. O Dimensão Saúde não tem sede, muito menos estádio para treinar. Técnico ?Eu não vou colocar minha carreira em risco, tenho um nome a zelar. Aqui não tem estrutura de nada?, disparou ontem o recém-contratado técnico Paulo Humberto, o Paulinho. Ele dirigiu a equipe na goleada contra o Corinthians por 7x0 e ficou impressionado com a falta de estrutura. Paulinho teve passagens na função em equipes como o CSE de Palmeiras dos Índios, Alecrim de Natal e no São Caetano (SP). ?Só Deus e mais nada é que vai dar jeito, não há estrutura para nada aqui?, completou. Ontem Paulinho deixou o cargo. Em seu lugar assumiu Hélio Miranda Filho, o Helinho, que dirige à equipe hoje contra o CRB, às 20h30. Helinho é filho do ex-técnico Hélio Miranda, que marcou época no futebol alagoano e no futebol do Nordeste nos anos 70 e 80. Ele era conhecido como supermestre. O Dimensão foi dirigido nas cinco primeiras rodadas por Adeíldo.