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Jo�ozinho: quem � rei n�o perde a majestade

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WELLINGTON SANTOS Nos estádios vazios e já quase sem ídolos ainda ecoam os gritos de seus gols. Gols que fizeram história e que marcaram nos arquivos do tempo a impressionante marca de 153 gols pelo CRB, tornando-o o maior artilheiro de todos os tempos do futebol alagoano. Nos mais de 20 clubes que jogou, marcou mais de 400 gols como profissional. ?Com João em campo, não tinha placar em branco?. A afirmação é de João Edson de Barros, 48 anos, ou simplesmente Joãozinho Paulista, alcunha pela qual se notabilizou no futebol brasileiro e, principalmente, no alagoano. E mesmo depois de tanto tempo da era dos gramados, sua fama de superstar dos boleiros ainda o persegue. Ao conceder essa entrevista à GAZETA, Joãozinho Paulista, entre uma resposta e outra, não parava de receber abraços e elogios na redação. Mas o fato de ser o maior artilheiro alagoano em todos os tempos não é tudo para Joãozinho. Para ele, uma sombra o incomoda até hoje e da qual guarda uma certa frustração. ?Apesar de ser um orgulho para mim essa marca histórica, tenho uma certa tristeza porque falta uma coisa para que minha alegria fosse plena. Não tenho nada que guarde o meu nome, como um jogador que marcou a história do clube que mais amei e que amo até hoje?, revela Joãozinho Paulista, ao se referir ao CRB, clube pelo qual fez a imensa maioria de seus gols. A injustiça será revista no próximo dia 24 de março, em sessão Solene na Câmara Municipal de Maceió. Porém, não pelo CRB, mas por um torcedor apaixonado pelo clube e que agora é vereador. Trata-se de Eduardo Canuto, ex-lutador e irmão do jornalista Márcio Canuto, que teve aprovada por unanimidade uma proposta de sua autoria que concede a Joãozinho Paulista uma comenda. ?Essa é sem dúvida a minha única decepção com o CRB. Nunca tive a oportunidade de sequer trabalhar em algum departamento no clube do meu coração. Esperava receber algum tipo de homenagem de lá, ter uma sala onde os torcedores mais novos pudessem conhecer a minha história no clube. Ou mesmo uma oportunidade até para dirigir alguma categoria de base ou coisa assim?, frisa João dos Gols. Ao se referir dessa forma, Joãozinho lembra que jogadores que se tornaram referência em alguns clubes têm seus nomes imortalizados na história deles. ?Basta a gente lembrar do Romário, que teve imortalizada no clube a camisa 11 no Vasco da Gama. Ou o Zico, que, entre outras coisas, recebeu do Flamengo várias homenagens, entre elas é citado no Vídeo Institucional dos cem anos do Flamengo como o maior craque e artilheiro da Gávea?, lembrou Joãozinho Paulista. E acrescenta: ?Mas deixo claro que do lado da torcida do CRB só tenho e tive alegrias, porque onde ando é aquela festa?, completa. *** João lembra alguns ?causos? e jargões da carreira Ele chegou ao CRB em 1976, egresso de Piracicaba (SP). Veio como contrapeso numa permuta com dois jogadores de renome e tinha apenas 18 anos. O técnico na época, Jorge Vasconcelos, desdenhou do garoto. ?Como é que vocês contratam um menino para jogar no CRB, eu pedi um jogador!?, reclamou o técnico com os então dirigentes Luiz Gonzaga Mendes de Barros e Edvaldo Neiva Pires, quando viu o franzino Joãozinho no treino. ?Aquilo que ele disse ficou na minha cabeça. Num domingo, depois de uma semana de contratado, me vinguei. Era o clássico contra o CSA e decisão de um turno. O jogador titular da posição se machucou. O CSA tinha um timaço com Ferreti, Zé Preta e Ênio Oliveira. O jogo foi 3x2 para nós e advinha quem fez os três gols? Eu mesmo?, lembra-se, ao relatar detalhadamente cada um deles. ?A partir desse dia, seu Jorge passou a me chamar de ?meu filho??, conta. Foi tudo que Joãozinho precisava para deslanchar e se consagrar naquele ano. Em 13 jogos, fez 20 gols, foi o artilheiro do campeonato e caiu nas graças da torcida regatiana. A banca Outro fato que marcou a carreira de Joãozinho Paulista na sua segunda passagem pelo Galo foi o gol que considera o mais importante de sua carreira. Ele aconteceu contra o Palmeiras (SP) em 1983, pelo Campeonato Brasileiro. O Galo venceu por 1x0. ?Naquele dia uma reportagem no programa de esportes da TV Gazeta (Esporte no 7) antes do jogo mexeu com meus brios. Um torcedor do CSA que tinha uma banca de uvas na Praça dos Palmares deu uma entrevista dizendo que o Palmeiras iria golear o CRB e que eu parecia um bonde em campo. Eu olhei para o Márcio Ribeiro (hoje técnico do CSA), o ponteiro Ivanildo e o zagueiro Gilnei e disse: ?vou mostrar uma coisa para esse cara??, disse indignado. Não deu outra. No jogo, Joãozinho não só fez um golaço que deu a vitória ao CRB por 1x0, como no outro dia foi até a banca do azulino invocado, ?cumprimentá-lo?. ?Quando cheguei perto da banca, a rapaziada e os taxistas começaram logo a me aplaudir e gritavam: olha ele ali!?. Conta. ?Me aproximei, dei um aperto na mão dele, disse-lhe que não era um bonde e ainda roubei uma uva da banca?, completa Joãozinho. Ao ser perguntado sobre sua maior frustração dentro de campo, Joãozinho lembra que foi quando perdeu um pênalti na decisão do Campeonato Brasileiro de 1977 em que o Atlético (MG) deixou escapar o título para o São Paulo, em pleno Mineirão, nos pênaltis. O Atlético foi o vice-campeão com seis vitórias a mais do que o São Paulo. ?Lembro-me de que bati o pênalti porque os jogadores mais experientes se recusaram a bater. Eu praticamente fui obrigado a fazer a cobrança pelo técnico Barbatana?, recorda-se. Atualmente, Joãozinho Paulista comanda uma escolinha de futebol com a esperança de revelar novos craques, novos artilheiros, novos ?joões?, para que os placares nunca fiquem em branco. (WS)

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