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H�lio Miranda Filho: na hora e no lugar certos
WELLINGTON SANTOS Hélio Miranda Filho, o Helinho, 33 anos. ?Esse parece ser o cara?. O plágio do que disse certa vez o polêmico artilheiro Romário é explicável. Ele vem se notabilizando no futebol alagoano por ter conseguido o que parecia impossível quinze dias atrás. Ele fez o combalido Dimensão Saúde, até então saco de pancadas (time que passa por todo tipo de dificuldades fora de campo) decolar no Campeonato Alagoano da 1ª Divisão, ao promover duas surpresas: vencer o CRB, líder na ocasião do campeonato, e arrancar um empate diante do Murici. No Dimensão, de acordo com Helinho (como é conhecido entre os boleiros), a média salarial é de R$ 300, 00. E quando todos esperavam uma goleada histórica, o ?Dima?, como vem sendo chamado pela imprensa especializada, aprontou e venceu, de virada, o Galo por 2x 1, em pleno Estádio Rei Pelé. E a proeza não parou por aí. No jogo posterior, contra o até então terceiro colocado Murici, que também tem boa estrutura, a equipe dirigida por Helinho aprontou mais uma. Perdia com apenas 14 minutos de partida por 3x0. ?Eu pensei comigo no banco de reservas: tudo voltou ao normal?, confessou Helinho. Mas bastou fazer duas modificações após o terceiro gol e a equipe engrenou. O Dima não só empatou, como desperdiçou uma série de oportunidades que poderiam ter dado a vitória. Novo tempo A ressurreição do Dima aconteceu justamente quando Hélio Miranda Filho assumiu o comando técnico, logo após Paulo Humberto (que ficou apenas por um jogo) deixar a equipe, que sob seu comando sofreu uma goleada por 7x0 do Corinthians. ?O presidente do clube me convidou e eu aceitei o desafio. Vi ali a oportunidade, mesmo já sabendo que o Dimensão não tem as mínimas condições de trabalho, de abrir espaços para mostrar o meu trabalho?, revelou Helinho. /// Paixão pelo futebol surgiu ao lado do pai Acompanhando o pai, Hélio de Amorim Miranda, desde os quatro anos nos gramados da vida, Helinho se apaixonou pela profissão. ?Com ele (pai) tomei gosto e vivi momentos marcantes, como ter tido a oportunidade de conhecer pessoalmente grandes craques como Zico, Sócrates e outros?, conta. ?Mas minha primeira experiência como treinador foi no juniores do Ferroviário, em Maceió. Daí não parei mais?, lembra. O técnico tomou tanto gosto que fez cursos de treinador promovido pela Confederação Brasileira de Futebol e pela Fifa até na Suíça. No currículo, embora equipes amadoras, constam o Independnete, o Pajuçara, CRB. Helinho disse que já acompanhava o Dima no período do treinador Adeildo Damasceno. ?Aceitei porque sabia que aqui tem jogadores com potencial. Estou mostrando a eles que, apesar de toda a miséria, podemos modificar o quadro. Meu trabalho além do lado técnico, é também psicológico, porque há necessidade de tudo dentro do Dimensão?, conta. E acrescenta: ?Tem atleta que não pode treinar porque não tem dinheiro da passagem. Então, você agregar um grupo assim é complicado?. Foi justamente no aspecto psicológico que o técnico mexeu com os brios da equipe. ?Lembro-me de que no dia do jogo contra o CRB, quando a GAZETA estampou aquela famosa matéria fazendo comparativos com o Ibis, o pior time do mundo, um amigo me disse: ?Hélio, você viu no jornal? Dá uma olhadinha! Aproveitei para mostrar a eles a matéria na preleção e disse. ´Nós já estamos no buraco, só depende da gente tentar fazer alguma coisa para começar a sair dele?, lembra. ?Mas no fundo, nem eu mesmo acreditava que pudéssemos ir tão longe com as condições que temos?, confessa. Ele revela que o Dimensão só joga porque recebe ajuda do empresário Roberto Autopeças, de um senhor chamado Nunes, que trabalha na Secretaria Municipal de Saúde, e ?do esforço sobre-humano do presidente do clube, Claudenilson Fernandes?. /// Hélio de Amorim Miranda marcou época Mas parece que o destino do jovem treinador tem algo a ver com o que já dizia o bardo inglês William Shakespeare. ?Há mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia?. Helinho parece ter herdado a capacidade do pai de enfrentar desafios e coisas inusitadas. Seu pai era o legendário Hélio de Amorim Miranda, que marcou época no futebol alagoano e no futebol nordestino nas décadas de 60, 70 e 80 por suas entrevistas controversas e irreverentes, táticas inovadoras e, principalmente, por suas tiradas geniais. ?Certa vez, o jogador Jorginho Siri teve uma surpresa ao chegar ao vestiário para mais um jogo do CSA, ao perguntar. ?E aí mestre, em que lugar vou jogar hoje?? O Hélio o abraçou, subiu até a boca do túnel e disse: ?você vai jogar hoje no melhor lugar do campo que existe. Na arquibancada!?, conta o jornalista João José. Supermestre Hélio Miranda era considerado um estudioso do futebol e sua capacidade o levou a ser um dos primeiros técnicos a assumir a função de olheiro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Por sua visão à frente de seu tempo, ficou conhecido como ?Supermestre?. ?O CRB deve sua permanência no Campeonato Brasileiro, atualmente, ao Hélio Miranda. Foi ele quem classificou o time na famosa seletiva realizada em 1993 (na reformulação do Nacional de futebol promovida pela CBF), quando o time enfrentou quatro clubes da Paraíba e conseguiu a única vaga do grupo para subir à 2ª Divisão do Campeonato Brasileiro?, relembra João José. Naquele ano, a torcida do Galo apelidou o CRB de campeão paraibano. Hélio faleceu vitimado por uma parada respiratória três anos depois, em 1996. Emoção ?Apesar das tiradas e das controvérsias, eu o achava mais calmo do que eu em campo ao dirigir uma equipe. Sou bem mais estressado, sou capaz de esmurrar tudo na hora da bronca?, revela Helinho, ao emocionar-se ao ver as fotos do pai quando concedia a entrevista à GAZETA DE ALAGOAS. /// Perfil HÉLIO MIRANDA FILHO Idade: 35 anos Ídolos: meus dois filhos (Artur e Caio) Cursos: técnico pela CBF-Fifa Clubes: Pajuçara, Independente, CRB, Ferroviário. Sonho: Poder abrir mais espaços no futebol Time: CRB