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Revela��es migram para EUA e geram pol�mica

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Maiores expoentes da nova geração da natação brasileira, que despontou no Pan de 2003 e teve em 2004 o seu ano de afirmação, Thiago Pereira, Joanna Maranhão e Rebeca Gusmão deixaram o País para seguirem a mesma trajetória cumprida por todos os grandes nomes da natação nacional até hoje: foram morar nos Estados Unidos. A decisão dos jovens atletas contrariou a posição da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e reacendeu a polêmica sobre a estrutura (ou a falta de) para o desenvolvimento desses talentos aqui no Brasil. Encabeçado pelo presidente da entidade, Coaracy Nunes, um grupo com alguns técnicos e atletas defende que o país oferece hoje as condições necessárias para que construam suas carreiras. Do outro lado estão grande parte dos nadadores e treinadores, ainda céticos quanto ao seu futuro na modalidade aqui dentro. ?Não queria que a Joanna, a Rebeca e o Thiago fossem para lá. Desde o começo eu deixei claro que era contra. Eles treinam bem os estrangeiros no começo, depois abandonam. Não é que sejam más pessoas, não é isso. Mas eles são norte-americanos acima de tudo, não conseguem deixar o patriotismo de lado. Sempre vão beneficiar o atleta da casa quando tiverem que escolher entre ele e um de fora?, diz o dirigente. Outra justificativa para a mudança é a melhor estrutura oferecida aos atletas, com técnicos qualificados, material de primeira linha e tecnologia de ponta. Mas para Leodegário Arruda, técnico do paraibano Kaio Márcio Almeida, a discrepância entre o que existe no exterior em relação ao que é feito no Brasil já não é tão grande. ?Hoje a gente tem acesso à informação e material, por isso acredito que não existe a necessidade de sair. Temos tudo o que precisamos aqui e, se tiver alguma novidade, vamos buscar lá fora e implantar aqui dentro?, opina o treinador. Para os nadadores, porém, o que pesa mais é a facilidade que existe de conciliar a carreira esportiva com os estudos nos EUA, onde a base do esporte está instalada dentro das universidades. ?Acho que aqui seria mais complicado conciliar as duas coisas, tanto que muita gente tem que escolher entre estudar e treinar. Lá a gente tem um apoio maior para fazer tudo ao mesmo tempo, então essa foi a minha opção?, explica Thiago Pereira, 19, atual campeão mundial dos 200m medley em piscina curta. ?Lá a gente faz nossos horários de acordo com os treinos e competições, não o contrário. E as competições são mais fortes e freqüentes, estamos sempre nadando contra os melhores do mundo?, diz Rebeca Gusmão, 20, velocista que representou o Brasil nas últimas Olimpíadas e está em Coral Springs desde o dia 20 de janeiro, morando com Pereira e Nayara Ribeiro. Mas mesmo entre os atletas há divisão de opiniões. O catarinense Eduardo Fischer, com duas Olimpíadas no currículo apesar da pouca idade (25), só não foi ainda porque não conseguiu. ?Eu acho muito importante. Aqui no Brasil você acaba se dispersando com outros problemas e outras preocupações. Lá você fica no treinamento?, diz. Já Kaio Almeida, 20, que também esteve em Atenas, não pretende sair tão cedo do país. Com patrocínios e apoio financeiro tanto em João Pessoa como em Recife, o paraibano prefere ficar perto da família. ?Ele vai continuar lá. A estrutura que nos oferecem é fantástica?, explica seu treinador. Entre os quatro nadadores que foram embora recentemente, só a pernambucana Joanna Maranhão, quinta colocada nos 400m medley em Atenas, já está em uma universidade. Aos 17 anos, ela ganhou uma bolsa para estudar educação física na Universidade da Flórida, por onde já passaram outros brasileiros como os atletas olímpicos Carlos Jayme e Gabriel Mangabeira.

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